
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta quarta-feira (22), que o Brasil não deixará a mesa de negociação com os Estados Unidos no âmbito do tarifaço, mas que o país continuará procurando alternativas para sair mais fortalecido da crise. O chefe do Executivo desafiou o governo Donald Trump a provar as acusações contra o Brasil que justificam a nova onda de taxação.
“Toda vez que aparece uma crise, a sociedade sempre encontra jeito de sair mais forte. Na economia, quando tem crise, ao invés de ficar chorando, precisamos encontrar saídas”, disse Lula, em cerimônia de assinatura do Brasil Soberano 3, no Palácio do Planalto.
O foco do programa, que prevê R$ 18,5 bilhões em crédito a empresas afetadas, é atender os setores impactados pela tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos e que entrou em vigor nesta quarta-feira, e a de 12,5%, esperada para o final da semana.
De acordo com ele, com a nova medida do governo federal, “não há crise que impeça o Brasil de continuar com a economia crescendo”. “Embora o crescimento do Brasil não seja o do nosso sonho, vamos terminar o mandato crescendo 3%”, comentou.
Elevando o tom contra Trump, Lula voltou a fazer uma série de críticas em torno da decisão americana envolvendo as investigações com base na Seção 301 da legislação americana e o tarifaço, anunciado em julho do ano passado. Ele disse que a decisão foi “abrupta”, mas que forçou os países a procurarem outros mercados.
O presidente brasileiro disse que, por conta disso, o Brasil tem que procurar saídas e citou que o país é grande e tem credibilidade no mercado internacional. “Estamos procurando mecanismos de negociação para suprirmos e até ganharmos mais do que estávamos ganhando”, comentou.
“O Brasil tem condições de sair mais fortalecido da crise do tarifaço, porque saímos da mesmice. Não vamos ficar lamentando o fato de alguém nos prejudicar com taxação”, afirmou Lula.
Apesar das declarações, o chefe do Executivo negou que o antagonismo entre Brasil e Estados Unidos vai aumentar com o tarifaço. Ele reforçou que o Brasil não sairá da mesa de negociação e cobrou a comprovação das alegações feitas contra o país.
O petista relembrou o esforço brasileiro feito no último ano. Ele disse que o país entrou na mesa de negociação, encaminhou diversos documentos aos Estados Unidos, mas “nunca encontramos reciprocidade na conversa”. “O Brasil vai ficar na mesa de negociação; se os Estados Unidos quiserem participar, que participem.”
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