
Candidato do Novo esteve no Parque São Vicente nesta segunda-feira (24), conversou com lideranças religiosas e pessoas afetadas pelo vício em apostas e colocou o combate às bets entre as prioridades de um eventual governo
O candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) esteve em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, nesta segunda-feira (24 de agosto), onde defendeu a proibição das plataformas de apostas on-line no Brasil. Durante a agenda, ele comparou os efeitos das bets aos provocados pela cocaína e afirmou que combater esse mercado estaria entre suas primeiras medidas caso seja eleito presidente.
A visita aconteceu na Assembleia de Deus Ministério Unção, no Parque São Vicente, onde Zema participou de um encontro com lideranças religiosas e pessoas afetadas pelos problemas relacionados às apostas. Durante a agenda, o candidato vestiu uma camisa preta com a frase “Chega de Bets”.
“É igual cocaína”
Uma das declarações de maior repercussão durante a passagem de Romeu Zema por Belford Roxo ocorreu quando o candidato comparou as apostas à cocaína.
“É igual cocaína, temos que proibir. Quem está pagando a conta são as famílias.”
Ao defender sua posição, Zema afirmou que os prejuízos provocados pelo vício não ficam restritos aos apostadores e podem atingir diretamente suas famílias. Segundo ele, há situações em que recursos destinados às necessidades básicas acabam sendo utilizados em apostas.
O candidato classificou as bets como uma “praga” e uma “desgraça”, defendendo uma atuação mais rigorosa do poder público.
Proibir as bets seria prioridade em eventual governo
Zema afirmou que pretende transformar o combate às apostas on-line em uma das bandeiras de sua campanha à Presidência.
Caso seja eleito, segundo o candidato, uma de suas primeiras iniciativas seria buscar a proibição das bets no país.
A proposta representa uma posição mais rígida do que o atual modelo brasileiro, baseado na regulamentação e fiscalização das empresas autorizadas a operar no mercado nacional.
E os sites clandestinos?
A possibilidade de uma proibição também levanta uma questão: o que aconteceria com plataformas que continuassem operando clandestinamente ou a partir do exterior?
Zema reconheceu que uma eventual proibição não necessariamente eliminaria todas as apostas, mas defendeu o emprego de tecnologia para identificar e combater plataformas ilegais, dificultando o acesso dos usuários.
Na avaliação apresentada pelo candidato, a possibilidade de surgimento de um mercado clandestino não deve impedir o Estado de adotar medidas contra a atividade.
Zema critica modelo de regulamentação
Durante a agenda em Belford Roxo, Zema também criticou a política adotada pelo governo federal para o mercado de apostas.
O candidato questionou a arrecadação pública proveniente das empresas do setor e defendeu que os impactos sociais e financeiros relacionados ao vício sejam considerados no debate.
O crescimento das apostas esportivas e dos jogos on-line colocou o tema no centro das discussões sobre endividamento, publicidade, proteção aos consumidores e dependência em jogos.
Livre mercado entra no debate
A proposta de proibição também chama atenção por partir de um candidato do Novo, partido historicamente associado à defesa da liberdade econômica e de uma menor intervenção do Estado.
Questionado sobre essa aparente contradição, Zema argumentou que a defesa do livre mercado não deveria ser aplicada da mesma maneira a atividades que, em sua avaliação, causam graves prejuízos às pessoas.
O candidato também diferenciou as bets dos chamados mercados preditivos, defendendo que se tratam de atividades com características e finalidades distintas.
Belford Roxo no centro de uma pauta nacional
A passagem de Romeu Zema por Belford Roxo colocou o município da Baixada Fluminense no roteiro da campanha presidencial e serviu de cenário para a defesa de uma proposta que deve provocar debate durante a corrida ao Palácio do Planalto.
O combate às apostas já vinha sendo abordado pelo candidato antes da visita ao município. Dias antes, Zema havia participado de outro encontro com pessoas afetadas pelo vício em jogos e reforçado sua intenção de tratar o tema como prioridade.
Com o avanço da campanha eleitoral de 2026, a regulamentação das bets e seus impactos econômicos e sociais podem ganhar ainda mais espaço nas propostas e nos embates entre os candidatos à Presidência.
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