
Glaidson Acácio dos Santos afirmou à Justiça que uma fortuna em criptomoedas seria suficiente para pagar os mais de 77 mil credores ligados à GAS Consultoria. Valor disponível, porém, ainda não foi comprovado publicamente.
Uma declaração de Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como “Faraó dos Bitcoins”, voltou a colocar no centro das atenções o destino de uma fortuna em criptomoedas e a situação de milhares de credores da GAS Consultoria.
Em depoimento à Justiça, divulgado em reportagem do Fantástico, Glaidson afirmou que existe uma quantia elevada em uma cold wallet, carteira utilizada para armazenar as chaves de acesso a criptomoedas fora da internet.
O momento que mais chamou atenção aconteceu quando a juíza perguntou diretamente se os recursos seriam suficientes para pagar os credores.
Juíza: “Existe quantia vultosa nessa cold wallet?”
Glaidson: “Existe.”
Juíza: “Dá pra pagar todos?”
Glaidson: “Dá. Dá. Dá.”
A afirmação é do próprio Glaidson. Até o momento, não há confirmação pública independente de que o patrimônio disponível seja suficiente para quitar integralmente a dívida de quase R$ 3 bilhões.
Mais de 77 mil credores
A dimensão do caso ajuda a explicar o impacto da declaração.
A lista relacionada à massa falida da GAS reúne mais de 77 mil credores, entre pessoas e empresas, com valores reclamados que chegam a quase R$ 3 bilhões.
A GAS Consultoria ganhou projeção nacional a partir de Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, oferecendo rendimentos mensais próximos de 10%.
Segundo informações atribuídas à Polícia Federal nas reportagens sobre o caso, as operações relacionadas ao grupo movimentaram aproximadamente R$ 38,2 bilhões.
Onde estaria a fortuna?
Um dos pontos centrais do processo envolve uma cold wallet apreendida e mantida sob custódia da Polícia Federal.
Durante o depoimento, Glaidson não informou publicamente quanto haveria em criptomoedas no dispositivo.
Ao ser questionado sobre a senha, declarou:
“A senha, agora de cabeça, eu não sei. Mas tá lá. Tá tudo lá.”
A fala não significa que ele tenha declarado ter perdido definitivamente a senha. Glaidson afirmou apenas que não sabia informá-la de cabeça naquele momento.
A grande questão agora é descobrir qual é o patrimônio efetivamente acessível e se os ativos poderão ser utilizados para ressarcir os credores.
4,5 mil bitcoins teriam sido movimentados após prisão
Outro ponto relevante da investigação envolve movimentações realizadas depois da prisão de Glaidson, em agosto de 2021.
Segundo informações divulgadas sobre a investigação do Ministério Público Federal (MPF), aproximadamente 4,5 mil bitcoins teriam sido movimentados após a prisão. Na época, os ativos correspondiam a mais de R$ 1 bilhão.
A investigação também apontou acesso relacionado às carteiras a partir de um computador localizado na Flórida, nos Estados Unidos.
Mirelis Diaz Zerpa, mulher e sócia de Glaidson, confirmou ter realizado movimentações de criptomoedas após a operação, mas negou ter se apropriado de recursos da empresa.
A defesa sustenta que as movimentações tinham como objetivo devolver aos clientes recursos que lhes pertenciam.
Glaidson falou sobre atuação como “baleia”
Outro trecho do depoimento chamou atenção.
Glaidson afirmou que o grande volume de recursos administrado permitia que ele atuasse como uma “baleia” no mercado de criptomoedas.
O termo é utilizado para identificar grandes detentores de ativos digitais cujas operações podem exercer influência relevante sobre os preços.
Em seu relato, Glaidson descreveu estratégias envolvendo grandes operadores, posições alavancadas e negociações capazes de pressionar a cotação de determinados criptoativos.
As declarações representam a versão apresentada por Glaidson em seu depoimento e precisam ser consideradas dentro do conjunto de provas analisado pela Justiça.
MPF pediu condenações
Após anos de tramitação, o Ministério Público Federal pediu a condenação de Glaidson, Mirelis e outros acusados no processo relacionado às atividades da GAS.
Glaidson nega ter cometido os crimes atribuídos a ele.
Sua defesa contesta a caracterização das atividades da GAS como crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e sustenta que a interrupção dos pagamentos aos clientes ocorreu após medidas judiciais contra a empresa.
Mirelis também nega as acusações apresentadas contra ela.
Afinal, dá para pagar todo mundo?
Essa é a pergunta que ganha força depois do depoimento.
De um lado, Glaidson foi categórico:
“Dá. Dá. Dá.”
Do outro, existem mais de 77 mil credores e quase R$ 3 bilhões em valores reclamados.
Até agora, o montante total existente na cold wallet não foi divulgado publicamente de forma que permita confirmar que há recursos suficientes para quitar integralmente todos os credores.
Mesmo que os criptoativos existam, ainda será necessário estabelecer quais bens estão efetivamente disponíveis, sua titularidade e de que maneira poderão ser utilizados para ressarcimento.
A declaração, portanto, abre uma pergunta de quase R$ 3 bilhões:
se existe dinheiro para pagar todo mundo, quanto realmente está guardado e quando os credores poderão receber?
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