
Brasil e México foram os principais mercados responsáveis pelo crescimento do volume de vendas da Nestlé nas Américas no primeiro semestre de 2026, segundo balanço divulgado pela companhia nesta quinta-feira (23). Os dois países impulsionaram o Crescimento Interno Real (RIG, na sigla em inglês), indicador que mede a variação do volume de vendas desconsiderando o efeito dos preços.
Na América Latina, a companhia registrou crescimento orgânico de 5,8% no segundo trimestre, com RIG de 4,2%. Em teleconferência com analistas, a diretora financeira da Nestlé, Anna Manz, afirmou que a desaceleração dos reajustes de preços favoreceu a recuperação dos volumes na região.
O Brasil também foi citado entre os principais mercados das divisões de café e confeitaria. Segundo a empresa, o país registrou crescimento de volume de um dígito médio ou superior em café e contribuiu para a melhora do desempenho da categoria de confeitaria após os reajustes de preços realizados anteriormente.
A margem operacional subjacente da Zona Américas caiu 30 pontos-base, para 19,3%. A companhia atribuiu o recuo ao aumento dos investimentos em marketing, às tarifas comerciais e à inflação dos custos de matérias-primas, principalmente café e cacau. O fortalecimento do franco suíço também reduziu em 6,2% as vendas reportadas na comparação anual.
Nos Estados Unidos, a Nestlé informou que a marca Gerber permaneceu sob pressão, enquanto a categoria de alimentos congelados continuou registrando demanda mais fraca. Problemas operacionais em uma fábrica também afetaram o abastecimento de Coffee mate, com impacto sobre as vendas da marca.
Durante a apresentação dos resultados, o CEO, Philipp Navratil, afirmou que a companhia continuará priorizando investimentos em marketing e inovação para estimular a demanda. Entre as iniciativas citadas estão ações da KitKat ligadas à Fórmula 1 e uma campanha global da Nespresso com a cantora Dua Lipa.
Os resultados do semestre também refletiram os efeitos do recolhimento preventivo global de fórmulas infantis, iniciado após a identificação de cereulida — toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus e associada a casos de intoxicação alimentar — em um ingrediente fornecido por um fornecedor externo. Segundo a Nestlé, o episódio reduziu o crescimento orgânico em cerca de 90 pontos-base no primeiro trimestre e em 30 pontos-base no segundo. Manz afirmou que metade do impacto financeiro decorreu de custos com devoluções e reposição de estoques, enquanto a outra metade foi resultado da retração de cerca de 10% na demanda, principalmente na Grande China, no Oriente Médio e na Europa.
A companhia manteve a avaliação de que o ambiente de negócios segue marcado por incertezas macroeconômicas e pela volatilidade dos custos de logística e de commodities. A expectativa é manter o crescimento dos volumes nas Américas com a normalização dos estoques e o lançamento de novos produtos.
No semestre, a Nestlé registrou lucro líquido de 3,5 bilhões de francos suíços, queda de 31,4% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo a companhia, o resultado foi impactado por custos de reestruturação e por uma baixa contábil de 1,3 bilhão de francos suíços relacionada a ativos classificados como mantidos para venda.
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