
Apesar da saída de recursos da bolsa brasileira neste mês, o Bank of America (BofA) não vê uma interrupção na tendência de fluxos para mercados emergentes. Segundo Bruno Saraiva, co-head de banco de investimento e diretor de mercado de ações (ECM) para América Latina, essa saída deve ser vista no contexto de uma enxurrada de recursos nos últimos meses.
“O fluxo negativo este mês é em função de discussões pontuais de reajuste entre inflação e juros lá fora. O ‘trend’ (tendência) continua sendo superpositivo”, comentou.
Segundo ele, essa tendência estrutural de fluxo para emergentes deve continuar nos próximos meses, com o fim da guerra, a normalização da inflação no mundo e levando a queda de juros nos países desenvolvidos, o que direciona recurso para outras partes do globo. “Não vemos uma disrupção estrutural, com a inflação permanecendo elevada. Pode demorar um trimestre, talvez dois, mas passado isso, se ajusta.”
Sobre Brasil, os executivo do BofA dizem que, independentemente de quem vencer as eleições, o importante é a sinalização dada sobre os rumos da política fiscal.
Segundo eles, se Lula foi eleito e não der nenhuma sinalização nesse sentido, isso já está mais ou menos precificado pelo mercado, mas “a vida fica mais dura” para 2027. Já se o vencedor do pleito, seja quem for, se comprometer com um maior rigor fiscal e reformas estruturantes, as perspectivas melhoram para os mercados de capitais.
“O que está aí [Lula] é conhecido, então qualquer ajuste levaria a uma melhora [nos mercados]. Se entrar um candidato novo e se comprometer com o fiscal, aí devemos ter os juros longos fechando, com mais atividade nos mercados de capitais”, diz Saraiva.
O BofA estima pelo menos dez IPOs de empresas brasileiras no ano que vem, com o mercado de equities (incluindo “follow-on” e “blocktrade”) movimentando cerca de R$ 50 bilhões. “Devemos chegar nesse nível com conforto.”
Entre possíveis IPOs, eles dizem que empresas brasileiras de tecnologia e fintechs tendem a ser os setores mais prováveis, com listagem nos EUA. Para estreias na bolsa brasileira, os segmentos são infraestrutura, imobiliário, consumo e varejo.
Teses globais que beneficiam o Brasil, como data centers e terras raras, não devem ver ofertas de ações no médio prazo. Mas o banco aponta que pode ter alguma oferta das chamadas mineradoras “juniores”, que são operações pequenas.
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