
O presidente Donald Trump afirmou nesta segunda-feira que os Estados Unidos serão os “guardiões” do Estreito de Ormuz e que o país está assumindo o controle da via marítima, considerada essencial para o transporte global de petróleo e gás natural.
“Vamos manter o estreito e provavelmente administrá-lo. Seremos os guardiões do estreito. Talvez possamos nos chamar de anjo da guarda do estreito. E deveríamos ser reembolsados por isso”, disse, em entrevista por telefone ao programa “Fox & Friends”, da Fox News.
As declarações de Trump ocorrem em um momento de escalada de tensões entre Washington e Teerã após sucessivos ataques trocados ao longo do fim de semana e desta segunda-feira. Embora um acordo firmado no mês passado entre o presidente americano e seu homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, tenha buscado encerrar as hostilidades, os dois países divergem sobre o controle da navegação no Estreito de Ormuz.
A República Islâmica tem afirmado sucessivas vezes que o memorando de entendimento lhe dá autoridade para regular o tráfego e que estuda um sistema de cobrança de pedágios permanente na hidrovia, enquanto os EUA insistem que a passagem deve permanecer aberta à navegação internacional.
Após um breve período de normalização, o movimento de navios voltou a cair acentuadamente depois que o Irã atacou, no sábado, um porta-contêineres de bandeira cipriota, acusado de desrespeitar as condições impostas pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) para cruzar o estreito. A MarineTraffic informou nesta segunda-feira que a atividade de embarcações na via marítima caiu cerca de 52% entre 10 e 12 de julho em comparação com a semana anterior.
Também nesta segunda-feira, autoridades do Irã voltaram a elevar o tom das ameaças nesta segunda-feira. Entre os integrantes da ala mais conservadora do regime, Ali Bagheri Kani, vice-secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, defendeu uma retaliação contra os EUA pela morte do ex-líder supremo aiatolá Ali Khamenei, classificando-a como “um direito da nação iraniana”, segundo a televisão estatal. Nas últimas semanas, integrantes da linha-dura vêm adotando um discurso cada vez mais favorável à continuidade do confronto.
Além disso, as Forças Armadas iranianas anunciaram uma nova rodada de ataques contra instalações militares americanas no Oriente Médio, com alvos na Jordânia, no Bahrein, no Kuwait e em Omã. Poucas horas antes, militares americanos haviam informado que realizaram novos bombardeios contra posições iranianas para reduzir a capacidade de Teerã de atacar embarcações comerciais em Ormuz.
A escalada é o episódio mais recente de quase uma semana de confrontos entre Washington e Teerã em torno do controle do estreito, rota por onde, antes da guerra, passava cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito (GNL).
Com as perspectivas de uma solução diplomática cada vez mais distantes, o petróleo Brent subiu cerca de 3% nesta segunda-feira, para aproximadamente US$ 78 por barril.
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