
A fidelidade dos brasileiros às instituições financeiras está diminuindo à medida que os consumidores passam a priorizar experiências digitais, personalização e melhores condições de crédito. Pesquisa da Mastercard mostra que 77% dos brasileiros afirmam estar dispostos a trocar de banco ou instituição financeira em busca de experiências melhores, mais transparentes e personalizadas.
O Brasil está em linha com a média global, ao lado da Noruega (77%), e atrás apenas dos Estados Unidos (89%), da Austrália (84%) e do Reino Unido (80%). Os dados são do levantamento “State of Open Finance 2026”, feito pela Mastercard com 8 mil consumidores e 300 executivos de 11 países.
Na média global, 81% dos consumidores afirmam que considerariam mudar de instituição para obter melhores condições de crédito; 77% fariam isso para ter maior controle sobre seus dados financeiros; 76%, em busca de ferramentas digitais que simplifiquem a gestão financeira; e 70%, para receber recomendações e insights personalizados.
Além disso, 43% dos entrevistados disseram já ter trocado de instituição para ter maior controle sobre seus dados, enquanto 44% migraram em busca de melhores recursos de gestão financeira e 42%, por recomendações financeiras mais personalizadas.
Para Murilo Rabusky, diretor de negócios da Lina Open X, parceira da Mastercard em iniciativas de open finance, o cenário representa uma mudança na forma como as instituições conquistam e mantêm clientes. “No passado, muitos clientes permaneciam no mesmo banco porque mudar exigia tempo, burocracia e esforço. Hoje, com o open finance, a fidelidade precisa ser conquistada continuamente por meio de produtos, serviços e experiências que realmente façam sentido para o consumidor”, afirmou, em nota.
Apesar dos avanços do open finance, o Brasil aparece como o mercado que menos converte seu potencial em geração de receitas. Segundo o estudo, executivos brasileiros estimam que suas empresas deixaram de capturar, em média, 6,1% da receita anual por não conseguirem obter o consentimento dos clientes para compartilhar dados — o maior percentual entre os mercados analisados e acima da média global de 4,6%.
A pesquisa também aponta preocupação do setor financeiro com esse novo comportamento. Globalmente, 67% dos executivos afirmam já ter observado perda de clientes porque suas organizações não conseguiram oferecer o nível de conveniência ou personalização esperado pelos usuários. Além disso, 62% acreditam que suas empresas correm o risco de perder ainda mais clientes no próximo ano caso deixem de investir em sistemas capazes de tornar as interações financeiras mais convenientes ou personalizadas.
Para Rabusky, o cenário no Brasil não é diferente. “O consumidor brasileiro está se acostumando a comparar serviços financeiros da mesma forma que compara aplicativos de transporte, streaming ou compras online. A expectativa por experiências simples, personalizadas e sem atritos aumentou significativamente, e isso reduz a tolerância a processos burocráticos ou ofertas pouco aderentes às necessidades de cada pessoa.”
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