
O governo federal avalia que o destino do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, já estava selado, pelo menos, desde terça-feira (28). Nesse dia, teria circulado a notícia da futura derrocada de Messias em um jantar na casa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O evento reuniu, naquela noite, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) e o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), entre outros convidados do Judiciário e do governo.
O evento chegou ao conhecimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a articuladores políticos do governo após a notícia da rejeição de Messias à vaga ao STF. Contudo, a percepção é de que a articulação orquestrada por Alcolumbre teria tido início na segunda-feira (27), apesar dos esforços do novo ministro da articulação política, José Guimarães, para manter os cerca de 43, 44 votos favoráveis a Messias.
Segundo auxiliares próximos de Lula, a suspeita é de que Alcolumbre e Moraes se aliaram em articulação pela rejeição de Messias. O evento foi organizado por Moraes para homenagear o novo ministro da Indústria, Desenvolvimento e Comércio (Mdic), Márcio Elias Rosa – um dos quadros mais queridos no alto escalão de Lula – e o ex-secretário de Segurança Pública Mário Sarrubbo.
Compareceram personagens da alta política e da elite do Judiciário. Além de Moraes, também estavam os ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, do STF; o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski; o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; o procurador-geral da República, Paulo Gonet, entre outros. Procurados pelo Valor, todos confirmaram presença no jantar.
Em nota enviada pela assessoria do STF, Moraes confirmou a organização do evento. “No dia 28/4, o ministro Alexandre de Moraes ofereceu um jantar em sua residência para o ex-secretário nacional de segurança pública, Mário Sarrubo, seu ex-colega de MPSP e amigo há 35 anos, com a participação de diversos convidados, inclusive o ex-Ministro da Justiça Ricardo Lewandowski e o Diretor Geral da PF, Andrei Passos que trabalharam com o homenageado”, registrou a comunicação. Interlocutores de Moraes também refutam que ele tenha atuado junto com Alcolumbre contra Messias.
Uma fonte ligada ao governo relatou ao Valor que o clima do evento foi de confraternização descontraída, e negou que tenha ouvido rumores sobre a derrocada de Messias no dia seguinte.
Contudo, outros participantes do jantar ouvidos descreveram que convidados que passaram pela roda onde estava Alcolumbre ouviram ele antecipando que a quarta-feira seria “dia histórico” no Senado.
Também circularam nessa roda comentários sobre as investigações das fraudes do Banco Master, que envolvem ministros do STF e lideranças políticas. Pessoas próximas a Alcolumbre e Moraes apontam que o caso das fraudes no Banco Master contribuiu para a rejeição de Messias. O presidente do Senado já externalizou a aliados irritação com o vazamento de operações da PF relacionadas à compra de papéis fraudados do Master pelo fundo de previdência dos servidores públicos do Amapá (Amprev). Procurado por meio de sua assessoria, o presidente do Senado não se manifestou.
As fontes governistas ressaltaram que não veem digitais de Cristiano Zanin e Gilmar Mendes nessa articulação, apenas de Moraes. Zanin teria simpatia ao nome do AGU. Gilmar preferia a indicação de Pacheco no início da corrida ao STF, mas passou a apoiar Messias na reta final. Ele e Zanin não teriam ficado para o jantar, tendo passado na casa de Moraes apenas para prestigiar os homenageados. Moraes sempre defendeu a indicação de Rodrigo Pacheco.
Desconfiança sobre Pacheco
Uma fonte governista também mencionou que se desconfia de que apesar dos gestos públicos, Pacheco teria sido um dos votos contrários a Messias, já que a votação é secreta. Um importante auxiliar de Lula disse que sentiu “ressentimento” na expressão de Pacheco ao cumprimentá-lo no Senado antes da votação, já que ele foi preterido por Lula na indicação ao STF.
Já aliados de Pacheco rechaçaram essa suspeita. Um interlocutor do senador de Minas Gerais salientou que ele fez dezenas de acenos para ajudar Messias. Ajudou a organizar a reunião secreta de Messias com Alcolumbre, e tirou fotos com o ministro da AGU na véspera da votação declarando apoio ao candidato ao STF.
Senadores da base governista ressaltaram que “tudo que é aprovado no Senado passa pelo aval e pelo apoio de Alcolumbre”. Isto é, o Executivo sabia que teria dificuldade para aprovar Messias sem a ajuda do presidente do Senado.
Esses parlamentares também consideram um erro a articulação da indicação de Messias ter sido capitaneada pelo líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), que se afastou do presidente da Casa após desentendimentos sobre o tema. Até o momento, a relação entre os dois continua estremecida.
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