
Multidões de iranianos enlutados exibiram cartazes com a frase “Kill Trump” (“Matem Trump”), incendiaram bandeiras dos Estados Unidos e do Reino Unido e pediram vingança contra o presidente americano durante o cortejo fúnebre do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, nesta segunda-feira, em Teerã. Morto no primeiro dia dos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, Khamenei foi homenageado no maior evento até agora de uma semana de cerimônias que buscam demonstrar a permanência no poder da liderança clerical iraniana.
Imagens aéreas exibidas pela televisão estatal mostraram dezenas de milhares de pessoas reunidas em uma avenida no centro da capital iraniana. Os caixões do líder morto e de quatro integrantes de sua família foram transportados em um grande caminhão pelas ruas, enquanto caminhões-pipa lançavam água sobre a multidão para aliviar o calor dos participantes.
Ao passarem sob um viaduto, enlutados atiraram pedras contra um painel pendurado que mostrava o presidente Trump com uma bala apontada para sua cabeça. “O EUA matou nosso pai”, dizia a mensagem. “Não vamos deixar você escapar!”
Outros manifestantes exibiam cartazes com os rostos de Trump, do vice-presidente americano, J.D. Vance, do secretário de Defesa Pete Hegseth e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, todos retratados na mira de uma arma, acompanhados da frase “Haverá sangue”.
A maior parte dos participantes agitava bandeiras iranianas e estandartes vermelhos com um slogan conclamando os “vingadores de Khamenei”, adaptação de uma expressão central do islamismo xiita desde a morte, em batalha, do neto do profeta Maomé, no século VII.
Filhos rezam por Khamenei, mas Mojtaba não aparece
No domingo, três filhos do líder morto rezaram ao lado de seu caixão em um grande salão de orações em Teerã.
Mas Mojtaba Khamenei, filho que sucedeu o pai como líder supremo do Irã, não apareceu. Acredita-se que ele tenha ficado desfigurado pelos ferimentos sofridos no ataque que matou seu pai. O novo líder supremo não é visto em público desde o início da guerra.
As cerimônias de luto começaram na sexta-feira, quando os caixões de Khamenei, de uma de suas filhas e de seu neto de 14 meses, de um de seus genros e da esposa de Mojtaba foram velados por autoridades iranianas e dignitários estrangeiros. Outras grandes cerimônias ao ar livre ocorreram no sábado e no domingo, antes da grande procissão desta segunda-feira.
Mais tarde nesta semana, segundo as autoridades, o corpo será levado para novas procissões na cidade sagrada de Qom, centro dos seminários xiitas no Irã, e nas cidades santuário de Najaf e Kerbala, no Iraque, antes de retornar ao Irã para ser enterrado em um complexo religioso medieval em Mashhad.
A guerra terminou com um acordo preliminar de paz firmado no mês passado, que manteve a liderança clerical no poder e permitiu ao governo iraniano declarar vitória, fortalecendo sua influência ao exercer controle sobre o fornecimento global de energia por meio do Estreito de Ormuz.
Trump também reivindicou vitória, embora os objetivos anunciados no início da guerra — destruir os programas nuclear e de mísseis do Irã, impedir sua capacidade de atacar países vizinhos e criar condições para que os iranianos derrubassem seus líderes — ainda não tenham sido alcançados.
No fim de semana, Trump afirmou que as negociações de paz com o Irã foram adiadas por uma semana devido às cerimônias fúnebres.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou nesta segunda-feira que Khamenei foi morto porque liderava um programa para destruir Israel. “Qualquer líder iraniano que volte a tentar executar planos para destruir Israel também será morto”, declarou Katz.

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