
A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) divulgou nota afirmando que a designação do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos Estados Unidos pode gerar impactos sobre o relacionamento entre bancos brasileiros e americanos.
“Na prática, medidas dessa natureza tendem a gerar reflexos sobre todas as empresas que operam em território nacional, especialmente em temas relacionados a custos de observância, monitoramento de operações, gestão de risco e relacionamento com instituições internacionais. Nesse sentido, bancos e instituições financeiras não são diferentes das demais empresas e passam a operar em um ambiente de maior insegurança e imprevisibilidade quanto aos efeitos práticos dessa medida”, diz a ABBC.
Segundo a associação, trata-se de um tema complexo para o sistema financeiro brasileiro, que pode gerar impactos sobre o relacionamento entre instituições financeiras brasileiras e americanas, especialmente diante da evolução contínua de entendimentos regulatórios e supervisórios aplicáveis às operações internacionais.
“Entre os possíveis reflexos estão a ampliação de custos de observância decorrente do aumento de diligências, revisões adicionais de processos de compliance e maior questionamento por parte de parceiros e instituições financeiras internacionais.”
A entidade observa que tais impactos podem ocorrer sobretudo em operações internacionais e fluxos vinculados ao sistema financeiro global, além do potencial aumento da percepção de risco por parte de investidores internacionais.
“Esse ambiente pode produzir efeitos operacionais sobre transações e atividades econômicas legítimas, incluindo maior rigor em processos de validação, monitoramento e análises complementares, sobretudo em operações internacionais e fluxos vinculados ao sistema financeiro global.”
A ABBC deixou claro que o combate ao crime organizado no Brasil é uma necessidade permanente, mas que o sistema financeiro brasileiro já opera sob regras robustas de prevenção à lavagem de dinheiro e combate ao financiamento do terrorismo, contando com forte aparato regulatório e supervisão das autoridades competentes, alinhados a padrões internacionais e distintos da realidade observada em outras jurisdições recentemente submetidas a sanções. “Nesse contexto, eventuais medidas dessa natureza devem considerar e respeitar os marcos regulatórios e institucionais locais de cada jurisdição.”
A organização diz que está acompanhando o tema e apoiando os associados em iniciativas voltadas ao reforço de processos de compliance, monitoramento e cooperação institucional.
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