
O índice médio de perdas do varejo brasileiro atingiu o maior nível da história recente em 2025, passando de 1,51% em 2024 para 1,65% das vendas no ano passado, segundo a 9ª Pesquisa Abrappe de Prevenção de Perdas no Varejo Brasileiro, publicada nesta semana pela Associação Brasileira de Prevenção de Perdas.
Esse índice equivale a uma perda estimada de pouco mais de R$ 42 bilhões, com base numa venda total do comércio varejista brasileiro de R$ 2,59 trilhões em 2025, calculou o Valor, com base em dados da pesquisa mensal do comércio, do IBGE. A reportagem considerou um aumento de 6,4% na receita nominal do varejo em 2025.
Esse montante de R$ 42 bilhões equivale a quase uma vez e meia a receita líquida anual da Casas Bahia, e a duas vezes a receita do GPA no ano passado, empresa dona da rede Pão de Açúcar.
O levantamento tem dados a partir de 2016 e, nos primeiros anos, os índices variavam entre 1,30% e 1,40% das vendas. A instabilidade maior se viu a partir de 2021, com o avanço no número de companhias em recuperação judicial e extrajudicial, e também com as reestruturações consecutivas de negócios, que levaram a um corte de custos nas empresas, inclusive na área de controle de perdas.
A pesquisa analisa diversas áreas, como alimentos, material de construção, artigos esportivos, perfumarias, eletromóveis, entre outros, e foi feita em parceria com a consultoria Protiviti.
Em cinco anos, o varejo nacional passou de um índice de 1,21% em 2021, o menor da série, para 1,65% no ano passado, a taxa recorde nesse período de quase dez anos analisados. O segmento que mais contribuiu para essa elevação foi a loja de conveniência, cujo índice de perda passou de cerca de 3% para 3,80% de 2024 para 2025. Nas perfumarias, a alta também foi relevante — de 1% para 1,55%. Quem teve ganhos nesse número foi o varejo de artigos esportivos, com o indicador passando de 1,22% para 0,45%, menos da metade.
O índice de perdas totais do comércio inclui erros internos, furtos e fraudes, por exemplo. Pelos cálculos da Abrappe, de cada R$ 61 vendidos R$ 1 foi perdido pelas lojas, o que reforça ainda mais a necessidade de investimentos em prevenção e controles, afirma a direção.
Segundo Carlos Eduardo Santos, presidente da associação, há uma percepção de um aumento na quantidade de furtos nas lojas no ano passado em relação a 2024 — o Valor noticiou ontem uma onda de furos de rótulos de Coca-Cola que contém figurinhas exclusivas da Copa. Uma outra hipótese considerada pelo mercado é que as mudanças nos hábitos de consumo, relacionados com as canetas emagrecedoras, obrigaram as empresas a revisarem seus processos de compras, o que afeta os controles e pode levar a rupturas e perdas também.
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