
O lucro por veículo de sete das principais montadoras globais caiu no ano fiscal de 2025 devido às tarifas dos EUA e à desaceleração na demanda por elétricos. Tradicionalmente muito lucrativa, a Tesla registrou uma forte queda de 40%.
O Nikkei Asia analisou as cinco maiores montadoras do mundo em vendas, além das líderes de veículos elétricos Tesla (EUA) e BYD (China), utilizando dados das próprias companhias e da Quick FactSet. Como o encerramento do ano fiscal varia entre as fabricantes japonesas e as demais, o lucro líquido total das marcas estrangeiras nos quatro trimestres até o período de janeiro a março de 2026 foi dividido pelos números globais de vendas. Para a Stellantis, que não divulga lucros trimestrais, foram usados os dados do ano civil de 2025.
Entre as sete empresas, a Tesla registrou o maior lucro por veículo, de 348.000 ienes (US$ 2.140). Este foi o seu quinto ano consecutivo na liderança, mas ainda assim representa uma queda significativa em relação aos 557.000 ienes do ano anterior. O fim dos créditos fiscais para elétricos nos EUA enfraqueceu as vendas, enquanto o avanço das fabricantes chinesas intensificou a concorrência.
“A queda na venda de créditos de carbono também influenciou o resultado”, afirmou Seiji Sugiura, analista sênior do Tokai Tokyo Intelligence Laboratory.
A comercialização desses créditos para montadoras que não conseguem cumprir as metas de emissões por conta própria despencou 40% — de US$ 2,9 bilhões no ano fiscal de 2024 para US$ 1,7 bilhão em 2025 —, reflexo do afrouxamento das regulamentações ambientais americanas.
A Tesla assumiu a liderança em lucro por veículo no ano fiscal de 2021, impulsionada pela redução de custos com o processo de moldagem integrada de carrocerias Giga Press e pelo rápido crescimento do mercado de elétricos. Nos anos fiscais de 2022 e 2023, o ganho por unidade superou 1 milhão de ienes.
Em um segundo lugar bastante próximo em 2025 ficou a Toyota, com 341.000 ienes, uma baixa de 20% ante 2024. A forte demanda por seus modelos híbridos minimizou o impacto do desaquecimento dos elétricos, resultando em uma queda menor que a da rival americana. A diferença entre a japonesa e a Tesla, que passava de 100.000 ienes em 2024, encolheu para menos de 10.000 ienes.
A Toyota “tem forte qualidade de produto, e os baixos incentivos de vendas também dão sustentação”, disse Sugiura.
A BYD ocupou a terceira posição. O governo chinês reduziu os incentivos fiscais para a compra de veículos de nova energia em janeiro, contribuindo para uma queda de 55% no lucro líquido da montadora no trimestre de janeiro a março.
Já a Stellantis e a Ford, que haviam lucrado cerca de 150.000 ienes por veículo no ano fiscal de 2024, viram os ganhos por unidade entrarem no vermelho em 2025.
O principal motivo para a retração nas margens são as tarifas automotivas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump. As taxas reduziram o lucro operacional consolidado da Toyota em 1,38 trilhão de ienes no ano encerrado em março. Volkswagen e General Motors também viram seus ganhos pressionados pelos custos alfandegários.
No crucial mercado norte-americano, as montadoras encontram dificuldades para repassar esses custos aos preços. A inflação tornou os consumidores dos EUA mais sensíveis a reajustes, forçando as empresas a absorver os prejuízos por conta própria. As fabricantes que não possuem modelos híbridos ou outros carros com alta demanda sofrem ainda mais, sendo obrigadas a aumentar os subsídios às concessionárias para forçar reduções de preço.
O desaquecimento dos elétricos, motivado pelo relaxamento de regras ambientais principalmente na Europa e nos EUA, também pesou. Montadoras ocidentais que investiram pesado no setor sofreram perdas massivas por desvalorização de ativos após a descontinuação do desenvolvimento de novos elétricos.
A tendência é que o lucro por veículo continue caindo de forma generalizada no ano fiscal de 2026. Interrupções nas redes de transporte decorrentes de conflitos no Oriente Médio estão forçando cortes na produção, deixando fábricas e funcionários ociosos. A alta nos custos de matérias-primas deve ser outro obstáculo no período.
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