
A recente venda de fragatas da classe Mogami para a Austrália vem sendo tratada como prova de conceito de um projeto voltado a mitigar a escassez de mão de obra em um país com extensa costa.
A embarcação foi desenvolvida pela Mitsubishi Heavy Industries, que adaptou o projeto às necessidades australianas — mudanças que ajudaram a viabilizar o acordo firmado em 18 de abril. O contrato prevê o fornecimento de uma versão aprimorada de uma fragata originalmente comissionada pela Força Marítima de Autodefesa do Japão.
As fragatas surgiram no século XVII, concebidas para velocidade e missões de patrulha e escolta, além de reconhecimento. Hoje, seguem valorizadas por versatilidade, manobrabilidade e discrição. No caso da classe Mogami, a Mitsubishi incorporou tecnologias avançadas, como um centro de informações de combate com tela circular de 360 graus que integra dados de múltiplos sensores. O sistema permite que uma tripulação reduzida controle navegação, motores e operações de combate.
Canberra planeja investir 10 bilhões de dólares australianos para retirar de operação as fragatas da classe Anzac e substituí-las por até 11 novos navios de uso geral. O plano prevê a construção das três primeiras unidades no Japão, com as demais sendo produzidas no estaleiro de Henderson, próximo a Perth.
A fragata japonesa tem casco com superfície quase plana, o que reduz sua assinatura de radar e dificulta a detecção. Além de capacidades de guerra de minas, pode operar veículos não tripulados — submarinos e de superfície — e sistemas simplificados de lançamento de minas. A automação permite que o navio opere com cerca de metade da tripulação exigida por modelos anteriores.
A classe Mogami também foi projetada para operar de forma integrada com embarcações militares dos Estados Unidos em eventuais operações conjuntas.
Antes do acordo com a Austrália, a indústria de defesa japonesa enfrentava dificuldades nas exportações, em grande parte por questões de custo. Voltada historicamente ao fornecimento para as Forças de Autodefesa, tinha dificuldade para competir com fabricantes estrangeiros. Com a nova fragata, o país buscou reduzir essas barreiras.
Ainda assim, segundo a imprensa australiana, o preço das embarcações da Mitsubishi ficou mais de 20% acima de uma proposta concorrente da alemã Thyssenkrupp Marine Systems. Mesmo assim, o custo total pesou a favor do Japão: a classe Mogami requer cerca de 90 tripulantes, ante aproximadamente 120 no modelo alemão, o que pode reduzir em torno de 30% os custos de operação ao longo da vida útil.
A qualidade também foi decisiva. As fragatas japonesas oferecem maior durabilidade do casco e mais dias de operação, o que se mostrou um diferencial relevante.
A venda coincide com uma mudança significativa na política japonesa de exportação de armamentos. O governo flexibilizou uma regra que limitava a exportação de equipamentos completos a usos não combativos, como resgate e vigilância. Com isso, empresas japonesas passam a poder exportar mísseis, sistemas de armas e navios de escolta como a classe Mogami.
Novas mudanças podem vir. Proposta aprovada pelo governista Partido Liberal Democrata prevê dispensar a aprovação parlamentar prévia para exportações de armas, substituindo-a por comunicação posterior ao Parlamento.
As novas regras reduzem significativamente as barreiras para exportações, que devem se concentrar nos Estados Unidos e em outros 16 países com acordos de cooperação em defesa com o Japão.
Navios de guerra tendem a ganhar destaque nesse cenário. A Nova Zelândia demonstrou interesse em fragatas de nova geração, enquanto as Filipinas negociam a compra de embarcações usadas.
No ano passado, a Austrália já havia escolhido a classe Mogami, destacando a disposição japonesa de adaptar o projeto às suas necessidades. A interoperabilidade com os EUA foi um fator central, já que os navios australianos utilizam mísseis Tomahawk. A proposta japonesa incluiu o desenvolvimento conjunto de um sistema de lançamento compatível.
No mercado global de defesa, o Japão enfrenta concorrência relevante da Coreia do Sul, conhecida por entregas rápidas e preços competitivos. Em 2022, Seul fechou contratos com a Polônia para fornecimento de obuseiros K9 e tanques K2, superando rivais europeus em preço e prazo.
Ao buscar ampliar sua presença, o Japão aposta em suas próprias vantagens. Como arquipélago, prioriza a proteção de rotas marítimas — foco que orientou o desenvolvimento da classe Mogami —, enquanto a Coreia do Sul, mais voltada a ameaças terrestres, concentra esforços em equipamentos como tanques.
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