
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa deve fechar nos próximos dias um acordo de confidencialidade com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR). A expectativa é de que o termo seja assinado até sexta-feira e que, a partir daí, o ex-dirigente do banco estatal organize em duas semanas os anexos que pretende apresentar às autoridades.
Dentre os nomes que ele deve mencionar em sua colaboração estão o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) e a atual governadora, Celina Leão (PP). Todas as tratativas correm sob sigilo. A assinatura de um termo de confidencialidade é o primeiro passo para os investigados fecharem um acordo de colaboração com as autoridades.
Costa foi preso na quarta fase da Operação Compliance Zero, em 16 de abril. Essa fase da investigação identificou que ele teria negociado recebimento de propinas de cerca de R$ 146 milhões por meio de imóveis de luxo em troca de atuar em prol da compra de carteiras podres do Banco Master pelo BRB.
Costa presidiu o banco estatal de Brasília entre 2019 e novembro de 2025, quando foi afastado do cargo por ordem judicial na primeira fase da Compliance Zero, que investigava as suspeitas de fraudes nos negócios entre as duas instituições financeiras.
Após a prisão, ele foi levado inicialmente para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, e teve sua prisão chancelada pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) na semana seguinte. Antes mesmo de o julgamento ser concluído, Costa mudou sua equipe de defesa indicando que iria partir para a colaboração premiada. Ele trocou o advogado Cleber Lopes pelos advogados Eugênio Aragão e Davi Tangerino.
No fim de abril, os advogados chegaram a sinalizar expressamente o interesse de Costa de colaborar com as autoridades em petição enviada ao Supremo que solicitava a transferência dele para um local onde pudesse se reunir reservadamente com os advogados. O ministro André Mendonça, do STF, autorizou a transferência dele para uma cela na Papudinha, onde ele está desde 9 de maio.
Na prisão ele tem recebido diariamente sua equipe de defesa. A Papudinha é o nome dado à ala da Papuda onde estão as celas destinadas a receber pessoas que tem direito à cela especial. Lá as celas são espaços maiores, com quarto, cozinha e até área externa, onde os detentos ficam isolados e com espaço para receber sozinhos visitas e advogados. O ex-presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, cumpriu pena lá, antes de ser enviado para a prisão domiciliar.
Apesar do interesse em colaborar, Costa não deve ter uma negociação fácil pela frente. Os investigadores já contam com muitas informações nos materiais apreendidos até agora na Compliance Zero e a avaliação é de que uma colaboração a esta altura precisaria entregar provas robustas de fatos novos que permitissem o avanço das investigações.
Somente com base no primeiro celular apreendido com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a PF conseguiu deflagrar quatro operações policiais, incluindo uma contra o senador do PP e ex-ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PI). Além disso, somente com os materiais já encontrados, os investigadores conseguiram prender Vorcaro e três parentes dele: um cunhado, um primo e o pai do ex-banqueiro, todos acusados de participarem do esquema de fraudes do ex-banqueiro.
O advogado de Ibaneis, Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, afirmou que seu cliente estaria “muito tranquilo” em relação à eventual delação de Costa, pois teria indicado o ex-presidente para o cargo por razões técnicas. “Ele não indicou nenhum diretor do BRB, nenhum conselheiro do BRB, deu autonomia absoluta ao Paulo Henrique. Ibaneis não participou de tratativa junto a quem quer que seja para cuidar das questões que o Paulo Henrique determinava”, afirmou a defesa.
Em nota, o governo do Distrito Federal afirmou que a governadora Celina Leão tem “preocupação zero” com a delação de Costa. “A governadora Celina Leão tem preocupação zero com a delação do Paulo Henrique. Ela não tinha boa relação com ele no governo e sempre deixou claro que ele seria demitido quando assumisse como governadora.
Procurada, a defesa de Costa não quis se manifestar.
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