
A ex-presidente Dilma Rousseff, atual chefe do Novo Banco de Desenvolvimento, o Banco dos Brics, anunciou que a instituição encontrou um caminho para retomar operações financeiras com a Rússia. O anúncio ocorreu após reunião com Vladimir Putin no dia 11 de setembro. A iniciativa busca corrigir o que Dilma chamou de injustiça contra o país, que teve projetos suspensos devido à guerra na Ucrânia.
Como o banco pretende voltar a emprestar dinheiro para a Rússia sem sofrer punições?
A estratégia principal envolve o uso de moedas locais, como o yuan chinês ou o rublo russo, em vez do dólar americano. Quando o Banco dos Brics faz uma operação em moeda nacional, o dinheiro circula por canais que não dependem do sistema financeiro dos Estados Unidos. Isso é crucial porque boa parte do poder das sanções ocidentais vem da capacidade de Washington em bloquear transações feitas em dólares ou que passam por bancos americanos. Ao evitar essas rotas tradicionais, a instituição tenta minimizar os riscos de ser alvo de represálias e garante que os recursos cheguem aos projetos russos com mais segurança jurídica e integridade financeira.
Qual é o papel de Dilma Rousseff nessa mudança de rumo da instituição?
Desde que assumiu o comando do banco em 2023, Dilma intensificou a busca por independência dos centros financeiros tradicionais da Europa e dos EUA. Sob sua gestão, quase 46% dos financiamentos aprovados em 2025 já foram realizados em moedas dos países membros, um recorde para a entidade. A ex-presidente defende abertamente a diversificação de fontes de recursos para reduzir a vulnerabilidade do bloco. Além disso, ela contou com o apoio decisivo de Vladimir Putin para permanecer no cargo por mais cinco anos, após a Rússia abrir mão de indicar um nome próprio pelo sistema de rodízio, priorizando a continuidade do trabalho da brasileira na presidência.
Existe o risco de o Banco dos Brics sofrer sanções do Ocidente?
Sim, a situação é delicada porque o banco ainda depende dos mercados internacionais para captar parte do dinheiro que empresta. A instituição emite títulos de dívida em bolsas como as de Londres e Dubai para atrair investidores globais. Caso o governo dos Estados Unidos interprete que esses novos financiamentos para a Rússia servem para burlar restrições impostas a Moscou, o Tesouro americano pode aplicar punições que dificultariam o acesso do banco ao capital estrangeiro. No passado, o risco de vínculos com a Rússia já levou agências de classificação de risco, como a Fitch, a rebaixar a nota de crédito do banco, o que torna os empréstimos mais caros para todos.
Quais são os planos para a inclusão do Irã no grupo?
Além de aproximar a Rússia, Dilma Rousseff também lidera negociações técnicas para que o Irã se torne membro e tenha acesso às linhas de crédito do banco. Em reuniões recentes com autoridades iranianas, a brasileira destacou a importância do país para ampliar a cooperação regional da instituição. Assim como a Rússia, o Irã vive sob pesadas sanções econômicas e vê no Banco dos Brics uma alternativa vital para realizar transações internacionais fora da esfera de influência do dólar. A adesão iraniana seguiria a mesma lógica de integração de sistemas de pagamentos e uso de moedas nacionais defendida pelo bloco para fortalecer economias emergentes.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
- Como Dilma está ajudando a Rússia a contornar sanções do Ocidente
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