
A Hypera, dona de marcas como Buscopan, Neosaldina e Torsilax, disse nesta sexta-feira (7) que tem concentrado seus esforços na redução do seu endividamento líquido. Segundo Breno de Oliveira, presidente da farmacêutica, a companhia pretende atingir nível saudável de alavancagem antes de direcionar capital para outras alternativas, como fusões e aquisições (M&A) ou programas de recompra de ações.
“Acho que o nosso foco ultimamente, nos últimos anos, tem sido a redução do endividamento. O aumento de capital [de R$ 1,5 bilhão feito no primeiro trimestre] veio para acelerar um pouco esse processo”, disse Oliveira.
“Terminamos o segundo trimestre ligeiramente acima de duas vezes o Ebitda [resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização]”, completou.
Em teleconferência com analistas para comentar os resultados do segundo trimestre, o executivo disse que a alavancagem deve se manter estável até o fim do ano, mas que existe uma meta para a estrutura de capital antes de abrir o leque para novas alocações. “Nosso objetivo é chegar a pelo menos 1,5 vez o Ebitda, antes de pensar em outras alternativas de alocação de capital.”
Ele afirmou que apesar de a taxa de juros ter diminuído no país, ela ainda continua em patamar elevado, o que reforça a necessidade de focar na desalavancagem como escolha mais “prudente” no momento. “M&A [sigla para fusões e aquisições] é uma das alternativas, e vamos avaliar todas as opções de investimento, aceleração do investimento no próprio negócio, recompra de ações, aumento da distribuição de JCP [juros sobre capital próprio]. Mas hoje, ainda, o foco é continuar na redução do endividamento.”
A Semavy, caneta com semaglutida que será vendida no Brasil pela farmacêutica brasileira Hypera a partir de parceria com a indiana Sun Pharma, foi o principal tópico do comando da empresa com analistas nesta sexta-feira (7), quando foi discutido o balanço financeiro do segundo trimestre.
Oliveira disse que a obtenção da aprovação da Anvisa, a agência reguladora brasileira, no mês passado, junto com outras três concorrentes, foi um dos destaques da companhia no segundo trimestre.
Mas para ele nem todos os novos produtos que receberam a aprovação terão sucesso comercial. “Quem vai ser bem-sucedido nesse mercado é que tenha um bom custo de produção, para que seja rentável mesmo nesses patamares de preços mais baixos que o mercado já atingiu. E que tenha alguma diferenciação em termos de produto e de marca”, disse.
Ele disse considerar a Hypera como melhor posicionada entre os entrantes por conta da parceria com a Sun Pharma. “Ela é a maior indústria farmacêutica da Índia, já está comercializando o produto na Índia e tem escala de produção global. Acreditamos que essa escala global vai ser muito importante. E a Sun nos escolheu, apesar de ter o registro aprovado [no país], como parceiro para atuar aqui no mercado brasileiro, por conta da nossa força junto à visitação médica e também a distribuição”, afirmou.
Na teleconferência, ele disse que com a chegada de novos concorrentes parte do mercado não auditado, como das canetas importadas ilegalmente do Paraguai ou de farmácias de manipulação, tende a migrar para a formalidade.
“Acho que o primeiro fator que empurra para esse segmento é a questão do preço, já que até recentemente o preço era um fator que levava os consumidores a buscarem alternativas mais baratas”, afirmou.
Segundo ele, o preço alto praticado anteriormente fomentava a busca por produtos mais baratos, o que deve mudar com o barateamento dos produtos, reflexo da chegada de novos concorrentes no mercado até então dominado pela dinamarquesa Novo Nordisk. “Acho que com a chegada de novas marcas esse preço caiu até um pouco mais rapidamente do que a gente imaginava, mas chegou não muito diferente do patamar que a gente esperava para o médio e longo prazos.”
Segundo ele, a cesta de produtos da farmacêutica complementares ao uso do Semavy, que incluem medicamentos para náuseas e para constipação, além de suplementos e vitaminas somam cerca de R$ 1 bilhão de receita anuais, e devem ser beneficiados com a caneta.
O medicamento teve o preço máximo aprovado ontem na Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), mas este será divulgado apenas em data mais próxima ao lançamento do produto nas farmácias, o que está previsto para setembro.
Anteriormente, a Hypera disse ao Valor que o produto deveria ter preço na mesma faixa do Ozivy, caneta do laboratório EMS que foi a primeira alternativa sintética da semaglutida aprovada no país. Ela é vendida hoje por entre R$ 452 e R$ 497 para doses de 0,25 mg a 1 mg.
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