
Os novos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre educação mostram a trajetória da última década. Avanços e atrasos na educação coexistem nas mesmas estatísticas. Analfabetismo em queda, mas ainda presente e aumento do ensino superior, embora a parcela daqueles sem ensino fundamental completo siga superior a este grupo são algumas das contradições da realidade brasileira.
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua: Educação 2025 começou em 2016 e, com os dados referentes a 2025, permite observar a evolução dos últimos dez anos. Por causa da pandemia, no entanto, não há informações para os anos de 2020 e 2021.
A pesquisa reúne dezenas de indicadores e o Valor selecionou alguns destaques que ajudam a entender a situação atual da educação no Brasil.
A taxa de analfabetismo no Brasil ficou pela primeira vez abaixo dos 5% em 2025. O percentual de pessoas de 15 anos ou mais que não sabem ler e escrever um bilhete simples caiu de 6,7% de 2016 para 5,3% em 2024 e 4,9% em 2025.
O Brasil ainda tinha, no entanto, 8,4 milhões de pessoas no ano passado nesta situação. Com isso, descumpre a meta do antigo Plano Nacional de Educação (PME), que previa a erradicação do analfabetismo no país até 2024.
O problema segue associado fortemente às pessoas mais velhas e ao Nordeste, como reflexo do acesso mais restrito à educação no passado e também nas regiões mais pobres.
Na população de 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo era de 13,8% em 2025 – redução expressiva ante os 20,5% de 2016, mas quase o triplo dos 4,9% das pessoas de 15 anos ou mais.
As desigualdades históricas do país do ponto de vista regional aparecem de forma clara nos dados de educação, como na taxa de analfabetismo. Nordeste (10,6%) e Norte (5,7%) têm taxas de analfabetismo acima da média brasileira, enquanto Sudeste (2,3%), Sul (2,4%) e Centro-Oeste (3,3%) têm taxas inferiores.
As informações por Estados também mostram as disparidades. Estados do Nordeste e do Norte, em geral, apresentam taxas maiores que as demais. O percentual é de dois dígitos em sete estados – todos localizados no Nordeste – enquanto é de apenas 1,5% em Santa Catarina.
Graduação x ensino fundamental incompleto
A PNAD Educação 2025 mostrou a continuidade do avanço do grau de instrução da população brasileira. A parcela daqueles com 25 anos ou mais que cursou uma graduação cresceu de 15,4% em 2016 para 21,4% em 2025.
Ao mesmo tempo, a participação do grupo sem ensino fundamental completo recuou, mas ainda é de 25,6%, superior ao conjunto daqueles com ensino superior completo.
A parcela da população de 25 anos ou mais que tem o ensino básico obrigatório – que inclui o ensino médio completo – subiu de 46% em 2016 para 57,4% em 2025. Foi só em 2022 que passou da metade da população (52,9%).
Diferentes indicadores sociais mostram condições desiguais para pessoas pretas e pardas em relação às brancas e isso se repete na educação. Enquanto mais da metade da população branca já tinha o ensino médio completo em 2016 (54,5%), esse marco só foi alcançado em 2025 para a população preta ou parda (51,3%).
Outro exemplo dessa diferença está na taxa ajustada de frequência escolar líquida – proporção de alunos na idade correta para a série que estão cursando, que era de 39,6% para jovens brancos de 18 a 24 anos em 2025 e de 22% para jovens pretos ou pardos na mesma faixa etária.
Razões para não frequentar creche
A falta de vagas é a razão apontada para explicar a razão de um terço (33,4%) das crianças de 2 e 3 anos que não frequentam creches ou escolas, segundo os dados para 2025. O principal motivo, no entanto, é a opção do pais ou responsáveis (57,1%).
Pela legislação brasileira, as crianças são obrigadas a frequentar escola apenas a partir dos quatro anos de idade. Diferentes estudos acadêmicos, no entanto, mostram que o aprendizado na primeira infância tem forte influência no desenvolvimento das crianças.
A população com especialização, mestrado ou doutorado mais que dobrou em dez anos. O número de pessoas com esse nível de instrução subiu de 3,572 milhões em 2016 para 8,88 milhões em 2025. A parcela desse grupo na população de 15 anos ou mais avançou de 2,8% para 6,2%, em igual base de comparação.
Os dados mostram também crescimento nos grupos de quem completou o ensino médio (38,3% em 2016 para 43,3% em 2025) e o ensino superior completo (14,1% para 16,9%). Por outro lado, caiu de 44,8% para 33,5%, em igual base de comparação, o grupo que só completou o ensino fundamental.
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