
Ratos e outros parasitas estão se espalhando pelos campos de refugiados palestinos em Gaza. À noite, enquanto as crianças dormem, ratos mordem seus dedos das mãos e dos pés, e roem os poucos objetos pessoais dos sobreviventes, espalhando doenças.
A infestação ocorre ao mesmo tempo em que mais de 2 milhões de pessoas estão deslocadas em Gaza, muitas delas vivendo em casas semidestruídas ou em tendas improvisadas no chão, perto de estradas ou nas ruínas de edifícios destruídos.
Poucos dias antes de seu casamento, Amani Abu Selmi, que vive com sua família em Khan Younis, no sul de Gaza, descobriu que ratos haviam roído seu enxoval na tenda rasgada onde estão abrigados. Ela e a mãe mostraram à Reuters os buracos causados pelos roedores no vestido de casamento, uma peça bordada de cor bordô, tradicional nos casamentos palestinos.
“Acabaram com minha felicidade, ela virou tristeza, virou coração partido — porque todas as minhas coisas acabaram, meu enxoval se foi”, disse Abu Selmi, de 20 anos.
Um rato mordeu a mão e o dedão do filho de 3 anos de Khalil Al-Mashharawi há várias semanas, disse ele. O próprio Khalil foi mordido na sexta-feira da semana passada (25).
Khalil disse que ele e a esposa, agora, dormem em turnos para proteger os filhos — e um ao outro — de uma infestação da qual não conseguem se defender ou controlar, já que as armadilhas praticamente não funcionam nas casas em ruínas e nos acampamentos de tendas de Gaza.
“Eles atacam quando estamos dormindo”, disse Khalil, de 26 anos, que vive com a família nas ruínas de sua casa no bairro de Tuffah, no norte de Gaza. “Pode ser que sumam por um ou dois dias antes de atacar novamente, abrindo caminho por baixo dos azulejos do piso da casa.”
Mohamed Abu Selmia, chefe do Al-Shifa, o maior hospital de Gaza, acredita que o problema deve piorar com a chegada do verão no hemisfério norte e em meio à proibição israelense de entrada de materiais para controle da infestação, como veneno de rato. Israel costuma restringir a entrada em Gaza de itens que afirma terem uso duplo, tanto civil como militar.
Como parte do que diz ser um esforço “com todos os envolvidos e parceiros internacionais” para resolver o problema de saneamento, a COGAT, agência israelense que controla o acesso a Gaza, anunciou nas últimas semanas que facilitou a entrada de 90 toneladas de veneno contra infestações e mais de mil armadilhas para ratos.
“Todos os dias, hospitais relatam casos de pacientes que dão entrada por causa de incidentes com roedores, especialmente crianças pequenas, idosos e pessoas doentes”, disse Abu Selmia. Há grande temor de doenças perigosas como febre da mordida de rato, leptospirose e até mesmo peste negra, afirmou.
O cessar-fogo acertado entre Israel e Hamas em outubro fez pouco para aliviar o sofrimento dos palestinos em Gaza, onde a maioria das redes de água e esgoto foi destruída, ao passo que a ajuda humanitária enfrenta restrições israelenses.
Israel cita questões de segurança para justificar as restrições em Gaza, onde continua realizando ataques fatais, que afirma serem motivados pela ameaça representada pelo Hamas. Israel já matou 800 palestinos desde outubro, enquanto quatro soldados israelenses morreram no mesmo período.
Como a coleta de lixo está praticamente paralisada, água contaminada e lixo se acumulam perto dos aglomerados de tendas onde famílias dormem, cozinham e tomam banho. Isso criou um ambiente favorável para a proliferação de roedores e outros parasitas, segundo agências humanitárias.
Reinhilde Van de Weerdt, representante local da Organização Mundial da Saúde (OMS), disse que já foram registrados 17 mil casos de infecções relacionadas a roedores e outros ectoparasitas em Gaza até agora neste ano. “É apenas a consequência infeliz, porém previsível, de pessoas vivendo em ambientes em colapso”, disse ela. (Tradução de Patrick Brock.)
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