
O governador do Rio Grande do Sul e pré-candidato à presidência da República pelo PSD, Eduardo Leite (RS) partiu para o ataque ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de que “não teve entregas” no período em que ocupou o Palácio do Planalto entre 2019 e 2022 e que deixou um legado de ter trazido Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de volta. O gaúcho disputa a preferência do partido para a disputa de outubro com os governadores Ratinho Jr. (PR) e Ronaldo Caiado (GO).
Os ataques foram feitos durante um encontro do PSD com dirigentes da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) na tarde de segunda (9), em que também ficou decidido que o partido adiantará a escolha de seu candidato no final deste mês.
“O grande legado do Bolsonaro foi trazer o Lula de volta. Não adianta querer simplesmente tirar o PT para colocar um mau gestor. Ficou claro com Bolsonaro, foi um governo que não teve entregas”, afirmou.
Os recados da pesquisa Datafolha para Flávio Bolsonaro e Lula
O tom adotado por Leite destoou de Ratinho e Caiado, que evitaram críticas ao ex-presidente e focaram a artilharia contra o atual presidente da República. O gaúcho diz que não apoiou nenhum dos dois principais candidatos nas eleições de 2022, altamente polarizada.
“Talvez o [legado] de Lula, se insistir na agenda de dividir, seja trazer o outro lado do grupo político de volta”, completou se referindo ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), escolhido pelo ex-presidente como candidato do PL à disputa presidencial.
Leite ainda defendeu que as pesquisas eleitorais sejam analisadas além do simples número de intenções de voto. Para ele, os levantamentos mostram principalmente o sentimento de rejeição do eleitor brasileiro diante dos nomes mais conhecidos da política nacional.
“A intenção de votos reproduz aquilo que o eleitor conhece. E conhece o nome de uma família que tem uma marca, conhece o atual presidente, que vai para sua sétima eleição. É natural que eles tenham hoje liderança. Os eleitores não conhecem o cardápio público que vai ser colocado a eles no processo eleitoral”, pontuou.
Campanha à esquerda e à direita
Durante o debate na ACSP, Eduardo Leite também afirmou que pretende dialogar simultaneamente com alas da esquerda e da direita que não se identificam com Lula e nem com Bolsonaro. De acordo com ele, existe espaço para uma convergência entre uma esquerda não alinhada ao PT e uma direita que não esteja ligada ao ex-presidente.
Na avaliação de Leite, o debate político atual mudou em relação ao passado, quando a divisão entre direita e esquerda girava principalmente em torno do papel do Estado na economia. Hoje, segundo ele, muitos eleitores se posicionam mais por pautas específicas e causas sociais.
O governador gaúcho também apresentou algumas propostas que pretende defender caso seja escolhido como candidato do PSD, como a idade mínima de 60 anos para a indicação de ministros do Supremo Tribunal Federal.
Leite ainda destacou que programas sociais precisam estar acompanhados de crescimento econômico para se manterem ao longo do tempo, e que ampliar gastos públicos sem expansão da economia tende a gerar endividamento e juros mais altos.
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