
O presidente americano, Donald Trump, está reunindo seus principais aliados da América Latina no momento em que um novo conflito militar dos Estados Unidos coloca até mesmo seus melhores amigos na região sob uma pressão inédita.
Já sobrecarregadas pelos esforços de Washington para conter a influência chinesa e reafirmar o domínio sobre as Américas, nações importadoras de energia como o Chile e países menores como a República Dominicana estão agora vulneráveis a aumentos repentinos nos preços do petróleo por causa da guerra no Irã. Moedas que tiveram um início promissor em 2026 se desvalorizaram fortemente, conforme operadores cautelosos com a crise buscam refúgio no dólar.
Essa combinação corre o risco de alimentar a inflação, irritar consumidores sensíveis a preços e agravar desafios fiscais, tudo isso enquanto a Casa Branca pressiona um país após o outro para rejeitar Pequim, principal compradora das commodities da região. Qualquer impacto econômico resultante provavelmente deixará os líderes regionais com ainda menos recursos para enfrentar desafios de segurança — o foco da cúpula “Escudo das Américas” de Trump na Flórida, neste fim de semana.
Entre os participantes, está José Antonio Kast, do Chile, que ao lado do presidente da Argentina, Javier Milei, deve liderar um grupo de convidados que também deverá incluir Nayib Bukele, de El Salvador, Daniel Noboa, do Equador, Rodrigo Paz, da Bolívia, e Santiago Peña, do Paraguai. Não está claro se a nova enviada de Trump ao bloco, a ex-secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, se juntará ao encontro. Trump substituiu Noem no cargo de secretária na quinta-feira, nomeando o senador Markwayne Mullin como seu sucessor.
O ultraconservador Kast sequer assume o cargo antes da próxima quarta-feira, e já recebeu uma dupla dose de realidade sobre as dificuldades de governar na era Trump.
Apesar dos preços elevados das exportações de cobre pelo país, o peso chileno tem sido particularmente afetado pela mudança no sentimento do mercado, registrando a segunda maior queda do mundo desde que os EUA e Israel iniciaram o ataque ao Irã. Uma taxa de câmbio mais fraca tende a alimentar a inflação ao tornar as importações mais caras, enquanto um conflito militar prolongado provavelmente prejudicará o crescimento global quando o Chile já havia começado o ano de forma lenta.
Kast também viaja ao norte em meio a um confronto com o presidente que deixa o cargo, Gabriel Boric, sobre um cabo de fibra óptica chinês que o governo Trump classificou como uma ameaça à segurança regional, transformando Santiago na mais recente capital a questionar se os dias de relações amistosas com Pequim e com Washington acabaram de vez.
“A possibilidade desse chamado não-alinhamento ativo não é realmente viável”, disse Francisco Urdinez, diretor do ICLAC, um centro de pesquisa com sede no Chile que estuda as relações sino-latino-americanas. O Chile, acrescentou, “aprendeu da maneira mais difícil”.“Esses líderes têm muito a perder se ficarem do lado errado dos EUA”, disse Risa Grais-Targow, diretora para a América Latina do Eurasia Group. Ao mesmo tempo, “Trump quer reafirmar a influência dos EUA na região. Qualquer coisa que reforce essa narrativa lhe agrada”.
O Panamá revogou um contrato chinês para operar portos estratégicos no canal, que tem sido objeto de interesse do líder dos EUA. El Salvador concordou em receber deportados dos EUA. Trinidad e Tobago tem fornecido apoio logístico e político a ataques militares americanos contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas. Nesta semana, o Equador expulsou diplomatas cubanos e conduziu operações antidrogas em conjunto com forças americanas.
Em Honduras, novo presidente Nasry Asfura, que também planeja comparecer ao encontro, venceu as eleições no final do ano passado com o apoio direto do presidente dos EUA. Há também Milei, o argentino libertário que figura como o apoiador mais entusiasmado de Trump. Ele se beneficiou do apoio financeiro dos EUA, que ajudou a impulsionar seu partido a uma vitória esmagadora nas cruciais eleições legislativas no ano passado.
Mas, mesmo antes do início de outra guerra, esses líderes já começavam a enfrentar as dificuldades de administrar as demandas dos EUA, especialmente quando forçados a considerar simultaneamente as realidades econômicas de suas nações.
Milei tomou medidas para limitar a influência econômica chinesa na Argentina, em uma tentativa de apaziguar Trump. Mas ele também suavizou a retórica dura que usava como candidato, quando se referiu ao governo da China como um “assassino”. Recentemente, ele elogiou Pequim como “um grande parceiro comercial”.
O abrandamento retórico reflete a importância do gigante asiático para muitas das economias da região. O comércio de bens entre a China e a América Latina aumentou mais de 40 vezes de 2000 a 2024, e sua influência econômica geral ultrapassou a dos EUA em 14 dos 33 países da região desde a virada do século, de acordo com a Bloomberg Economics.
Embora a maioria dos países do hemisfério naturalmente se alinhe política e economicamente com seu vizinho do norte, “é preciso deixar claro para os EUA que sua dependência econômica da China não é negociável, porque não cabe a vocês reduzi-la ou não no curto prazo”, disse Urdinez. “É uma questão estrutural que não pode ser alterada, goste Trump disso ou não.”
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