
O americano Trevor Warmedahl, conhecido como Milk Trekker, viaja por mais de 20 países para documentar e preservar métodos ancestrais de fabricação de queijos que estão desaparecendo. Antigo produtor comercial em Seattle, ele abandonou a indústria para reconectar o alimento ao território e aos animais, registrando tradições em lugares como Mongólia, Geórgia e Itália até outubro de 2026.
Como surgiu o projeto Milk Trekker e qual é o seu objetivo principal?
O projeto nasceu de um incômodo pessoal de Trevor Warmedahl enquanto trabalhava em uma queijaria comercial nos Estados Unidos. Ele percebeu que processava leite de animais que nunca tinha visto, o que gerava um distanciamento entre o produtor e a origem do alimento. O objetivo central é documentar e resgatar modos de vida pastoris e técnicas de fabricação que a industrialização ameaça extinguir. Trevor encara o queijo não apenas como um produto, mas como um registro comestível que carrega a história de um povo, as características de uma paisagem e o saber transmitido por gerações.
Quais foram as experiências mais marcantes de Trevor em suas viagens pela Ásia?
Na Mongólia, Trevor viveu em uma iurta e aprendeu o valor simbólico do leite para aquela cultura, onde mulheres fazem oferendas lançando o líquido ao ar. Ele acompanhou pastores nas estepes, ordenhou iaques e preparou o aaruul, uma coalhada seca tradicional. Já na Geórgia, ele testemunhou a produção do Tushuri guda, um queijo maturado dentro de peles de ovelha viradas do avesso. Para documentar essa integração entre animais e comunidade, ele chegou a caminhar 130 quilômetros pelas montanhas acompanhando um rebanho de 300 ovelhas junto com os produtores locais.
O que Trevor Warmedahl descobriu sobre a influência do ambiente no sabor do queijo?
Durante suas andanças pela Itália, Trevor aprofundou o conceito de terroir, que é como o ambiente (solo, clima e microrganismos) define a identidade de um produto. Ao visitar produtores que não usam fermentos industriais, ele percebeu que as bactérias responsáveis pela fermentação vinham dos próprios animais e do pasto. Ao caminhar com o rebanho, ele sentiu aromas de terra úmida e lã que, meses depois, encontrou replicados no queijo pronto. Isso confirmou que a diversidade biológica do local é um ingrediente invisível que torna cada queijo único e regionalizado.
Por que o pesquisador considera urgente documentar os chamados queijos fósseis?
Trevor utiliza o termo ‘queijos fósseis’ para descrever produtos que sobreviveram à modernização, mas que continuam sendo feitos em escala minúscula e correm risco real de sumir. Ele acredita que a padronização industrial cria alimentos anônimos e idênticos, perdendo a riqueza das técnicas manuais, como o uso de peles de cabra para maturação na Turquia. Sua busca é uma forma de ativismo cultural: ele quer incentivar que os ingredientes básicos da queijaria sejam regionalizados, garantindo que as histórias escondidas em cada roda de queijo sobrevivam antes que as tradições se apaguem.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
- Homem percorre o mundo a pé em busca de queijos raros e tradições esquecidas
📢 Belford Roxo 24h – Aqui a informação nunca para
📞 WhatsApp da Redação: (21) 97915-5787
🔗 Canal no WhatsApp: Entrar no canal
🌐 Mais notícias: belfordroxo24h.com





