
Um novo golpe digital acendeu o alerta para consumidores e empresários brasileiros. Ao menos 90 lojas virtuais de pequeno e médio porte foram identificadas com um código malicioso capaz de alterar pagamentos via Pix, segundo informações divulgadas a partir de uma investigação da Kaspersky.
O detalhe que torna o ataque ainda mais perigoso é que o consumidor pode estar no site verdadeiro da loja. O problema acontece no checkout: o código malicioso pode substituir o QR Code legítimo e modificar o Pix Copia e Cola, direcionando o dinheiro para outra conta.
Ou seja: o site pode ser verdadeiro, o produto pode existir e o Pix ainda assim estar adulterado.
Entenda o caso rapidamente
90 lojas virtuais de pequeno e médio porte foram identificadas na investigação.
Pix: o QR Code e o código Copia e Cola podem ser alterados.
Cartão: a ameaça também apresenta capacidade de capturar informações de cartões inseridas no checkout.
Desde 2025: as análises indicam atividade maliciosa desde junho de 2025.
Principal cuidado: antes de confirmar o Pix, confira no aplicativo do banco quem realmente receberá o dinheiro.
Como o golpe funciona
O ataque é diferente de muitas fraudes conhecidas na internet.
Normalmente, criminosos criam uma página falsa parecida com a de uma empresa verdadeira e tentam convencer a vítima a fazer uma compra.
Neste caso, o próprio ambiente de uma loja legítima pode ter sido comprometido.
O consumidor escolhe o produto, coloca no carrinho e chega normalmente à página de pagamento. Quando seleciona o Pix, deveria receber os dados legítimos da cobrança.
É justamente nessa etapa que o código malicioso pode agir.
O QR Code verdadeiro é substituído, direcionando o pagamento para outra conta.
E o problema não fica restrito ao QR Code. O Pix Copia e Cola também pode ser modificado, colocando em risco inclusive quem faz a compra e o pagamento no mesmo celular.
90 lojas de pequeno e médio porte foram identificadas
Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, foram encontrados 90 e-commerces brasileiros de pequeno e médio porte comprometidos.
Entre os segmentos identificados aparecem lojas de moda, óticas, autopeças e plataformas de financiamento coletivo.
Os estabelecimentos analisados tinham em comum o uso da plataforma de comércio eletrônico Magento.
Isso não significa que todos os sites que utilizam Magento estejam infectados. A descoberta diz respeito aos ambientes efetivamente identificados como comprometidos na investigação.
Também não foi divulgada publicamente uma lista completa com os nomes das 90 lojas.
Por isso, não é correto apontar determinada empresa como vítima apenas porque utiliza essa plataforma.
Ataque estaria em atividade desde 2025
Embora o caso tenha ganhado repercussão recentemente, informações divulgadas sobre a análise indicam que a atividade maliciosa estaria ocorrendo desde junho de 2025.
O código foi inicialmente identificado pelo pesquisador independente conhecido como eremit4 e posteriormente analisado pela Kaspersky.
A investigação também encontrou infraestrutura digital associada à operação, indicando uma ação preparada para funcionar em diferentes sites comprometidos.
Cliente paga, mas a loja pode não receber
Essa característica cria uma situação especialmente complicada.
Imagine uma compra de R$ 500.
O cliente entra no site verdadeiro, escolhe o produto e faz o Pix apresentado no checkout.
No aplicativo do banco, a transferência é concluída.
Para o consumidor, a compra está paga.
Mas, se os dados do Pix tiverem sido adulterados, o dinheiro não chega à conta esperada pela loja.
O pedido pode continuar aparecendo para o comerciante como pendente ou não pago.
De um lado, o consumidor tem um comprovante de transferência.
Do outro, a empresa não recebeu aquele pagamento.
Enquanto cliente e loja tentam descobrir o que aconteceu, os criminosos podem movimentar o dinheiro.
Cartões também podem estar em risco
A ameaça identificada não estaria limitada ao Pix.
As análises divulgadas apontam que o código malicioso também possui capacidade de capturar informações de cartões de crédito digitadas durante a compra.
Por isso, consumidores também devem manter atenção ao utilizar cartões em lojas virtuais.
Uma proteção adicional é utilizar cartão virtual, principalmente quando a instituição financeira disponibiliza números temporários para compras on-line.
Como conferir o Pix antes de pagar
Aqui está uma das medidas mais importantes para o consumidor.
Depois de escanear o QR Code ou inserir o Pix Copia e Cola, não confirme imediatamente.
Leia as informações apresentadas pelo próprio aplicativo do banco.
Confira principalmente:
- nome ou razão social do recebedor;
- CPF ou CNPJ, quando exibido;
- valor da operação;
- se o beneficiário possui relação coerente com a loja ou com o intermediador responsável pelo pagamento.
O nome exibido pode não ser exatamente igual ao nome fantasia da loja, principalmente quando existe uma empresa intermediadora de pagamentos.
Porém, se aparecer uma pessoa ou empresa que você não reconhece, interrompa o pagamento e confirme diretamente com o estabelecimento.
Já fez o Pix? Avise o banco rapidamente
Quem perceber que realizou uma transferência para um destinatário fraudulento deve entrar em contato imediatamente com sua instituição financeira e comunicar a fraude.
O Pix possui o Mecanismo Especial de Devolução (MED), que pode ser utilizado em determinadas situações envolvendo fraude.
A devolução, porém, não é automática nem garantida. O caso precisa ser analisado e a recuperação também depende da existência de recursos que possam ser bloqueados.
Por isso, agir rapidamente é importante.
Guarde ainda o comprovante do Pix, número do pedido, prints da compra, endereço da página utilizada e eventuais conversas mantidas com a empresa.
Pequenos e médios empresários também precisam ficar atentos
O alerta não é apenas para quem compra.
Empresas que trabalham com comércio eletrônico precisam acompanhar de perto a segurança do checkout.
Plataformas, extensões e componentes devem permanecer atualizados. Acessos administrativos precisam ser protegidos e mudanças inesperadas em arquivos ou páginas relacionadas ao pagamento merecem investigação.
Há ainda um sinal que pode aparecer primeiro no atendimento ao cliente:
compradores apresentando comprovantes de Pix enquanto os pedidos continuam registrados como não pagos.
Se vários casos semelhantes começarem a surgir, o estabelecimento deve investigar imediatamente o sistema de pagamento e a integridade do site.
O alerta que fica para quem compra pela internet
O caso muda uma recomendação tradicional de segurança digital.
Verificar se o endereço do site está correto continua sendo importante, mas isso sozinho não garante que os dados apresentados no checkout não tenham sido comprometidos.
A última conferência deve acontecer no aplicativo do banco.
Antes de apertar o botão de confirmação, veja quem realmente vai receber o dinheiro.
Site verdadeiro não significa automaticamente Pix verdadeiro.
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