
Mais de 16 horas após a confirmação da reeleição pelo TSE, Estados Unidos, Argentina e El Salvador permanecem sem manifestação oficial, enquanto ao menos 48 líderes mundiais já parabenizaram o presidente brasileiro.
Mais de 16 horas após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda não havia reconhecido publicamente o resultado da eleição presidencial brasileira até o início da tarde desta segunda-feira (26 de outubro de 2026).
A vitória de Lula foi confirmada matematicamente às 21h08 de domingo (25), quando 97,69% das seções eleitorais estavam apuradas. Na totalização final, o presidente recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) obteve 59.826.041 votos, ou 48,21%.
O silêncio do governo americano contrasta com a reação de outros países. Segundo levantamento do UOL, atualizado às 11h11 desta segunda-feira, ao menos 48 líderes mundiais já haviam parabenizado Lula pela reeleição.
A diferença também chama atenção quando comparada ao pleito de 2022. Naquela ocasião, o então presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, reconheceu a vitória de Lula pouco mais de 30 minutos após a confirmação do resultado pela Justiça Eleitoral.
Governo Trump adia comunicado sobre resultado da eleição
Segundo reportagem da jornalista Patrícia Campos Mello, publicada pela Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (26), o governo de Donald Trump determinou o adiamento de um comunicado que havia sido preparado pelo Departamento de Estado americano sobre o resultado da eleição brasileira.
O documento estava pronto para parabenizar a população brasileira pelo processo eleitoral, mas sua divulgação foi suspensa após Flávio Bolsonaro declarar que não reconhecia a derrota e anunciar que pediria a anulação da eleição.
O candidato do PL questionou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou o horário de votação até as 19h no domingo.
Ainda segundo a Folha, a orientação no governo americano foi avaliar a situação antes da publicação do comunicado.
Procurada pela reportagem, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil não informou quando o documento seria divulgado.
Até o início da tarde desta segunda-feira, Trump não havia feito pronunciamento público sobre a reeleição de Lula. Parlamentares americanos, entre eles o senador Bernie Sanders, já haviam parabenizado o brasileiro, mas essas manifestações não representam um posicionamento oficial da Casa Branca.
Argentina e El Salvador também não se manifestaram
Além dos Estados Unidos, outros dois governos permaneciam sem manifestações públicas sobre a reeleição brasileira.
Na Argentina, o presidente Javier Milei ainda não havia divulgado uma mensagem oficial reconhecendo a vitória de Lula. Milei apoiou Flávio Bolsonaro durante a campanha e mantém divergências políticas com o presidente brasileiro.
Em El Salvador, o presidente Nayib Bukele também não havia divulgado um pronunciamento sobre o resultado até o início da tarde desta segunda-feira, conforme levantamento da Folha de S.Paulo.
A ausência de posicionamento desses governos, entretanto, não significa que tenham declarado oficialmente a rejeição do resultado das urnas.
Quais países já reconheceram a vitória de Lula?
Enquanto Trump, Milei e Bukele permaneciam em silêncio, presidentes e representantes de governos de diferentes orientações políticas se manifestaram sobre a eleição brasileira.
América do Sul e América Latina
Na América do Sul, líderes identificados com a direita também reconheceram a vitória de Lula.
O presidente do Chile, José Antonio Kast, informou que conversou com o brasileiro e destacou a importância da cooperação econômica e do combate ao crime organizado.
Na Colômbia, o presidente Abelardo de la Espriella reconheceu o resultado, apesar das diferenças políticas com Lula. Ele destacou que a vontade dos eleitores brasileiros deve ser respeitada.
A presidente do Peru, Keiko Fujimori, parabenizou Lula e reafirmou o interesse em fortalecer as relações entre os dois países. O presidente do Equador, Daniel Noboa, também enviou felicitações.
Os governos de Paraguai, Uruguai e Bolívia igualmente se manifestaram após a eleição.
Fora da América do Sul, lideranças do México, Cuba, Panamá, Guatemala e República Dominicana também reconheceram o resultado ou enviaram congratulações ao presidente brasileiro.
Europa
Na Europa, o presidente da França, Emmanuel Macron, parabenizou Lula e defendeu o fortalecimento da parceria estratégica entre os dois países.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, também celebrou a reeleição.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, enviou felicitações e destacou a continuidade da cooperação entre o Brasil e a União Europeia, especialmente nas áreas de comércio e mudanças climáticas.
Ásia e Rússia
O governo da China reconheceu a vitória por meio do Ministério das Relações Exteriores. O porta-voz Guo Jiakun afirmou que Pequim respeita a escolha do povo brasileiro e pretende continuar fortalecendo as relações bilaterais.
Na Índia, o primeiro-ministro Narendra Modi parabenizou Lula e manifestou interesse em ampliar a parceria estratégica com o Brasil.
A Rússia também se pronunciou. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, destacou a contribuição de Lula para o desenvolvimento das relações entre os dois países e para a atuação conjunta no Brics.
O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, e o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, também enviaram mensagens após a reeleição.
América do Norte e África
No Canadá, o primeiro-ministro Mark Carney parabenizou Lula e destacou oportunidades de cooperação econômica e ambiental entre os dois países.
Na África do Sul, o presidente Cyril Ramaphosa celebrou o resultado e reafirmou o interesse em fortalecer as relações bilaterais.
Organizações internacionais, entre elas a Organização dos Estados Americanos (OEA), também se manifestaram. O secretário-geral da entidade, Albert Ramdin, destacou a participação dos eleitores brasileiros no segundo turno.
Contestação de Flávio Bolsonaro não altera resultado anunciado pelo TSE
Na noite de domingo (25), após a confirmação da derrota, Flávio Bolsonaro declarou que pretende recorrer à Justiça para solicitar a anulação da eleição.
O principal questionamento apresentado pelo candidato envolve a prorrogação do horário de votação, determinada pelo ministro Cristiano Zanin.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a medida exigiu adaptações operacionais, mas não provocou alteração na totalização dos votos.
A apresentação de uma contestação judicial, por si só, não anula o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral.
Também é importante distinguir o silêncio diplomático de uma rejeição formal. Até a atualização desta reportagem, não havia confirmação de que algum governo estrangeiro tivesse declarado oficialmente que não reconheceria a reeleição de Lula.
O BelfordRoxo24h acompanha os desdobramentos da eleição presidencial de 2026 e as manifestações dos governos estrangeiros.
Informações verificadas até o início da tarde de segunda-feira, 26 de outubro de 2026, com base em comunicados oficiais e reportagens nacionais e internacionais.
Fontes de apuração:
- Tribunal Superior Eleitoral — resultado oficial
- Folha de S.Paulo — adiamento do comunicado americano
- UOL — manifestações dos líderes internacionais
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