
Eduardo Cavaliere participou da agenda de segurança pública em Irajá. Durante o evento, Lula rejeitou a classificação das facções brasileiras como organizações terroristas, mas afirmou que criminosos são “terroristas” para quem vive sob seu domínio nas periferias.
RIO DE JANEIRO — Em uma agenda oficial dedicada justamente ao enfrentamento do crime organizado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou nesta sexta-feira (18) sobre facções, terrorismo e a realidade de moradores das periferias do Rio de Janeiro.
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A declaração foi feita no Complexo da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em Irajá, na Zona Norte, com a presença do prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), do governador em exercício, Ricardo Couto, e de representantes das forças de segurança federal, estadual e municipal.
Foi diante dessas autoridades que Lula rejeitou a classificação das facções criminosas brasileiras como organizações terroristas nos termos adotados pelo governo dos Estados Unidos. No mesmo discurso, porém, utilizou a palavra “terroristas” para descrever como criminosos são vistos por famílias submetidas à atuação dessas organizações nas periferias.
O “BAILINHO DE PERIFERIA” ENTROU NO DISCURSO
Ao explicar sua posição, Lula mencionou famílias, pessoas que estudam e quem deseja frequentar um baile na periferia.
Entre as palavras utilizadas pelo presidente apareceu a expressão:
“querem dançar em um bailinho qualquer de periferia”.
O trecho fazia parte do argumento de Lula de que integrantes de organizações criminosas podem aterrorizar diretamente os moradores, embora ele discorde da classificação formal das próprias facções como organizações terroristas.
A sequência coloca lado a lado duas afirmações feitas pelo presidente: a rejeição ao enquadramento das facções como terroristas e o uso do mesmo termo para definir a atuação dos criminosos sobre moradores das periferias.
E O PREFEITO DO RIO ESTAVA PRESENTE
O cenário em que a declaração foi feita também é relevante.
Eduardo Cavaliere estava no evento, que reuniu os três níveis de governo para discutir integração de inteligência, monitoramento e ações contra o crime organizado no Rio de Janeiro.
Cavaliere falou durante a cerimônia e destacou a integração entre as forças. O prefeito afirmou que a iniciativa dava um sinal para a população e poderia gerar impacto também nas cidades da Região Metropolitana.
A prefeitura também participa da integração por meio do compartilhamento de informações de inteligência e de imagens de monitoramento das vias da cidade.
Até o momento das fontes consultadas pelo BelfordRoxo24h, não foi localizada uma manifestação específica de Cavaliere sobre o trecho em que Lula mencionou o “bailinho de periferia”.
EVENTO ERA SOBRE COMBATE AO CRIME ORGANIZADO
A fala não ocorreu em um compromisso sem relação com segurança pública.
O encontro em Irajá foi realizado para apresentar ações de integração entre União, Estado e Município no combate às organizações criminosas. Lula afirmou que pretende utilizar o Rio como uma espécie de projeto-piloto dessa cooperação entre forças de segurança.
O plano apresentado prevê atuação sobre territórios controlados por organizações criminosas, além de medidas contra a logística do crime e roubos de carga.
O Complexo da PRF onde aconteceu a cerimônia fica no encontro da Avenida Brasil com a Rodovia Presidente Dutra, uma área estratégica de ligação entre a capital e municípios da Baixada Fluminense, como São João de Meriti e Duque de Caxias.
DUAS FALAS, NO MESMO PALCO
De um lado, Lula disse que não aceita a classificação das facções como organizações terroristas adotada pelo governo dos Estados Unidos.
Do outro, reconheceu no próprio discurso que os criminosos exercem terror sobre famílias que vivem nas áreas onde essas organizações atuam — e colocou até quem deseja frequentar um “bailinho de periferia” dentro dessa explicação.
Tudo isso aconteceu diante do prefeito Eduardo Cavaliere e de autoridades responsáveis por uma nova articulação de segurança pública no Rio.
As declarações estão registradas. O contexto também. A interpretação sobre o contraste entre elas fica com o leitor.
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