
Luigi Mangione, o homem acusado de matar a tiros um executivo do setor de seguros de saúde em Manhattan, pretende argumentar em seu julgamento por homicídio que estava passando por uma grave crise de saúde mental no momento do crime, revelou um juiz durante uma audiência nesta quarta-feira.
A estratégia enfrenta obstáculos jurídicos significativos, mas poderia levar um júri a condenar Mangione por homicídio culposo, um crime menos grave que prevê penas substancialmente mais brandas.
Mangione, que compareceu ao tribunal vestindo um terno escuro e camisa branca, é acusado de matar Brian Thompson, diretor-executivo da UnitedHealthcare, com disparos de arma de fogo em frente a um hotel em Midtown Manhattan, em dezembro de 2024.
O assassinato audacioso foi amplamente condenado por autoridades públicas, mas também se tornou um símbolo da frustração de muitos americanos com o aumento dos custos da saúde e com as práticas da indústria de seguros de saúde.
Em dezembro de 2024, Mangione declarou-se inocente das acusações estaduais de homicídio, porte ilegal de armas e falsificação apresentadas pelo promotor distrital de Manhattan, Alvin Bragg. Seu julgamento está marcado para setembro perante o juiz Gregory Carro, em Manhattan.
Pela legislação de Nova York, acusados de homicídio podem tentar convencer um júri de que seus atos foram resultado de uma “extrema perturbação emocional”, circunstância que reduz sua responsabilidade criminal.
Carro decidirá, em última instância, se existem provas suficientes para que a acusação de homicídio seja reclassificada para uma infração menos grave.
Thompson liderava a divisão de seguros do grupo UnitedHealth antes de ser morto a tiros nas primeiras horas da manhã, em frente a um hotel onde a empresa realizava uma conferência para investidores.
Imagens chocantes do assassinato e uma caçada policial de cinco dias pelo suspeito transformaram o caso em destaque constante da mídia e em fenômeno nas redes sociais. Mangione acabou sendo preso na Pensilvânia.
Separadamente, Mangione declarou-se inocente, em abril de 2025, das acusações federais de homicídio, porte ilegal de armas e perseguição apresentadas por promotores federais de Manhattan.
A juíza distrital Margaret Garnett, responsável por esse processo, anulou as acusações de homicídio e de porte ilegal de armas por questões técnicas de natureza jurídica em uma decisão surpreendente tomada em janeiro.
A medida eliminou a possibilidade de que Mangione enfrentasse a pena de morte, embora ele ainda possa ser condenado à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional caso seja considerado culpado pela acusação de perseguição.
A seleção dos jurados nesse caso está prevista para começar em setembro, e as alegações iniciais do julgamento estão programadas para novembro.
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