
Campanha de Flávio cita postagem de Jeferson Monteiro em levantamento sobre o boato envolvendo Nossa Senhora Aparecida; BelfordRoxo24h já havia documentado sua trajetória na comunicação de Paes.
RIO DE JANEIRO — A campanha de Flávio Bolsonaro identificou uma publicação de Jeferson Monteiro, criador do perfil Dilma Bolada e responsável pela estratégia digital da reeleição de Eduardo Paes em 2024, como o primeiro registro encontrado por sua equipe na sequência de postagens sobre o boato envolvendo Nossa Senhora Aparecida.
A mensagem de Jeferson foi publicada em 23 de setembro de 2026. O boato que ganhou repercussão atribuía a Flávio a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
Em decisão de 25 de setembro, o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou medidas para a retirada de conteúdos que apresentassem essa alegação como verdadeira.
BelfordRoxo24h já havia mostrado a ligação com Paes
Em 19 de setembro, o BelfordRoxo24h publicou a reportagem “O print tá borrado, a trajetória não: Jeferson, Paes e os bastidores da comunicação digital”. O texto reuniu registros administrativos e declarações públicas sobre sua atuação profissional.
Segundo relato do próprio Jeferson, ele ingressou na equipe de Paes em 2021 e comandou a estratégia digital da campanha de reeleição em 2024. Depois da vitória, descreveu o trabalho e se referiu ao político como seu chefe.
Em março de 2026, afirmou que permaneceria na estratégia digital de Eduardo Cavaliere até o início da campanha ao Governo do Estado.
Leia a reportagem anterior:
https://belfordroxo24h.com/jeferson-monteiro-dilma-bolada-eduardo-paes-2026/
O que Jeferson publicou sobre Nossa Senhora Aparecida
Na postagem de 23 de setembro, Jeferson escreveu:
“Católico não vota em nenhum Bolsonaro e nem em nenhum candidato que queira retirar o título de Nossa Senhora Aparecida de Padroeira e Rainha do Brasil.”
O texto menciona o sobrenome Bolsonaro e usa a expressão “candidato que queira”, sem citar Flávio nominalmente. Essa é a publicação apontada pela campanha do senador como o primeiro registro localizado por seu monitoramento.

Dilma Bolada publicou montagem no dia seguinte
Em 24 de setembro, o perfil Dilma Bolada publicou uma montagem satírica com uma figura religiosa pisando uma serpente. A publicação trazia a frase:
“MARIA PASSA NA FRENTE E PISA NA CABEÇA DA SERPENTE!”

Projeto citado no boato foi arquivado em 2008
Os registros da Câmara dos Deputados mostram que o Projeto de Lei 2.623/2007 foi apresentado em 12 de dezembro de 2007 pelo então deputado Professor Victório Galli (PMDB-MT).
A proposta pretendia alterar a lei do feriado de 12 de outubro, substituindo a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
A Comissão de Educação e Cultura aprovou, por unanimidade, o parecer pela rejeição em 9 de julho de 2008. O projeto foi arquivado em 22 de agosto daquele ano.
Flávio Bolsonaro não é o autor da proposta.
Consulte a tramitação oficial:
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O que determinou o TSE
Na Representação nº 0602260-84.2026.6.00.0000, apresentada por Flávio Bolsonaro contra Antonio Tabet, André Mendonça complementou uma decisão anterior e determinou que X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube atuassem contra a reprodução da informação falsa.
Para essa medida provisória, o ministro considerou “notoriamente inverídica” a afirmação, apresentada como fato, de que Flávio ou sua família propuseram, apoiaram, articularam ou pretendem promover a retirada do título de Nossa Senhora Aparecida.
A ordem alcança publicações que repitam essa alegação, mesmo em formatos diferentes. Também determina a preservação de registros das postagens atingidas e dá às plataformas 48 horas para informar as providências adotadas, sob multa de R$ 50 mil por dia de descumprimento, por provedor.
O texto preserva reportagens sobre o episódio, desmentidos, críticas, sátiras e opiniões que não apresentem a alegação falsa como verdadeira.
Leia a decisão na consulta pública do TSE:
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