
O regime islâmico do Irã condenou à morte duas mulheres acusadas de participação nos protestos que começaram no fim de 2025 e ganharam força em janeiro deste ano contra a ditadura. As sentenças foram impostas em processos separados relacionados a manifestações que ocorreram na região de Isfahan, um dos principais focos da mobilização nacional, segundo organizações de direitos humanos.
Uma das condenadas é Taraneh Rahimi, de 20 anos. De acordo com a organização Hengaw e com a Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos Estados Unidos, ela recebeu a pena de morte junto com nove homens por episódios ocorridos durante os protestos em uma praça de Isfahan, onde duas pessoas morreram, entre elas um integrante das forças de segurança.
Segundo a HRANA, outros acusados no mesmo processo receberam penas de até 36 anos de prisão, incluindo Romina, irmã de Taraneh. A organização afirmou ainda que os advogados dos réus não tiveram acesso a uma parte relevante do processo e reclamaram de falta de tempo para analisar documentos e provas apresentados pela acusação.
A segunda mulher condenada é Leila Abolhasani, de 43 anos e mãe de duas adolescentes. Segundo a HRANA e o observatório jurídico Dadban, um tribunal de Isfahan considerou que ela participou do incêndio de um estabelecimento comercial durante os protestos.
Familiares de Leila negam a acusação e afirmam que ela apenas estava no local filmando o incêndio quando foi detida. Ainda assim, a Justiça iraniana a condenou pelo crime de “guerra contra Deus”, acusação prevista na legislação do país e que pode resultar em pena de morte.
O processo de Leila foi encaminhado à Suprema Corte do Irã para revisão. Segundo o portal Iran International, ela está presa há mais de sete meses e poderá ser executada caso a sentença seja mantida pelo tribunal superior.
As duas condenações ocorrem em meio a uma escalada das execuções ligadas aos protestos. De acordo com a organização Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, ao menos 29 homens já foram executados neste ano por acusações relacionadas às manifestações. Até agora, nenhuma mulher havia sido executada especificamente por participação nesses protestos.
Organizações internacionais de direitos humanos vêm denunciando a ampliação do uso da pena de morte pelo regime iraniano contra opositores. Segundo o Abdorrahman Boroumand Center, ONG de direitos humanos sediada nos Estados Unidos, pelo menos 950 pessoas já foram executadas no país desde o início de 2026.
Em junho, o Center for Human Rights in Iran (CHRI), outra organização de direitos humanos que acompanha as violações no Irã, afirmou que presos políticos e condenados à morte mantinham uma campanha semanal de greves de fome contra as execuções em dezenas de prisões do país. A entidade sustenta que o regime iraniano passou a acelerar julgamentos e execuções após os protestos de janeiro e durante o período de guerra contra os EUA e Israel, com processos marcados, segundo a organização, por falta de acesso adequado à defesa e denúncias de confissões obtidas sob coerção.
As manifestações contra o regime islâmico começaram no fim de 2025 em meio à deterioração econômica e ao aumento do custo de vida, mas rapidamente passaram a incorporar críticas diretas ao regime. Segundo organizações de direitos humanos sediadas fora do Irã, as forças de segurança responderam com repressão, prisões em massa e uso de força letal contra manifestantes.
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