
Mais de 3 mil árvores foram destruídas em área de reflorestamento. Dois focos consumiram o equivalente a cerca de 136 campos de futebol, enquanto ambientalistas aguardam perícia para esclarecer a origem do incêndio.
Um incêndio de grandes proporções na Serra do Vulcão, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, destruiu 97 hectares de vegetação e atingiu uma área que vinha passando por um trabalho de reflorestamento. Segundo ambientalistas e voluntários envolvidos no projeto, mais de 3 mil árvores foram destruídas pelas chamas.
A ocorrência levantou suspeitas de que o fogo possa ter sido provocado por ação humana. A causa, entretanto, ainda não foi oficialmente determinada, e uma perícia deverá ajudar a esclarecer como as chamas começaram.
Segundo a Prefeitura de Nova Iguaçu, o incêndio começou por volta das 11h de terça-feira, 4 de agosto, e apresentou dois focos distintos. O primeiro atingiu aproximadamente 16,8 hectares, enquanto o segundo consumiu cerca de 81 hectares. Ao todo, foram aproximadamente 97 hectares queimados — área equivalente a cerca de 136 campos de futebol.
Depois de mais de 11 horas de combate, o incêndio foi extinto por volta das 22h30.
25 pessoas participaram do combate ao incêndio
Segundo a Prefeitura, 25 pessoas participaram da operação, entre integrantes da Brigada Florestal Voluntária, servidores, voluntários, militares do Corpo de Bombeiros e agentes do Instituto Estadual do Ambiente (Inea).
O trabalho das equipes foi fundamental para impedir que as chamas avançassem para outras partes da serra. De acordo com o município, a operação também contribuiu para preservar nascentes e reduzir os impactos sobre a fauna local.
Mais de 3 mil árvores destruídas em Nova Iguaçu
Além da vegetação natural, o incêndio atingiu uma área que vinha sendo recuperada por meio de ações de reflorestamento.
De acordo com ambientalistas e voluntários que atuam no local, mais de 3 mil árvores foram destruídas, aproximadamente metade das cerca de 7 mil árvores plantadas no projeto de recuperação ambiental.
O trabalho de reflorestamento da Serra do Vulcão vinha sendo realizado há anos, com participação de organizações ambientais, poder público e voluntários.
A perda representa um impacto significativo para a recuperação ambiental da região e para os esforços de preservação realizados na serra.
Focos em sequência levantam suspeita
Um dos pontos que mais chamou a atenção de quem acompanha a preservação da Serra do Vulcão foi a forma como diferentes focos teriam surgido.
O voluntário Alexandre Bensabat, que participa das ações de recuperação ambiental, relatou que focos teriam aparecido em diferentes pontos, com intervalos de aproximadamente 20 a 30 minutos. A situação levantou entre os voluntários a suspeita de que o incêndio possa ter sido provocado.
Apesar da suspeita, não há confirmação oficial de incêndio criminoso nem identificação de possíveis responsáveis.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente aguarda o resultado de uma perícia para esclarecer a origem do fogo e avaliar eventuais medidas posteriores.
Uso de fogo em práticas religiosas e criação de gado é citado como fator de risco
O professor de Biologia Alex Vieira, um dos coordenadores do Instituto Educação Ambiental e Ecoturismo, apontou situações envolvendo o uso de fogo que representam preocupação para quem trabalha na preservação da Serra do Vulcão.
Entre elas estão queimadas relacionadas à presença de gado e à renovação de vegetação utilizada para alimentação dos animais, além de determinadas atividades religiosas realizadas na serra que utilizam fogo.
Durante períodos de estiagem, quando a vegetação está seca e há ocorrência de ventos, pequenos focos podem se espalhar rapidamente e atingir grandes extensões.
Entretanto, é fundamental destacar que não existe, até o momento, conclusão pericial estabelecendo que práticas religiosas, criadores de gado ou qualquer grupo específico tenham provocado o incêndio de 4 de agosto.
Essas situações são citadas como fatores de risco, e não como atribuição de responsabilidade pelo incêndio.
Incêndio supera média histórica de agosto
A dimensão da ocorrência fica ainda mais evidente quando comparada ao histórico de queimadas do município.
Segundo dados do MapBiomas divulgados pela Prefeitura de Nova Iguaçu, a média histórica de áreas queimadas durante todo o mês de agosto é de 64,85 hectares.
Somente o incêndio de 4 de agosto atingiu aproximadamente 97 hectares, quase 50% acima dessa média mensal histórica.
Outro grande incêndio havia ocorrido em julho
O episódio não foi isolado.
Em 21 de julho, menos de duas semanas antes, outro incêndio de grandes proporções atingiu a Serra do Vulcão, na região de acesso à rampa de voo livre, nas proximidades da Unig.
Naquela ocasião, uma força-tarefa conseguiu controlar as chamas antes que elas alcançassem as mudas existentes na área de reflorestamento.
A repetição de ocorrências em um intervalo tão curto aumenta a preocupação de ambientalistas que atuam na preservação da serra.
Nova Iguaçu perdeu 255 hectares para incêndios em 2025
Os incêndios florestais já representam um problema recorrente para o município.
Segundo informações divulgadas pela Prefeitura com base em dados do MapBiomas, 255 hectares de áreas verdes de Nova Iguaçu foram atingidos por incêndios em 2025.
Entre junho e julho de 2026, antes mesmo do grande incêndio de agosto, a Brigada Florestal Voluntária já havia sido acionada pelo menos quatro vezes para ocorrências desse tipo.
O problema também não é recente. Em publicação de 2019, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente informou que aproximadamente 15 queimadas haviam sido registradas naquele ano na Serra do Vulcão e apontava a ação humana como causa da maioria das ocorrências registradas naquele período.
Esse histórico, porém, não permite concluir que o incêndio atual tenha a mesma origem.
Perícia deverá esclarecer causa do incêndio
Agora, a expectativa está concentrada no resultado da perícia.
A análise técnica será fundamental para determinar a origem do incêndio e verificar se houve ação humana e, em caso positivo, se ela ocorreu de maneira acidental ou intencional.
Caso sejam encontrados elementos que indiquem a prática de crime ambiental, as informações poderão subsidiar as autoridades na investigação e na eventual identificação dos responsáveis.
Até a conclusão do trabalho técnico, nenhuma hipótese sobre autoria ou motivação do incêndio pode ser considerada oficialmente confirmada.
O BelfordRoxo24h e o Nova Iguaçu na Linha continuarão acompanhando o caso.
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