
Polícia Federal quer descobrir quem pagou viagens de Lulinha, analisar movimentações bancárias e esclarecer possíveis relações com empresários que possuem contratos milionários com o governo federal.
BRASÍLIA — A Polícia Federal (PF) solicitou a prorrogação de dois inquéritos que investigam Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As investigações apuram suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo negócios de empresários com órgãos do governo federal.
Entre as novas diligências estão o levantamento de viagens nacionais e internacionais realizadas por Lulinha, a identificação de quem pagou suas passagens aéreas, a análise de movimentações bancárias e o cruzamento de informações sobre reuniões com representantes do governo.
Os pedidos foram apresentados em 2 de outubro, quando terminou o prazo inicial de 60 dias das investigações. Até esta terça-feira (20), não havia decisão autorizando a prorrogação.
PF quer identificar quem pagou viagens de Lulinha
Uma das principais frentes da investigação busca esclarecer a origem dos recursos utilizados para financiar viagens realizadas pelo filho do presidente desde janeiro de 2023.
A Polícia Federal solicitou informações sobre datas, destinos, emissão de passagens aéreas, agências de turismo envolvidas e pessoas responsáveis pelos pagamentos.
Os investigadores também querem identificar viagens realizadas por Lulinha na companhia da lobista Roberta Luchsinger, investigada por possíveis atividades de intermediação de interesses empresariais junto ao governo federal.
A apuração inclui viagens a Portugal, onde os investigadores buscam esclarecer possíveis conexões com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
Segundo informações divulgadas pelo Estadão, Lulinha já havia admitido a interlocutores que uma viagem a Portugal, no final de 2024, teve despesas de voo e hospedagem pagas pelo empresário. O deslocamento teria relação com um projeto de produção de cannabis medicinal.
Investigação envolve contratos de R$ 53 milhões
Outro inquérito apura a possível participação de Lulinha na intermediação de negócios envolvendo o empresário Cléber Ribas, ligado ao setor de tecnologia.
Empresas relacionadas ao empresário obtiveram contratos que somam aproximadamente R$ 53 milhões junto ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.
A Polícia Federal busca esclarecer se houve alguma atuação irregular para favorecer interesses empresariais dentro da administração pública.
Os investigadores também solicitaram informações sobre reuniões e contatos com representantes da Dataprev, do INSS e de outros órgãos federais.
Movimentações bancárias serão analisadas
A PF pretende aprofundar o exame das informações financeiras disponíveis nos inquéritos.
Entre os dados estão transferências, depósitos, pagamentos, saques e possíveis operações consideradas atípicas.
A corporação também quer identificar vínculos empresariais, profissionais e financeiros entre os investigados.
O objetivo é cruzar essas informações com viagens, contratos, reuniões e outros acontecimentos relacionados aos fatos investigados.
Defesa de Lulinha nega irregularidades
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva criticou a continuidade das investigações e afirmou que não existem provas de envolvimento do filho do presidente em atividades criminosas.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho declarou que faltou coragem à Polícia Federal para arquivar o caso.
Segundo ele, Lulinha estaria sendo investigado exclusivamente por sua relação familiar com o presidente da República.
A defesa considera que as novas diligências representam uma tentativa de encontrar elementos para justificar a continuidade dos procedimentos.
A defesa de Roberta Luchsinger também questionou a investigação, afirmando que os procedimentos deveriam ser arquivados diante da alegada ausência de provas.
Já os representantes de Cléber Ribas negaram irregularidades e afirmaram que os contratos de suas empresas com o governo federal foram celebrados de maneira transparente, seguindo os procedimentos legais.
Investigações aguardam decisão do STF
Os pedidos de prorrogação foram inicialmente encaminhados ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Os processos, entretanto, estão atualmente sob responsabilidade do gabinete do presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
A Polícia Federal argumenta que ainda existem diligências pendentes e que os resultados são necessários para esclarecer os fatos e avaliar a necessidade de novas medidas.
Até o momento, as suspeitas investigadas não representam comprovação de crimes por parte de Lulinha. As defesas negam as irregularidades apontadas nas investigações.
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