
A Mastercard e o Citi ampliaram sua colaboração para acelerar a digitalização de pagamentos entre empresas do setor de viagens. O Citi é o primeiro banco a participar do Mastercard Wholesale Program (MWP) no Brasil. O programa utiliza cartões virtuais e funciona para pagamentos automatizados entre máquinas.
A solução, voltada para o setor de viagens, permite que agências e operadores turísticos paguem seus fornecedores, como hotéis e companhias aéreas. Com cartões virtuais únicos, é possível separar credenciais por fornecedor, com o objetivo de trazer maior automação e rastreabilidade para os pagamentos.
A oferta está em “negociações avançadas” com empresas ainda não divulgadas. “Os clientes nessa operação, em geral, são as grandes agências de viagem. Então, esse tipo de comunicação [para pagamentos] é muito mais máquina com máquina”, explica Eduardo Arnoni, vice-presidente sênior de Soluções para Clientes da Mastercard Brasil.
A solução é projetada para funcionar diretamente no sistema da empresa. A Mastercard oferece “dashboards” pré-definidos, que podem ser adaptados conforme as necessidades das companhias. “Por isso, acaba levando um tempo entre você trazer o parceiro e começar a operação, porque tem alguma adequação de trocas de arquivo, APIs [Interface de Programação de Aplicações], entre a tecnologia Mastercard e do parceiro.”
O Brasil é o primeiro país da América Latina a ter a parceria entre o Citi e a Mastercard para o MWP. Na avaliação do Citi, a solução é especialmente relevante para empresas multinacionais. “Os trilhos de pagamento de cartões são soluções escaláveis em nível mundial”, comenta Adriano Milani, responsável por serviços financeiros do Citi Brasil. “É uma questão de algumas adaptações locais, mas isso, para nós, tem um valor. […] Do ponto de vista global, a gente pode expandir para onde eu [Citi] estou. Eu estou em mais de 90 países, a Mastercard não é diferente.”
O lançamento do MWP no Brasil faz parte da estratégia da Mastercard para crescer no país. Isso porque a penetração de meios de pagamentos digitais no consumo das famílias já está em patamares elevados, enquanto entre empresas ainda têm uma participação “ínfima”.
“A gente entendeu que nós tínhamos as soluções e as capacidades para poder atender esses fluxos e modelos econômicos que faziam com que a gente fosse super competitivo. Então, isso confirmou que os fluxos de pagamentos B2B [entre empresas] seriam uma prioridade para a gente, não só neste ano, mas para a agenda dos próximos quatro, cinco anos”, conta Arnoni.
Segundo o executivo, existe um “road map” para outros setores além de viagens. A Mastercard está analisando agronegócio, transporte e eventos. Outros setores devem ser atendidos com outras soluções, que não o MWP.
A oferta começa pelo setor de viagens devido às características dessa indústria. “Além da questão do crescimento, ela [indústria de viagens] está passando por um processo de transformação digital significativo. É um setor que ainda tem uma carência, do ponto de vista de digitalização das transações internas, processos reconciliatórios, operacionais. Então, o cartão, como uma alternativa complementar transacional de pagamento, traz um nível de automação e de simplicidade operacional”, explica Milani.
Para evoluir o cartão entre empresas, a Mastercard e o Citi apostam, primeiro, numa oferta adequada. “A partir do momento que ele [cartão] começar a ser uma transação operacionalmente simples, a gente está dando um exemplo de simplificação”, afirma Milani. As taxas cobradas das empresas, segundo ele, serão flexíveis e poderão ser pré-acordadas.
A Mastercard também está trabalhando para facilitar a integração com os sistemas de planejamento de recursos empresariais (ERPs). “Um investimento grande que a gente tem feito é de construir essa infraestrutura nas principais soluções de gestão da indústria”, conta Arnoni. “É um trabalho que acaba levando tempo, a infraestrutura que precisa ser construída é relativamente complexa, mas a gente tem feito esses investimentos e essas parcerias para disponibilizar essa infraestrutura para que as empresas utilizem.”
Outra característica que os cartões trazem, além de servir como método de pagamento, é que também são fonte de financiamento, o que pode ajudar as empresas diante da necessidade de capital, especialmente com a entrada da reforma tributária.
“Ele [cartão] também consegue preencher, do ponto de vista econômico, a necessidade da empresa, que não é o que todo mundo olha no primeiro momento. […] O cartão não é só meio de pagamento, o cartão também é uma fonte de financiamento”, diz Milani.
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