
Após disputa judicial pelo terceiro mandato de Rubão, município estratégico para a economia do Rio de Janeiro busca estabilidade política. Próximo prefeito terá o desafio de recuperar serviços, organizar as contas públicas e construir parcerias com os governos estadual e federal.
Itaguaí, um dos municípios mais importantes para a economia do estado do Rio de Janeiro, terá uma eleição decisiva no próximo domingo, 25 de outubro de 2026. Os moradores voltarão às urnas para escolher prefeito e vice-prefeito em uma eleição suplementar, realizada no mesmo dia do segundo turno presidencial.
A votação ocorre após um longo período de instabilidade política envolvendo o ex-prefeito Rubem Vieira de Souza, conhecido como Dr. Rubão, cuja tentativa de conquistar um terceiro mandato consecutivo foi barrada pela Justiça Eleitoral.
O episódio provocou mudanças no comando da prefeitura e prolongou a indefinição sobre a administração municipal. Ao mesmo tempo, Itaguaí enfrenta desafios relacionados à saúde pública, às contas municipais e à continuidade de projetos importantes.
A eleição representa uma oportunidade para a população avaliar quem possui condições de administrar uma cidade estratégica para o desenvolvimento fluminense.
Quem são os candidatos à Prefeitura de Itaguaí em 2026?
A disputa eleitoral começou com seis chapas, mas sofreu alterações após a renúncia de Alexandre Valle, do PL, e o indeferimento da candidatura de Dr. Helinho, do PRD.
Quatro nomes permaneceram no cenário eleitoral, embora existam pendências judiciais que precisam ser observadas.
Haroldinho Jesus — PDT — Número 12
Candidato a vice-prefeito: Fabinho Taciano (PP).
Haroldinho Jesus ocupa atualmente a Prefeitura de Itaguaí de forma interina e defende a continuidade dos projetos municipais.
Entre os compromissos divulgados durante a campanha estão melhorias na saúde, investimentos na educação, obras de infraestrutura e ampliação de serviços públicos.
A candidatura apresenta a experiência à frente da administração interina como um de seus principais argumentos.
Luciano Mota — PT — Número 13
Candidato a vice-prefeito: Dr. Paulo Wesley (PT).
Luciano Mota é empresário e ex-prefeito de Itaguaí. Ele apresenta propostas como tarifa zero no transporte municipal, implantação de moeda social destinada a famílias em situação de vulnerabilidade e investimentos na rede de saúde.
Entre os projetos divulgados estão a construção de hospital e maternidade.
As propostas exigirão planejamento financeiro, identificação de fontes de recursos e definição de prazos para sua implantação.
Kelaine Goulart — Novo — Número 30
Candidato a vice-prefeito: Beto do Posto (Novo).
Kelaine Goulart é empresária e participou da disputa pela Prefeitura de Itaguaí em 2024.
Na eleição suplementar de 2026, recebeu apoio político do governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas, e apoio anunciado pela direção do PL.
A candidatura, entretanto, enfrenta uma situação judicial. Em 15 de outubro, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro manteve, por unanimidade, o indeferimento de seu registro.
A decisão está relacionada à manutenção simultânea de candidaturas a deputada federal e prefeita, em circunscrições diferentes, e ainda admite recurso ao Tribunal Superior Eleitoral.
A situação definitiva deve ser acompanhada pelos canais oficiais da Justiça Eleitoral.
Marcelo Cunha — Democrata — Número 35
Candidata a vice-prefeita: Dany Van Tol (Democrata).
Marcelo Cunha é jornalista, escritor e participa de sua primeira disputa eleitoral.
Sua candidatura defende uma administração técnica, com prioridade para fiscalização dos contratos públicos, transparência e reorganização administrativa.
Entre os compromissos divulgados estão auditorias nas contas públicas e nas obras municipais durante os primeiros cem dias de governo.
O candidato também apresenta propostas de maior transparência nas metas e nos resultados da administração pública.
Confira o quadro dos candidatos à Prefeitura de Itaguaí

As informações sobre candidatos, registros, propostas de governo e prestações de contas podem ser consultadas no DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral.
A situação das candidaturas pode sofrer alterações em decorrência de decisões judiciais até a votação.
Itaguaí: uma cidade estratégica para a economia do Rio de Janeiro
A importância de Itaguaí ultrapassa os limites do município.
A cidade abriga um dos principais complexos portuários brasileiros, responsável por movimentar grandes volumes de minério de ferro e outras cargas destinadas ao comércio nacional e internacional.
Somente em 2025, o Porto de Itaguaí movimentou aproximadamente 62,8 milhões de toneladas, segundo dados divulgados pelo Ministério de Portos e Aeroportos.
A localização favorece a integração logística entre Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, por meio de rodovias, ferrovias e instalações portuárias.
Além disso, Itaguaí abriga estruturas do Programa de Desenvolvimento de Submarinos da Marinha do Brasil, o Prosub, e instalações industriais da Nuclep.
Essas atividades tornam o município relevante para setores como logística, siderurgia, engenharia, tecnologia e defesa nacional.
Mas existe uma questão fundamental: como transformar toda essa importância econômica em melhorias concretas para os moradores?
O desenvolvimento precisa alcançar a população por meio de empregos, qualificação profissional, infraestrutura, transporte, educação e atendimento de saúde.
É justamente nesse ponto que a atuação da prefeitura ganha importância.
A disputa pelo terceiro mandato de Rubão e seus impactos
A crise política que atingiu Itaguaí teve origem na controvérsia sobre os períodos em que Rubão exerceu o cargo de prefeito.
Em 2020, ele assumiu temporariamente a prefeitura na condição de presidente da Câmara Municipal. Posteriormente, venceu a eleição para governar entre 2021 e 2024.
Ao disputar novamente o cargo em 2024, enfrentou questionamentos judiciais sobre a possibilidade de exercer um terceiro mandato consecutivo.
A disputa chegou ao Supremo Tribunal Federal e ao Tribunal Superior Eleitoral.
Durante o processo, a prefeitura passou por mudanças de comando.
Haroldinho Jesus iniciou 2025 como prefeito interino. Em junho daquele ano, Rubão assumiu o cargo após uma decisão judicial favorável. Em novembro, com a queda da liminar, Haroldinho voltou à administração municipal.
Em junho de 2026, o TSE confirmou o indeferimento da candidatura de Rubão e determinou uma nova eleição.
Quando os moradores forem às urnas em 25 de outubro, quase 22 meses do período administrativo iniciado em janeiro de 2025 já terão transcorrido.
A sucessão de decisões e mudanças políticas ocorreu em um momento no qual a cidade precisava enfrentar problemas financeiros, executar obras e manter serviços essenciais.
Embora não seja possível atribuir automaticamente todos os atrasos à disputa eleitoral, a instabilidade dificultou a previsibilidade sobre quem conduziria a administração.
Saúde pública: hospital enfrenta atrasos e nova previsão de entrega
Um dos exemplos mais relevantes é a reforma do Hospital Municipal São Francisco Xavier.
Em abril de 2025, a prefeitura anunciou previsão de conclusão das obras para novembro daquele ano.
Entretanto, os serviços continuaram em 2026.
Em março, o atendimento de maternidade precisou ser transferido temporariamente para o Hospital Geral de Itaguaí, em razão das intervenções na unidade.
Rubão, durante entrevista concedida em junho de 2025, afirmou que a reforma exigia reorganização da estrutura interna do hospital e que havia recursos disponíveis para a execução dos serviços.
Já em outubro de 2026, Haroldinho apresentou uma nova previsão de conclusão: fevereiro de 2027.
A mudança no calendário evidencia o prolongamento da espera pela entrega da estrutura reformada.
A identificação das responsabilidades por cada atraso depende da análise dos contratos, cronogramas, medições e justificativas técnicas.
Independentemente da disputa política, a população precisa de atendimento e de informações claras sobre quando as melhorias estarão disponíveis.
Contas públicas também representam um desafio
Os problemas administrativos de Itaguaí não começaram com a eleição suplementar.
Em julho de 2025, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro informou ter obtido uma decisão judicial determinando medidas para reduzir despesas com pessoal e restringir novas contratações, com exceções relacionadas aos serviços essenciais.
O órgão apontou irregularidades fiscais referentes aos exercícios de 2023 e 2024.
Em dezembro de 2025, o Ministério Público também informou a existência de uma dívida superior a R$ 112 milhões, relacionada à ausência de repasses ao Itaprevi, instituto previdenciário dos servidores municipais.
Em abril de 2026, uma lei municipal autorizou o parcelamento de determinadas contribuições previdenciárias em até 60 prestações.
A medida representa uma tentativa de regularização, mas será necessário acompanhar o cumprimento dos pagamentos e a situação atual das contas.
Para o próximo prefeito ou prefeita, o desafio será conciliar responsabilidade fiscal com investimentos necessários à população.
Promessas eleitorais precisarão ser acompanhadas de planejamento, fontes de financiamento e prazos de execução.
Douglas Ruas, o próximo presidente e a importância das alianças políticas
Outro aspecto relevante da eleição de Itaguaí é a relação que a próxima administração poderá construir com os governos estadual e federal.
Douglas Ruas, do PL, foi proclamado governador eleito do Rio de Janeiro pelo TRE-RJ em 15 de outubro.
Durante a campanha municipal, Douglas declarou apoio à candidatura de Kelaine Goulart, que também recebeu apoio anunciado pela direção do PL.
A proximidade política com o futuro governador pode favorecer o diálogo institucional e a construção de projetos conjuntos.
Itaguaí possui demandas que dependem de cooperação com o estado, especialmente nas áreas de mobilidade, segurança, infraestrutura e desenvolvimento econômico.
Entretanto, o alinhamento político, isoladamente, não garante investimentos. Os resultados dependem de projetos estruturados, recursos disponíveis, acordos formais e capacidade de execução.
Na esfera federal, os brasileiros também voltarão às urnas em 25 de outubro para escolher entre Flávio Bolsonaro, do PL, e Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.
O resultado definirá quem comandará o país e com quem a próxima administração municipal precisará dialogar.
Independentemente do vencedor, Itaguaí continuará tendo importância para projetos nacionais de logística, indústria, infraestrutura e defesa.
Por isso, a capacidade de construir relações institucionais será uma característica importante da próxima gestão.
O eleitor precisa conhecer os candidatos e votar com liberdade
Depois de um período de incertezas, a população de Itaguaí terá a oportunidade de participar diretamente da escolha de seu próximo governo.
A decisão exige atenção às propostas, à trajetória dos candidatos, aos compromissos apresentados e à situação das contas públicas.
Os moradores também precisam saber como cada candidatura pretende enfrentar os desafios existentes.
Entre as questões que merecem respostas estão:
- Quando as principais obras de saúde serão concluídas?
- Como a prefeitura pretende regularizar as obrigações financeiras?
- Quais medidas serão adotadas para ampliar empregos e qualificação profissional?
- Como os moradores poderão se beneficiar da atividade portuária e industrial?
- Quais projetos serão apresentados aos governos estadual e federal?
O eleitor deve considerar essas informações e formar sua própria opinião, sem pressão ou constrangimento.
O voto é livre e secreto. Nenhum apoio político substitui o direito da população de decidir quem deseja na prefeitura.
Uma eleição importante para o futuro de Itaguaí
A eleição suplementar acontece em um momento que exige atenção ao futuro da cidade.
Itaguaí reúne condições econômicas e localização estratégica para participar de importantes projetos de desenvolvimento do Rio de Janeiro e do Brasil.
Ao mesmo tempo, a população precisa de respostas para dificuldades que afetam os serviços municipais e o cotidiano dos moradores.
O próximo prefeito ou prefeita terá um período relativamente curto, até dezembro de 2028, para apresentar resultados, organizar prioridades e estabelecer uma administração capaz de dar continuidade aos projetos necessários.
A relação com o governador eleito Douglas Ruas e com o próximo presidente poderá contribuir para a construção de parcerias, mas a responsabilidade pela gestão municipal permanecerá com quem for escolhido nas urnas.
O desafio é fazer com que a importância econômica de Itaguaí seja acompanhada por melhorias reais na vida da população.
E essa decisão começa com o voto consciente e livre de cada morador.
Serviço: eleição suplementar de Itaguaí
Data: domingo, 25 de outubro de 2026
Horário: das 8h às 17h
Cargos municipais: prefeito e vice-prefeito
Mandato: até 31 de dezembro de 2028
Na mesma data: segundo turno da eleição presidencial
Para consultar candidaturas, registros e contas eleitorais, acesse o DivulgaCandContas, do TSE.
O local de votação pode ser consultado pelo aplicativo e-Título ou pelos canais oficiais da Justiça Eleitoral.
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Nossa cobertura continuará acompanhando os desdobramentos da disputa, as informações sobre os candidatos e os acontecimentos que poderão influenciar o futuro administrativo do município.
O compromisso do BelfordRoxo24h é levar informação de interesse público aos moradores, contribuindo para que cada eleitor tenha acesso aos fatos e possa exercer seu direito de escolha com liberdade.
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