
Douglas Ruas vem avançando nas pesquisas enquanto Eduardo Paes registrou recuo em levantamento recente. Agora, após o discurso contra o bolsonarismo e com o início de uma fase de maior exposição da campanha, as próximas pesquisas poderão mostrar se a polarização terá reflexos na disputa pelo Governo do Rio.
A corrida pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro entra em uma fase que merece atenção.
Eduardo Paes (PSD) continua liderando com ampla vantagem, mas Douglas Ruas (PL) apresenta crescimento enquanto ainda é desconhecido por uma parcela significativa do eleitorado.
No Paraná Pesquisas, Douglas passou de 11,1% em 31 de julho para 15,5% no levantamento divulgado em agosto, avanço de 4,4 pontos percentuais.
No mesmo intervalo, Eduardo Paes passou de 48,6% para 44,5%, recuo de 4,1 pontos.
Paes permanece muito à frente. O dado político relevante está na direção do movimento: Douglas avançou enquanto Paes recuou nessa comparação.
Agora, um discurso inflamado de Eduardo Paes contra o bolsonarismo adiciona uma nova variável à eleição.
Discurso de Paes entra no centro da análise
O BelfordRoxo24h publicou um vídeo gravado durante encontro de Eduardo Paes com integrantes do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), em Campos dos Goytacazes.
Ao abordar a eleição, Paes defendeu impedir uma nova vitória do bolsonarismo no Estado do Rio e, em outro momento do discurso, utilizou a expressão:
“enfiar o cara no saco debaixo da terra”.
O contexto integral da gravação mostra que Paes falava sobre derrotar eleitoralmente seus adversários, e não fazia uma orientação literal para a prática de violência.
Mesmo assim, a escolha das palavras provocou questionamentos sobre o tom adotado em um momento de forte polarização política.
Referência — matéria e vídeo publicados pelo BelfordRoxo24h:
Agora surge uma questão eleitoral:
ao elevar o confronto contra o bolsonarismo, Eduardo Paes pode acabar mobilizando justamente o eleitor que Douglas Ruas precisa conquistar?
Douglas já crescia antes da declaração
A cronologia é fundamental para essa análise.
O crescimento registrado por Douglas até agora aconteceu antes da repercussão do discurso de Eduardo Paes.
Por isso, não é possível atribuir a alta já registrada pelo candidato do PL à declaração.
O que muda daqui para frente é que as próximas pesquisas poderão medir um cenário posterior ao episódio.
No Datafolha divulgado em 21 de agosto, Eduardo Paes apareceu com 41%, enquanto Douglas Ruas alcançou 19%.
Na pesquisa espontânea do mesmo levantamento, Paes marcou 21% e Douglas 8%.
Além disso, a rejeição registrada pelo Datafolha foi de 26% para Paes e 19% para Douglas.
Como Datafolha, Quaest e Paraná utilizam metodologias e amostras próprias, números de institutos diferentes não devem ser tratados como uma única série histórica.
Douglas ainda tem muito eleitor para alcançar
Outro dado ajuda a explicar por que existe espaço para movimentação.
Na Quaest divulgada em 25 de agosto, Douglas aparece com 14%, contra 37% de Eduardo Paes.
Na pesquisa espontânea, Douglas registra 7% e Paes 16%.
Mais importante: 69% dos entrevistados ainda estavam indecisos na pesquisa espontânea.
Além disso, 42% disseram que ainda poderiam mudar o voto até a eleição.
Isso mostra uma disputa que, apesar da ampla liderança de Paes, ainda possui uma quantidade considerável de eleitores que não consolidaram definitivamente sua escolha.
Bolsonaristas podem ser o motor de Douglas
O Datafolha apresenta uma pista importante sobre o crescimento do candidato do PL.
Entre os entrevistados que se identificam como bolsonaristas, Douglas Ruas alcança 33%, enquanto Eduardo Paes registra 27%.
Entre petistas, ocorre o movimento inverso: Paes tem 59% e Douglas, 7%.
Esse recorte ajuda a entender por que o discurso contra o bolsonarismo pode ter importância eleitoral.
Douglas tenta se consolidar justamente como o principal representante desse campo político na eleição estadual.
Quanto maior a polarização, maior pode ser a oportunidade para o candidato do PL transformar identificação política em voto.
Paes pode ter acendido o eleitor que Douglas procura?
Esse é o ponto central da análise do BelfordRoxo24h.
Ao confrontar diretamente o bolsonarismo, Eduardo Paes pode fortalecer sua posição entre os eleitores contrários ao grupo político de Jair Bolsonaro.
Mas existe a possibilidade de um efeito no sentido contrário.
Uma parcela dos eleitores identificados com Bolsonaro pode interpretar o endurecimento do discurso como motivo adicional para participar da disputa estadual e concentrar seu voto no candidato que representa esse campo.
Hoje, Douglas Ruas tenta ocupar exatamente esse espaço.
A hipótese eleitoral passa a ser:
Paes procura mobilizar o eleitor antibolsonarista, mas pode acabar também mobilizando o eleitor bolsonarista — justamente aquele que Douglas precisa conquistar para continuar crescendo.
Próximas pesquisas serão o primeiro teste
Os levantamentos divulgados antes da repercussão do vídeo não conseguem medir eventual impacto da declaração.
É por isso que as próximas rodadas ganham importância.
Se Douglas continuar crescendo, será necessário observar onde esse crescimento aconteceu.
Se avançar especialmente entre bolsonaristas, enquanto aumenta seu conhecimento junto ao eleitorado, a tese de consolidação desse campo político ganhará força.
Também será importante acompanhar a rejeição de Eduardo Paes.
Uma eventual mudança depois da intensificação da polarização poderá ajudar a compreender se o discurso trouxe algum custo eleitoral ao líder.
Correlação, entretanto, não significa automaticamente causalidade. Propaganda eleitoral, debates, alianças, acontecimentos políticos e outros fatores também podem alterar a decisão do eleitor.
Paes continua amplamente na frente
Apesar da movimentação de Douglas, o cenário atual ainda é confortável para Eduardo Paes.
O Datafolha registra 41% para Paes e 19% para Douglas.
A Quaest apresenta 37% contra 14%.
Portanto, não existe neste momento um cenário de empate ou virada.
A questão que começa a ganhar relevância é a trajetória.
Paes permanece líder.
Douglas permanece distante, mas vem tentando consolidar a segunda posição e aumentar sua presença entre os eleitores de direita.
O discurso pode virar combustível?
A eleição entra agora em uma etapa na qual mais eleitores passam a prestar atenção nos candidatos.
Douglas precisa ampliar seu conhecimento e transformar exposição em votos.
Paes precisa preservar a grande vantagem que construiu.
Ao mesmo tempo, o líder decidiu colocar o enfrentamento ao bolsonarismo no centro de parte de seu discurso.
É justamente aí que surge a hipótese acompanhada pelo BelfordRoxo24h:
quanto mais Douglas consegue chegar ao eleitor, maior poderá ser seu espaço para crescer; e quanto mais Paes confronta diretamente o bolsonarismo, maior pode ser a mobilização do eleitorado que Douglas pretende representar.
Ainda não existe pesquisa posterior suficiente para afirmar que o discurso provocou mudança na intenção de voto.
Mas agora existe um teste objetivo.
Se as próximas pesquisas mostrarem Douglas novamente avançando — principalmente entre bolsonaristas — e Paes perdendo terreno ou aumentando sua rejeição, a repercussão do discurso passará a ser uma variável importante para compreender a nova fase da eleição fluminense.
Até lá, permanece a pergunta:
ao tentar mobilizar o Rio contra o bolsonarismo, Eduardo Paes pode ter dado combustível eleitoral ao seu principal adversário?
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