
Quem pagou, quem recebeu e o que foi publicado? Essas três perguntas podem ganhar importância na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que tramita no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) contra Eduardo Paes (PSD) e Jane Reis.
O processo nº 0602520-36.2026.6.19.0000 apura alegações envolvendo abuso de poder econômico e político, uso indevido dos meios de comunicação e outras possíveis irregularidades eleitorais.
Entre os elementos mencionados na investigação está o documento identificado como “Dossiê MPRJ — Projeto Partiu Rio”.
É importante deixar claro desde o início: até o momento, não há informação pública de que o TRE-RJ tenha determinado quebra de sigilo bancário ou fiscal da Coplan.
A questão é outra: caso a Justiça Eleitoral decida aprofundar o caminho percorrido pelo dinheiro relacionado ao Partiu Rio, documentos de empresas e prestadores envolvidos nessa cadeia poderão se tornar importantes para esclarecer os fatos.
Coplan aparece no caminho dos pagamentos
Documentos divulgados anteriormente relacionados ao Partiu Rio apresentam referências à Coplan 360 em contratação e pagamento por produção de conteúdo digital.
Entre o material tornado público há referência a pagamento mensal de R$ 3.500 e documentação relacionada à execução de conteúdo.
A existência de contrato ou pagamento, isoladamente, não comprova irregularidade eleitoral e tampouco demonstra participação de Eduardo Paes em eventual ilícito.
Mas abre uma sequência de perguntas que poderá interessar à investigação:
Quem contratava e abastecia financeiramente essa operação?
Quanto dinheiro foi movimentado?
Quantas páginas e produtores receberam pagamentos?
Quem eram os destinatários finais desses recursos?
Quais conteúdos foram produzidos em troca dos pagamentos?
A resposta pode ajudar a estabelecer se havia apenas uma operação regular de publicidade ou se existiu eventual finalidade político-eleitoral.
TRE-RJ manteve investigação
Ao analisar inicialmente a AIJE, o corregedor regional eleitoral, desembargador Fernando Cerqueira Chagas, não concedeu as medidas urgentes solicitadas.
Isso, entretanto, não encerrou a investigação.
Eduardo Paes e Jane Reis foram chamados ao processo para apresentar suas defesas.
Ao tratar do documento denominado “Dossiê MPRJ — Projeto Partiu Rio”, o relator considerou haver elementos mínimos suficientes para justificar o prosseguimento da investigação.
Isso não representa reconhecimento de culpa ou comprovação das acusações. O mérito ainda depende da análise das provas, do contraditório e das decisões do TRE-RJ.
Publicações apagadas podem ganhar importância
Existe outro elemento que pode se tornar relevante caso a Justiça Eleitoral aprofunde a investigação sobre a estrutura digital.
O BelfordRoxo24h já havia documentado que conteúdos políticos semelhantes apareceram em diferentes páginas e que parte dessas publicações teria sido posteriormente retirada do ar.
Segundo o relato publicado pelo canal, determinadas postagens permaneciam disponíveis durante aproximadamente quatro ou cinco dias e depois eram apagadas.
O BelfordRoxo24h afirma ter preservado prints, links, datas, notificações e outros registros digitais relacionados ao material.
A investigação completa publicada anteriormente pelo canal pode ser consultada aqui:
Esses registros não comprovam isoladamente responsabilidade de Eduardo Paes, Jane Reis, Coplan ou qualquer outra pessoa ou empresa.
Entretanto, sua preservação poderá ser relevante se houver confronto futuro com contratos, pagamentos, informações fornecidas pelas plataformas e outros documentos obtidos pela Justiça Eleitoral.
Apagar postagem não significa necessariamente apagar os rastros
Uma publicação retirada do Instagram ou de outra plataforma pode deixar de estar disponível ao público, mas isso não significa necessariamente que todos os registros relacionados a ela tenham desaparecido.
Links preservados, capturas de tela, datas, registros técnicos, documentação autenticada e informações eventualmente mantidas pelas plataformas podem contribuir para reconstruir a sequência das publicações.
É justamente por isso que a preservação antecipada desse tipo de material pode assumir importância numa investigação judicial.
Meta também aparece no processo
A frente digital faz parte das alegações apresentadas na AIJE.
O processo trouxe questionamentos sobre uma possível atuação coordenada contra páginas e veículos críticos e pedidos relacionados à obtenção de informações junto à Meta, responsável pelo Instagram e Facebook.
Na análise inicial, um dos problemas encontrados foi justamente a insuficiência de elementos para identificar responsáveis por determinadas contas e estabelecer ligação direta entre essas atividades e os candidatos investigados.
Essa lacuna é importante.
Para uma acusação dessa gravidade avançar, não basta demonstrar que determinada atividade digital aconteceu. É necessário construir uma ligação probatória entre os acontecimentos e aqueles a quem se pretende atribuir responsabilidade.
Dados técnicos eventualmente fornecidos pelas plataformas podem confirmar essa ligação — ou afastá-la.
E se o TRE-RJ decidir seguir o dinheiro?
É nesse ponto que a Coplan pode ganhar maior importância.
Antes de qualquer medida mais invasiva, a Justiça pode buscar documentos capazes de reconstruir uma cadeia financeira: contratos, notas fiscais, ordens de serviço, fornecedores, subcontratados, pagamentos e destinatários dos recursos.
Uma eventual quebra de sigilo bancário ou fiscal exigiria decisão judicial específica e devidamente fundamentada.
Não existe, até o momento, informação pública de que essa medida tenha sido determinada contra a Coplan.
Mas, caso surjam elementos indicando a necessidade de descobrir o destino final dos recursos, o fluxo financeiro poderá se tornar uma frente importante da investigação.
O caminho do dinheiro
Uma eventual apuração mais profunda poderá tentar reconstruir algo semelhante a esta cadeia:
Prefeitura/agências → Partiu Rio → empresas e prestadores → páginas e produtores digitais → conteúdos publicados.
A Justiça precisará estabelecer quais participantes efetivamente integraram essa estrutura, quais valores foram movimentados e qual era a finalidade dos serviços contratados.
A pergunta central será determinar se os recursos permaneceram dentro dos limites legais da publicidade ou se houve eventual utilização da estrutura para finalidade político-eleitoral.
Até agora, o TRE-RJ não decidiu que isso aconteceu.
Paes já apresentou defesa
Eduardo Paes já tomou conhecimento formal da AIJE e apresentou contestação.
Sua defesa pede que a investigação seja julgada improcedente e sustenta que não estão caracterizadas as condutas previstas no artigo 22 da Lei Complementar nº 64/1990.
A negativa das medidas urgentes também não representa julgamento definitivo favorável ou contrário aos investigados.
O processo continua em tramitação.
Quem pagou, quem recebeu e o que foi publicado?
O futuro desse núcleo da AIJE pode depender justamente da capacidade de reconstruir documentos e registros.
Quem pagou?
Quem recebeu?
Quanto recebeu?
O que foi publicado?
Quantas páginas participaram?
E existe mais uma pergunta levantada pelos registros já apresentados pelo BelfordRoxo24h:
por que determinadas publicações teriam sido apagadas poucos dias depois?
As respostas precisam vir das provas.
Contratos, pagamentos, registros digitais e informações eventualmente requisitadas pelo TRE-RJ poderão confirmar ou afastar as hipóteses levantadas na investigação.
O BelfordRoxo24h mantém espaço aberto para manifestação de Eduardo Paes, Jane Reis, Coplan e dos demais citados. Eventuais posicionamentos poderão ser incorporados à reportagem.
Assista à denúncia completa
Na entrevista, são apresentados o dossiê, documentos, relatos sobre distribuição de conteúdos, informações envolvendo a Coplan e os ataques digitais sofridos pelo ecossistema do BelfordRoxo24h.
Quem é o BelfordRoxo24h
O BelfordRoxo24h é um canal de informação e ecossistema digital com cobertura de Belford Roxo, Baixada Fluminense, Rio de Janeiro e dos principais acontecimentos do Brasil.
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