
Os Estados Unidos realizam na terça-feira (3) as midterms de 2026, as eleições de meio de mandato presidencial, com o presidente Donald Trump tentando manter a maioria do seu partido, o Republicano, nas duas casas do Congresso americano.
Hoje, contando os independentes que apoiam algum dos lados, os republicanos têm 219 cadeiras na Câmara e os democratas ostentam 214 assentos (duas cadeiras na casa estão vagas), enquanto no Senado o partido de Trump tem 53 assentos e a oposição, 47.
Porém, as midterms não estão restritas ao Legislativo. Confira abaixo as principais informações sobre a eleição.
Quais cargos estão em disputa?
No Congresso americano, estarão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das cem cadeiras do Senado.
Deputados federais americanos têm mandatos de dois anos e os senadores, de seis anos.
Cada estado tem dois representantes no Senado e o número de cadeiras na Câmara varia conforme a população: por exemplo, a Califórnia, estado mais populoso dos EUA, tem 52 assentos, enquanto os pequenos (em termos populacionais) Alasca, Delaware, Dakota do Norte, Dakota do Sul, Vermont e Wyoming têm apenas uma cadeira cada.
No caso do Senado, estarão em disputa na terça-feira 33 cadeiras para cumprir o sexênio na íntegra e duas eleições especiais vão definir quem vai completar os mandatos do secretário de Estado americano, Marco Rubio (da Flórida), e do vice-presidente J.D. Vance (de Ohio), que renunciaram para assumir seus cargos na gestão Trump. Os substitutos de ambos serão senadores até janeiro de 2029.
Também haverá eleições na terça-feira para os governos de 36 estados, incluindo os da Califórnia, do Texas, da Flórida e de Nova York, os quatro estados mais populosos dos EUA, e de três territórios americanos: Guam, Ilhas Virgens Americanas e Ilhas Marianas do Norte.
Também haverá outras disputas em nível estadual e local, incluindo para a prefeitura da capital americana, Washington, e de Los Angeles, a segunda maior cidade do país, e para procuradores-gerais.
Como é a votação?
Além da presencial no dia da eleição, a votação antecipada é comum nos EUA, com 47 estados, além de Washington e alguns territórios, oferecendo algum tipo de votação antecipada presencial para todos os eleitores.
Os prazos variam: os primeiros estados a abrir a votação antecipada nas midterms deste ano, em 18 de setembro, foram Minnesota, Dakota do Sul e Virgínia. Outra modalidade é o voto por correio.
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Quais foram as disputas no Legislativo e na Justiça antes da eleição?
Trump tomou medidas relacionadas às midterms, como restrições ao voto por correio e o uso de um banco de dados federal para verificar a cidadania dos eleitores – a Suprema Corte dos EUA barrou a primeira norma, mas permitiu a segunda.
Nos estados americanos, republicanos e democratas travaram desde o ano passado uma disputa nos Legislativos estaduais para aprovar novas divisões dos distritos eleitorais, para beneficiar seus partidos nas eleições para a Câmara.
Dessa forma, novos planos de redistritamento estão em vigor para as midterms de 2026 nos estados do Alabama, Califórnia, Flórida, Louisiana, Carolina do Norte, Ohio, Tennessee, Texas e Utah.
Em outubro, a gestão Trump apresentou uma ação judicial para pedir a suspensão da certificação do resultado da eleição para uma cadeira no Senado dos EUA representando o Alasca caso a candidata democrata, Mary Peltola, vença a disputa.
O republicano alega que os eleitores podem ficar confusos porque o republicano Dan Sullivan, que tenta a reeleição, tem o mesmo nome de um candidato independente na mesma disputa.
Na quinta-feira (29), o governador do Alasca, o republicano Mike Dunleavy, anunciou uma investigação sobre a campanha de Peltola, depois de o jornal The New York Times ter publicado uma reportagem com supostas mensagens de texto entre assessores da democrata, nas quais discutiam a possibilidade de recrutar outras pessoas que tivessem o mesmo nome de Sullivan para concorrer e teriam encontrado o independente homônimo. A equipe de Peltola negou qualquer irregularidade.
O Departamento de Justiça (DOJ, na sigla em inglês) da gestão Trump também investiga o episódio. A pasta abriu ainda um processo contra a Califórnia, exigindo a separação de até 20 mil cédulas de votação para que seja verificada a cidadania dos eleitores, e emitiu intimações contra autoridades eleitorais do estado no caso.
Trump também anunciou uma recompensa de US$ 1 milhão para quem apresentar provas de fraudes eleitorais nas atuais midterms e em eleições anteriores.
Além disso, o Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) está intensificando operações para prender estrangeiros que supostamente teriam se registrado ilegalmente para votar.
Quando os resultados serão conhecidos?
Devido aos vários fusos horários dos Estados Unidos, o horário de fechamento das urnas é diferente de estado para estado.
Como os estados mais a leste estão mais próximos do fuso horário do Brasil, os vencedores de alguns cargos já devem ser conhecidos na noite de terça-feira no horário de Brasília.
Entretanto, saber qual partido controlará a Câmara e/ou o Senado pode demorar algum tempo se a disputa for muito apertada.
Em 2024, no dia seguinte à eleição, já se sabia que os republicanos haviam reconquistado o Senado, mas a definição de que manteriam o controle da Câmara só foi anunciada oito dias depois da votação.
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