
PF afirma que o material original extraído do aparelho permanece preservado; ministros discutem acesso aos dados antes da sessão marcada para terça-feira (15).
Os dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, permanecem sob custódia da Polícia Federal. Em manifestação divulgada no domingo, 13 de setembro, a instituição informou que o material original da extração está preservado, com lacres íntegros, registros de custódia e mecanismos de verificação digital.
A PF também declarou ter condições de produzir cópias idênticas da extração para os gabinetes do Supremo Tribunal Federal (STF), conforme as determinações da Corte e as cautelas de sigilo. A manifestação trata da guarda e da integridade do material extraído do telefone.
Mensagens, contratos e registros digitais ajudam a reconstruir negociações e identificar interlocutores do empresário. Parte desse conteúdo foi divulgada em documentos judiciais e reportagens, mas a análise integral e o acesso aos dados continuam em discussão.
Qual é o celular e o que foi informado sobre a cópia
O aparelho identificado no relatório de análise de 27 de agosto de 2026 é um iPhone 17 Pro, da Apple, apreendido no âmbito da Operação Compliance Zero.
O documento, identificado como IPJ-A nº 3298613/2026, tem 218 páginas e descreve o exame de dados extraídos desse telefone.
O gabinete do ministro André Mendonça recebeu uma cópia de segurança. Em manifestação divulgada em 11 de setembro, o ministro afirmou que os dados estavam armazenados em um HD criptografado, dentro de um envelope lacrado, e que o material não havia sido aberto.
Há três elementos diferentes no caso: o aparelho apreendido, os dados obtidos na perícia e os relatórios de análise.
O fato de uma cópia de segurança permanecer lacrada em um gabinete não significa que os investigadores deixaram de examinar o material disponível na Polícia Federal.
Como a PF analisa os dados
O relatório menciona o Laudo nº 4281/2025 e um código de verificação, chamado hash, utilizado para conferir a integridade dos dados extraídos.
Também registra o emprego do IPED e do Cellebrite Reader no tratamento e na leitura do material.
A PF descreve o cruzamento de notas, capturas de tela, arquivos temporários, horários de abertura de aplicativos e registros de envio.
Em determinadas comunicações, a sequência identificada foi: escrever no aplicativo Notas, capturar a tela, abrir o WhatsApp e enviar uma mensagem.
Os investigadores usaram esses vestígios digitais para relacionar arquivos, horários e possíveis destinatários.
Uma cópia idêntica da extração reproduz o conjunto obtido pela perícia. Isso não permite concluir, por si só, que tudo o que já existiu no telefone foi recuperado.
Também é necessário distinguir um texto encontrado diretamente de uma comunicação reconstruída por meio do cruzamento de registros digitais.
O que já apareceu nos documentos e reportagens
Mensagens atribuídas a Alexandre de Moraes
O relatório elaborado em agosto e divulgado em setembro reúne registros que a Polícia Federal atribui a comunicações entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, com referências a encontros e pedidos relacionados às investigações.
Em 6 de março de 2026, o gabinete de Moraes negou que determinados textos divulgados naquele período, relacionados a mensagens de 17 de novembro de 2025, fossem destinados ao ministro.
Essa negativa se refere ao material noticiado em março e antecede o relatório elaborado em agosto.
Já em 11 de setembro, Moraes contestou a forma como documentos foram disponibilizados aos ministros. Em ofício encaminhado a Edson Fachin, acusou André Mendonça de divulgação seletiva e reiterou o pedido de acesso integral ao material.
Contratos e tratativas financeiras
Os documentos incluem negociações relacionadas ao escritório Barci de Moraes, ligado à advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes.
Há referências a contratos, versões de documentos e pagamentos.
Sobre uma segunda proposta contratual mencionada na investigação, o escritório afirmou que ela não foi aceita nem assinada.
Contatos com servidores do Banco Central
Relatórios reproduzem mensagens com Belline Santana e Paulo Sérgio Souza, incluindo orientações e conversas envolvendo interesses do Banco Master.
A PF investiga possíveis vantagens indevidas e eventual repasse de informações sigilosas. Os servidores negam irregularidades.
Em depoimento à Polícia Federal, Vorcaro afirmou que as conversas com servidores do Banco Central eram institucionais e negou ter oferecido vantagens indevidas ou recebido informações privilegiadas.
Grupo chamado “A Turma”
Outro conjunto de mensagens trata de consultas a procedimentos, encaminhamento de documentos e ações contra pessoas consideradas adversárias.
A PF aponta indícios de obtenção clandestina de informações e de uma estrutura de vigilância e intimidação.
A referência a determinado órgão em uma conversa, porém, exige confirmação sobre qual sistema teria sido acessado, de que forma e por quem.
Financiamento do filme “Dark Horse”
Mensagens extraídas do aparelho também aparecem na apuração relacionada a recursos destinados ao filme “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro.
A PF descreve tratativas com o publicitário Thiago Miranda e cobranças feitas por Flávio Bolsonaro.
O senador confirmou que buscou financiamento privado para o projeto e negou qualquer contrapartida irregular.
Festas, convites e encontros
Reportagens também detalharam mensagens sobre a organização de uma festa de Halloween em São Paulo, em outubro de 2023, com referência a 120 mulheres e 20 homens.
Os registros envolvendo convites, porém, não comprovam que todas as pessoas mencionadas tenham efetivamente participado do evento.
Quantos celulares foram apreendidos
O total divulgado é de oito celulares atribuídos a Daniel Vorcaro.
O SBT News noticiou esse número em 9 de março de 2026, com base em fontes da investigação.
Em reportagem publicada em 12 de setembro, a Band também informou que oito telefones permaneciam sob custódia dos investigadores.
Uma reportagem do Poder360, publicada em 8 de março, descreveu um conjunto enviado à CPMI do INSS com 221 arquivos exportados, incluindo imagens, e-mails, documentos e 47 fichas de contatos.
Nesse levantamento, não havia indicação pública de qual ou quais dos oito aparelhos forneceram o conjunto encaminhado à comissão.
Por isso, os 221 arquivos e as 47 fichas de contatos não representam um inventário completo de tudo o que existe nos oito celulares apreendidos.
Os 22 perfis de influenciadores vieram de outra frente da investigação
A relação de 22 perfis identificados pela Polícia Federal não deve ser apresentada como uma lista de pagamentos encontrada diretamente no celular de Vorcaro.
O levantamento inicial surgiu de uma varredura de fontes abertas após relatos públicos sobre propostas feitas a influenciadores para divulgação de conteúdos favoráveis ao Banco Master e críticos ao Banco Central.
A investigação também reuniu mensagens preservadas em cartório, depoimentos e documentos contratuais.
Thiago Miranda confirmou ter intermediado contratações, enquanto sua defesa afirmou que a atuação ocorreu dentro da legalidade.
O simples aparecimento de um perfil na relação analisada pela PF não comprova, isoladamente, que tenha recebido dinheiro.
O que ainda falta esclarecer
Na página 217, a própria Polícia Federal registra que o relatório produzido em 27 de agosto não apresenta uma análise exaustiva do conteúdo.
A equipe menciona o prazo de 72 horas para atender à requisição e admite a possibilidade de existirem referências indiretas que ainda não tenham sido identificadas.
Isso significa que ainda existem questões importantes a esclarecer.
Entre elas:
- quais pagamentos efetivamente foram realizados;
- quem autorizou cada operação;
- quais pedidos tiveram resposta;
- quais encontros ocorreram;
- quais comunicações ainda podem ser recuperadas;
- de qual dos oito aparelhos cada arquivo foi extraído;
- quais dados precisam ser confrontados com extratos bancários, contratos, registros oficiais e depoimentos.
Também é importante destacar que um nome salvo na agenda, um convite para evento, uma cobrança ou uma mensagem isolada não comprovam participação em irregularidades.
Quais ministros pediram acesso ou retirada de sigilo
Na discussão sobre o acesso aos dados antes da sessão de 15 de setembro, os pedidos publicamente identificados até 14 de setembro de 2026 envolvem quatro ministros, com alcances diferentes.
Alexandre de Moraes pediu acesso integral aos dados do celular.
Em 13 de setembro, Moraes também solicitou a retirada do sigilo da Petição 15.645, outro procedimento relacionado ao caso Master. Edson Fachin encaminhou o pedido à Procuradoria-Geral da República para manifestação.
Cristiano Zanin solicitou o conteúdo integral em 11 de setembro. Dois dias depois, determinou que a Polícia Federal fornecesse uma cópia ao seu gabinete para subsidiar o julgamento.
Gilmar Mendes requisitou à PF, em 13 de setembro, uma cópia integral dos dados. O ministro ressaltou que o material deveria permanecer restrito ao gabinete e protegido por sigilo.
Edson Fachin solicitou a André Mendonça o levantamento do sigilo dos procedimentos do caso Master, preservando diligências que ainda dependessem de reserva, e o compartilhamento dos documentos com os gabinetes.
André Mendonça, relator das investigações do Master, retirou o sigilo de uma série de procedimentos após a solicitação de Fachin, mas contestou a ampliação do acesso à íntegra do celular.
Mendonça argumentou que a medida poderia prejudicar investigações ainda em andamento.
É importante separar duas situações: compartilhar os dados com ministros do STF e tornar o material público são medidas diferentes.
Um ministro pode receber acesso aos dados para análise judicial sem que o conteúdo seja divulgado publicamente.
O que vai acontecer nesta terça-feira, 15 de setembro
O Supremo Tribunal Federal tem uma sessão extraordinária marcada para terça-feira, 15 de setembro de 2026, às 10h, no horário de Brasília, convocada pelo presidente da Corte, Edson Fachin.
A discussão envolve a Petição 16.662, que reúne elementos extraídos do celular de Daniel Vorcaro relacionados ao ministro Alexandre de Moraes.
Os ministros deverão analisar a regularidade da ordem de André Mendonça que levou ao aprofundamento da análise do aparelho.
Também estará em discussão o pedido da Procuradoria-Geral da República para anular essa decisão e os elementos produzidos a partir dela.
Outro ponto central será definir qual destino deverá ser dado às informações envolvendo Alexandre de Moraes e se esses elementos poderão ou não fundamentar uma investigação.
O Supremo confirmou que haverá transmissão ao vivo pela TV Justiça, Rádio Justiça e pelo canal oficial do STF no YouTube.
A sessão será dedicada à análise do procedimento e à possibilidade de abertura ou prosseguimento de investigação.
Não existe, porém, resultado antecipado.
Questões processuais, debates entre os ministros ou eventuais pedidos de vista podem impedir uma conclusão definitiva já nesta terça-feira.
ACOMPANHE O BELFORDROXO24H
O BelfordRoxo24h é um canal de informação com cobertura de Belford Roxo, da Baixada Fluminense, do Rio de Janeiro e dos principais acontecimentos do Brasil.
Portal:
https://belfordroxo24h.com
Instagram:
@belfordroxo24h
WhatsApp da Redação — denúncias, informações, fotos e vídeos:
(21) 97915-5787
X:
https://x.com/belfordroxo24h
Canal oficial no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029Vaeuc09HQbRzJSttqN1V
Telegram:
https://t.me/belfordroxo24hcanal
BelfordRoxo24h — Aqui a informação nunca para.





