
Ligado à Inocentes desde 1993, Mestre Marcelo comandou centenas de ritmistas, esteve à frente da bateria no título de 2008, conquistou reconhecimento no carnaval e ajudou na formação de novos sambistas.
O samba de Belford Roxo está de luto. A Inocentes de Belford Roxo anunciou a morte de Mestre Marcelo, identificado nos registros históricos do carnaval como Marcelo André, profissional que durante anos esteve à frente da bateria da agremiação.
Na homenagem publicada pela escola nas redes sociais, a Inocentes destacou a relação construída por Marcelo com a bateria conhecida como Cadência da Baixada.
“Mestre Marcelo, durante anos você conduziu a Cadência da Baixada com muita dedicação e amor. A família Inocentes lamenta a sua partida. Que Deus te receba de braços abertos”, publicou a agremiação.
A trajetória de Marcelo atravessou diferentes momentos da história da Inocentes e também passou por outras escolas do carnaval carioca.
Ligação com a Inocentes desde 1993
A Inocentes de Belford Roxo foi fundada em 11 de julho de 1993, em Belford Roxo.
Em maio de 2008, ao anunciar a permanência de Marcelo André para o Carnaval de 2009, o então presidente da escola, Reginaldo Gomes, informou que o mestre estava na agremiação desde 1993.
Na ocasião, Marcelo foi destacado pela direção pelo trabalho desenvolvido com a bateria, considerada um dos pontos fortes da escola.
Sua relação com a Inocentes, portanto, começou no mesmo ano em que a agremiação iniciou sua história.
2000: Marcelo já comandava a bateria
Um dos primeiros registros detalhados encontrados sobre sua atuação como diretor de bateria é do Carnaval de 2000.
Naquele ano, a Inocentes apresentou o enredo “Petrópolis, roxo de amor por você” e terminou na quinta colocação do Grupo A.
A ficha técnica daquele desfile registra Marcelo André na direção da bateria.
2001: 220 ritmistas sob seu comando
Marcelo continuou à frente da bateria no Carnaval de 2001.
Com o enredo “Região dos Lagos, a Inocentes é folia na terra do sal e do sol”, a escola levou cerca de 2 mil componentes para o desfile.
A bateria comandada por Marcelo André contou com 220 ritmistas.
O número mostra a dimensão da responsabilidade assumida pelo mestre na preparação de um dos principais quesitos de uma escola de samba.
2002: vice-campeonato
No Carnaval de 2002, a agremiação desfilou como Inocentes da Baixada, com o enredo “É carnaval, é tititi, é São João, é Meriti”.
Marcelo André permaneceu no comando da bateria.
Naquele ano, a escola terminou como vice-campeã do Grupo B, conquistando uma das melhores colocações daquele período.
2005: retorno ao comando
Os registros históricos voltam a apresentar Marcelo André como diretor da bateria da Inocentes no Carnaval de 2005.
A escola levou para a avenida o enredo “O ouro do lixo – De onde vai, para onde vem, reciclando com o pé no futuro” e terminou na quinta colocação do Grupo B.
Era o início de uma sequência que levaria Marcelo a alguns dos momentos mais importantes de sua trajetória.
2006: prêmio de Melhor Bateria
O Carnaval de 2006 marcou um dos grandes reconhecimentos do trabalho realizado sob o comando de Marcelo.
A Inocentes apresentou o enredo “A lenda das sereias, rainhas do mar” e terminou na terceira colocação do Grupo B.
Marcelo André comandou uma bateria formada por 220 ritmistas.
Naquele mesmo Carnaval, a bateria da Inocentes recebeu o Troféu Jorge Lafond de Melhor Bateria do Grupo B, com Mestre Marcelo André à frente do segmento.
O prêmio consolidou o reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo mestre.
2007: Inocentes fica perto do título
Marcelo continuou dirigindo a bateria no Carnaval de 2007.
Com o enredo “Chatô – A fanfarra do homem mais sério e engraçado do Brasil”, a Inocentes terminou como vice-campeã do Grupo B.
O resultado colocou novamente a escola entre as principais concorrentes ao acesso.
2008: título histórico da Inocentes
O Carnaval de 2008 tornou-se um dos capítulos mais importantes da história de Mestre Marcelo na agremiação.
Com o enredo “Ewe, a cura vem da floresta”, a Inocentes entrou na avenida com uma bateria de 180 ritmistas comandados por Marcelo André.
Na apuração, veio a conquista: a Inocentes de Belford Roxo foi campeã do Grupo B, garantindo a promoção para o Grupo A.
Marcelo estava, portanto, à frente da bateria em uma das principais conquistas da história da escola.
Trabalho garantiu permanência para 2009
Poucos meses depois do título, a Inocentes anunciou a permanência de Mestre Marcelo no comando da bateria para o Carnaval seguinte.
Além de continuar dirigindo os ritmistas, ele também recebeu a responsabilidade de participar de uma oficina destinada à formação de novos integrantes da bateria.
A iniciativa atendia homens e mulheres interessados em aprender percussão e ingressar no segmento.
2009: bateria chega a 250 ritmistas
No Carnaval de 2009, já no Grupo A, a Inocentes homenageou Leonel Brizola com o enredo “Do Rio Grande do Sul ao Rio de Janeiro a Inocentes canta: Brizola, a voz do povo brasileiro”.
Mestre Marcelo comandou naquele desfile uma bateria formada por 250 ritmistas.
A escola levou aproximadamente 2.600 componentes para a avenida.
Era uma das maiores formações de bateria comandadas por Marcelo nos registros encontrados de sua trajetória.
Nota máxima e formação de novos sambistas
Após o Carnaval de 2009, Marcelo continuou trabalhando na preparação da Cadência da Baixada.
Em junho daquele ano, durante o início dos ensaios para a temporada seguinte, Mestre Marcelo destacou que a bateria havia conquistado nota máxima no Carnaval de 2009.
O trabalho também tinha uma dimensão de formação.
A Inocentes oferecia aulas gratuitas de percussão para pessoas de diferentes idades, permitindo que novos integrantes aprendessem os instrumentos e pudessem futuramente fazer parte da bateria.
Mestre Marcelo também ajudou a formar outros profissionais
A influência de Marcelo ultrapassou os desfiles da Inocentes.
Uma reportagem sobre a trajetória do mestre de bateria Josué Lourenço relata que ele chegou à Inocentes em 2007 por intermédio de Djalma e Mestre Marcelo André.
Marcelo passou a ensiná-lo e posteriormente o levou para conhecer e trabalhar em outras escolas de samba.
Josué seguiria carreira passando por diferentes agremiações do carnaval carioca.
O relato mostra uma característica importante do legado de Marcelo: o conhecimento acumulado por ele foi transmitido para uma nova geração de ritmistas e profissionais do samba.
Trajetória também passou por outras escolas
A carreira de Mestre Marcelo não ficou restrita à Inocentes.
Registros publicados em 2019 apontam passagens por Unidos da Ponte, Unidos de Vila Santa Tereza e Arrastão de São João, além da própria Inocentes de Belford Roxo.
Essa trajetória mostra que seu conhecimento de bateria também foi levado para outras agremiações.
2019: novo capítulo na Independentes de Olaria
Em 16 de janeiro de 2019, Marcelo André foi anunciado como presidente da bateria Alcateia do Ritmo, da Independentes de Olaria.
Na ocasião, trabalharia ao lado de Mestre Marquinhos Swing na preparação da bateria para o carnaval.
A reportagem publicada na época informava que Marcelo tinha 48 anos naquele momento.
O próprio mestre contou ainda que havia pensado em se afastar do samba, mas decidiu aceitar o convite para integrar o projeto da Independentes de Olaria.
Sua função também incluía auxiliar no desenvolvimento técnico dos ritmistas.
Uma história marcada por bateria, títulos e formação
Os registros históricos permitem reconstruir uma longa trajetória de Mestre Marcelo dentro do carnaval.
Sua ligação com a Inocentes remontava a 1993.
Ele aparece oficialmente dirigindo a bateria da escola em diferentes carnavais, comandou grupos com mais de 200 ritmistas, conquistou reconhecimento como Melhor Bateria, participou do título de 2008, ajudou na formação de novos sambistas e posteriormente levou sua experiência para outras agremiações.
Mais de duas décadas de registros ajudam a mostrar o tamanho de sua importância para o samba de Belford Roxo.
Inocentes se despede de Mestre Marcelo
Ao anunciar sua morte, a Inocentes de Belford Roxo escolheu lembrar justamente os anos em que Marcelo conduziu a Cadência da Baixada.
Sua passagem ficou registrada nos títulos, nas notas, nas apresentações, nos ritmistas que estiveram sob seu comando e nos profissionais que aprenderam com ele.
Mestre Marcelo André passa a fazer parte definitivamente da memória da escola e do carnaval de Belford Roxo.
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