
O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral Filho foi condenado por improbidade administrativa em um processo que investigou um esquema de regalias durante o período em que esteve preso. Entre os benefícios apontados estão TV de 65 polegadas, home theater, equipamentos de musculação, eletrodomésticos, colchão diferenciado e alimentação fora do padrão do sistema penitenciário.
A decisão da 4ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) determina que Cabral pague R$ 1 milhão por danos morais coletivos, além de multa equivalente a 12 vezes sua última remuneração como governador. A decisão ainda pode ser contestada por meio de recurso.
O julgamento representa mais um capítulo do extenso histórico judicial do ex-governador, que, no auge de suas condenações criminais, chegou a acumular 425 anos e 20 dias de prisão.
TV de 65 polegadas, home theater e estrutura diferenciada
As irregularidades analisadas ocorreram durante o período em que Cabral esteve na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, e na Penitenciária Bandeira Stampa, Bangu 8, no Complexo de Gericinó.
Segundo as informações divulgadas sobre o processo, foram identificados itens e condições diferenciadas, como televisão de 65 polegadas, aparelho de home theater, equipamentos para exercícios físicos, eletrodomésticos, colchão diferenciado e alimentos que não faziam parte da rotina normal da unidade.
Também foram apontadas facilidades envolvendo visitas e uma estrutura destinada à exibição de filmes.
Para a Justiça, o conjunto de irregularidades não representou apenas falhas administrativas isoladas. O entendimento foi de que havia uma estrutura destinada a favorecer Cabral e dificultar os mecanismos de controle e fiscalização.
Justiça determina pagamento de R$ 1 milhão
Além da multa equivalente a 12 vezes sua última remuneração como governador, Cabral foi condenado ao pagamento de R$ 1 milhão por danos morais coletivos.
O dinheiro referente aos danos morais coletivos deverá ser destinado ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos.
Outras seis pessoas também foram condenadas no processo, incluindo o ex-secretário estadual de Administração Penitenciária Erir Ribeiro Costa Filho e cinco agentes penitenciários.
Para eles, a Justiça determinou pagamento de R$ 100 mil por danos morais coletivos para cada um, além de multa equivalente a cinco vezes a última remuneração recebida nos respectivos cargos.
Cabral já chegou a acumular 425 anos de prisão
A nova decisão chama atenção também pelo histórico judicial de Sérgio Cabral.
Em 2022, o ex-governador chegou ao impressionante total de 425 anos e 20 dias de prisão, distribuídos em 23 condenações.
As ações envolviam diferentes crimes, entre eles corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades relacionadas a contratos públicos.
O número, porém, representava a soma das penas aplicadas em processos diferentes e nunca significou que Cabral permaneceria literalmente mais de quatro séculos atrás das grades.
Com o passar dos anos, parte dessas condenações foi anulada ou modificada pelos tribunais.
Penas passaram de 425 para 274 anos
Um levantamento publicado em março de 2026 apontou uma mudança significativa no cenário.
Naquele momento, Cabral respondia a 34 ações penais e tinha condenações em 17 delas, com penas que somavam 274 anos, 3 meses e 24 dias de prisão.
A redução em relação aos 425 anos acumulados anteriormente ocorreu após anulações e revisões de diferentes sentenças.
Portanto, não é juridicamente correto afirmar que Cabral atualmente tenha “274 anos para cumprir”. Esse número representa o somatório das penas contabilizadas naquele levantamento, enquanto a situação de cada condenação depende do andamento dos respectivos processos, recursos e decisões posteriores.
Nova condenação não acrescenta anos de cadeia
Apesar de Cabral ter sido novamente condenado, o processo das regalias não acrescenta novos anos de prisão.
A decisão é relacionada a improbidade administrativa, com consequências de natureza cível. Neste caso, as principais sanções divulgadas são o pagamento de R$ 1 milhão por danos morais coletivos e a multa.
Essa diferença é importante porque as centenas de anos associadas ao nome do ex-governador resultam de condenações criminais em outros processos, e não desta nova decisão.
Preso por mais de seis anos, Cabral está em liberdade
Sérgio Cabral foi preso em novembro de 2016, durante a Operação Calicute, um dos desdobramentos da Lava Jato no Rio de Janeiro.
Após permanecer mais de seis anos preso, deixou o sistema penitenciário em dezembro de 2022, inicialmente para cumprir prisão domiciliar.
Atualmente, Cabral está em liberdade.
Assim, três números ajudam a entender a dimensão de seu histórico judicial: 425 anos e 20 dias foi o maior somatório de penas que chegou a acumular; 274 anos, 3 meses e 24 dias era o total apontado em levantamento publicado em 2026 após anulações e revisões; e R$ 1 milhão é o valor dos danos morais coletivos determinado na nova condenação pelas regalias.
A decisão sobre as regalias ainda admite recurso e não acrescenta uma nova pena de prisão ao ex-governador.
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