
Mais de 33 mil notificações já foram enviadas no país e 6.052 celulares foram recuperados em uma única operação; saiba como consultar o IMEI e evitar problemas ao comprar um aparelho de segunda mão
Quem comprou um celular usado precisa ficar atento. Mais de 33 mil notificações já foram enviadas no país a pessoas identificadas utilizando aparelhos relacionados a registros de crime. Somente em uma operação realizada em agosto, 6.052 celulares foram recuperados em 23 unidades da Federação.
A estratégia das forças de segurança permite localizar telefones registrados como roubados ou furtados que voltaram a ser utilizados. A medida também acende um alerta para consumidores que podem ter adquirido um aparelho de segunda mão sem conhecer sua verdadeira procedência.
No Rio de Janeiro, esse modelo ganhou força com a Operação Rastreio, da Polícia Civil, criada para recuperar aparelhos e avançar sobre a cadeia responsável por roubos, furtos e receptação de celulares.
Mais de 33 mil notificações já foram enviadas
O rastreamento ganhou dimensão nacional.
Dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em agosto de 2026 apontam que 33.606 notificações já haviam sido enviadas a pessoas identificadas utilizando aparelhos registrados como produtos de crime.
Somente durante a Operação Última Chamada, realizada entre os dias 10 e 19 de agosto, foram recuperados 6.052 celulares em 23 unidades da Federação.
A mobilização também resultou em 97 prisões em flagrante e 227 estabelecimentos fiscalizados.
Os números mostram que o combate ao roubo e furto de celulares passou a mirar não apenas quem pratica o crime, mas também o caminho percorrido pelo aparelho depois que ele deixa as mãos da vítima.
Como a polícia consegue localizar o aparelho?
Uma das principais ferramentas é o IMEI, código único de identificação de cada dispositivo.
Com o cruzamento de informações sobre aparelhos registrados como roubados, furtados ou extraviados, as autoridades conseguem identificar telefones que voltaram a ser utilizados.
Trocar o chip não apaga a identificação original do aparelho. Enquanto o chip está relacionado à linha telefônica, o IMEI identifica o próprio dispositivo.
Esse cruzamento de dados permite que as investigações avancem até o atual usuário e, a partir dele, tentem reconstruir o caminho percorrido pelo celular.
E quem comprou sem saber que o celular era roubado?
Essa é uma das principais dúvidas dos consumidores.
Uma pessoa pode adquirir um telefone acreditando estar realizando uma negociação legítima e descobrir posteriormente que o aparelho possui registro de roubo ou furto.
Receber uma comunicação policial não significa automaticamente que o atual usuário participou do crime que deu origem ao registro. As circunstâncias da aquisição e a procedência do telefone precisam ser esclarecidas.
Por isso, nota fiscal, comprovante de pagamento, anúncio utilizado na compra, conversas com o vendedor e identificação de quem realizou a venda devem ser preservados.
Esses elementos podem ajudar a demonstrar como e de quem o aparelho foi adquirido.
Recebeu uma intimação? Saiba o que fazer
O primeiro passo é verificar se a comunicação é realmente oficial.
Quem receber uma mensagem relacionada a um aparelho com possível registro de roubo ou furto deve confirmar sua autenticidade diretamente com a autoridade policial indicada.
Alguns cuidados são importantes:
- não ignore uma comunicação depois de confirmar que ela é legítima;
- confirme os dados diretamente com a unidade policial responsável;
- não clique em links suspeitos;
- não forneça senhas, códigos bancários ou informações desnecessárias;
- preserve comprovantes, anúncios e conversas mantidas com o vendedor;
- não venda ou repasse o aparelho depois de tomar conhecimento da possível restrição;
- em caso de dúvida sobre eventual responsabilização, procure orientação jurídica.
Polícia Civil do Rio já utiliza intimações pelo WhatsApp
No Rio de Janeiro, o procedimento não começou agora.
Em junho de 2025, a Polícia Civil informou que pessoas identificadas na posse de celulares roubados ou furtados seriam intimadas através de mensagens enviadas pelos números institucionais das delegacias no WhatsApp.
Naquela etapa da Operação Rastreio, o prazo divulgado para apresentação voluntária do aparelho era de 72 horas.
Em outubro de 2025, uma nova fase resultou no envio de mais de 4,2 mil mensagens de intimação para usuários de aparelhos identificados como roubados.
Além de recuperar os telefones, as autoridades podem utilizar as informações fornecidas pelos atuais usuários para tentar chegar a vendedores, receptadores e estabelecimentos envolvidos na circulação clandestina dos aparelhos.
Cuidado com falsas intimações
O uso de mensagens digitais pelas autoridades também exige atenção para tentativas de golpe.
Logotipo da Polícia Civil, linguagem formal ou informações sobre determinado aparelho não são suficientes, isoladamente, para comprovar que uma mensagem é verdadeira.
Nas comunicações oficiais da Operação Rastreio divulgadas em etapas anteriores, o prazo informado para apresentação voluntária dos aparelhos chegou a ser de 72 horas.
Isso não significa que toda comunicação com prazo diferente seja falsa. Procedimentos e prazos podem mudar conforme a operação.
Por isso, a recomendação mais segura é: recebeu uma comunicação inesperada? Confirme diretamente com a autoridade responsável antes de clicar em links, fornecer dados ou seguir qualquer instrução.
Vai comprar? Consulte o IMEI antes de pagar
A melhor forma de evitar problemas começa antes de fechar negócio.
Para descobrir o IMEI, uma das maneiras mais simples é digitar no aparelho:
*#06#
O código também pode ser encontrado nas configurações do telefone, na embalagem original ou na nota fiscal.
O Ministério da Justiça mantém ferramentas relacionadas ao Celular Seguro e ao Cadastro Nacional de Celulares com Restrição, que permitem ao cidadão verificar informações relacionadas ao aparelho.
Antes de comprar um telefone de segunda mão:
- confira o IMEI;
- verifique a procedência;
- exija nota fiscal ou documentação disponível;
- identifique corretamente o vendedor;
- guarde comprovantes de pagamento e conversas;
- desconfie de preços muito abaixo do mercado.
O preço baixo pode deixar de ser vantagem no momento em que o aparelho é identificado pelas autoridades.
Mercado de celulares roubados está na mira
O objetivo das operações vai além da recuperação dos dispositivos.
As autoridades procuram atingir a estrutura que transforma roubos e furtos em dinheiro, identificando pontos de receptação e pessoas envolvidas na comercialização dos aparelhos.
No Rio de Janeiro, uma ação realizada na região da Feira da Pavuna, em agosto de 2026, terminou com quatro pessoas presas, 14 conduzidas à delegacia e 60 celulares apreendidos. Segundo a Polícia Civil, a região era monitorada por suspeita de comercialização clandestina de aparelhos roubados e furtados.
A estratégia busca atingir também a demanda que mantém esse mercado funcionando: quanto mais difícil for comercializar um aparelho roubado, menor será seu valor dentro da cadeia criminosa.
Para o consumidor, o alerta é simples: consulte o IMEI antes de pagar, saiba de quem está comprando e guarde provas da negociação. Alguns minutos de verificação podem evitar um problema muito maior depois.
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