
O senador e candidato ao governo de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), disse durante o debate entre candidatos, realizado pela Band neste domingo (16/8), que apoia a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à presidência da República. O Republicanos anunciou que adotaria a neutralidade nas eleições presidenciais. Em Minas Gerais, o PL tem como candidato ao governo do Estado o empresário e presidente afastado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe.
“Pela minha demora, eles lançaram o Flávio [Roscoe] aqui, mas eu deixei bem claro que o meu apoio é ao Flávio Bolsonaro, com quem eu vou fazer campanha nesses 45 dias. Então, para acabar com essa ladainha de que eu estou neutro, eu não estou neutro não”, afirmou.
O senador também disse que não conseguiu uma aliança formal com PL devido à demora na definição de sua candidatura ao governo. “Aconteceu que o partido [Republicanos] demorou para me dar a vaga, eu que perdi o palanque”, afirmou.
Durante o terceiro bloco do debate, o governador e candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD), perguntou a Cleitinho como pretende compensar as prefeituras pela queda no recolhimento do IPVA, decorrente do seu plano de deixar de apreender veículos que não pagarem o imposto. O senador rebateu. “Não vou zerar o IPVA, apenas o Estado não vai mais apreender o veículo. Eu sei bem a situação do Estado”, disse Cleitinho.
Simões disse que conversou há menos de dois meses com o senador sobre um projeto para reduzir a alíquota de IPVA, mas seria necessário compensar os municípios de alguma forma. “Podemos reduzir os impostos, mas isso vai demandar responsabilidade”, disse Simões.
O ex-prefeito e candidato Alexandre Kalil (PDT) voltou a criticar as isenções fiscais a empresas promovidas pela gestão de Simões, que neste ano giram em torno de R$ 25 bilhões e, em 2027, vão ultrapassar R$ 27 bilhões.
Flávio Roscoe disse que criticar benefício fiscal mostra desconhecimento sobre como funcionam os impostos. “Se acaba com o incentivo fiscal e os outros Estados continuam dando incentivos, todas as empresas saem do Estado e não iria atrair empresas e gerar impostos. Uma parte é incentivo e uma parte é paga pelas empresas. E tem candidato falando que vai acabar com incentivo fiscal, mas a reforma tributária já vai acabar com os incentivos, tem data e hora para acabar”, criticou Roscoe.
O candidato do PL também defendeu, em outro momento, priorizar a universalização do saneamento básico no Estado. “Hoje a maior fonte de poluição no Estado é a falta de tratamento de esgoto. Isso precisa ser rapidamente resolvido”, disse.
Em outro momento, o candidato Gabriel Azevedo (MDB) criticou Simões, dizendo que ele descumpriu a promessa de reajuste salarial às forças policiais e disse que a falta de comando e de palavra fez com que as facções criminosas chegassem a Minas Gerais. E aproveitou para criticar Cleitinho. “Eu não vou me fantasiar de policial para subir morro como você faz, Cleitinho. Eu assumo o compromisso de cuidar do salário dos policiais. Tem muita gente aqui que está do lado de bandido”, disparou Gabriel.
Cleitinho, por sua vez, disse que é contra o uso de câmeras nos uniformes de policiais.
No quarto bloco, o candidato Alexandre Kalil (PDT) disse que vai colocar o transporte público nos eixos se for eleito. “Nós seguramos o preço da passagem de ônibus sem dar subsidio para as empresas de ônibus. Só foram dar subsídio depois que eu aí. Eu vou fazer o que eu sei fazer. O transporte vai entrar no eixo, não vai ter corrupção, não vai ter dinheiro para dono nenhum. E ferrovia temos primeiro que fazer funcionar o que tem. E vamos buscar o dinheiro do governo federal porque ninguém faz nada sem dinheiro”, disse Kalil.
Perguntado sobre a fila de cirurgias na área de saúde, Simões disse que o tempo de espera para realização de cirurgias teve uma redução muito grande e que o Estado agora paga os hospitais por produção, em vez de pagar um valor fixo para os hospitais independentemente da quantidade de cirurgias realizadas.
Gabriel e Kalil protagonizaram uma altercação durante o debate. Gabriel disse que Kalil era descontrolado. “Você não consegue se controlar, e quem não consegue se controlar vai ter muita dificuldade de governar o Estado”, afirmou Gabriel, depois de ser acusado por Kalil de soberba e de usar um “tom professoral”.
Em outro momento, quando respondia a uma pergunta feita por Roscoe, Gabriel voltou a criticar Kalil.
“Eu não vou mentir, como o Kalil, dizendo que criou a Casa de Apoio, sendo que ela já existia”, disse, fazendo referência a uma fala do ex-prefeito sobre ações de proteção à mulher na sua gestão.
Kalil ficou irritado e tentou responder fora da sua vez. Os dois começaram um bate-boca e os jornalistas ameaçaram cortar os microfones de ambos para dar continuidade ao debate.
Após o evento, Cleitinho disse que não vai mais participar de debates, a não ser o último, que deve ser realizado na semana da eleição, pela TV Globo.
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