
Belford Roxo está no centro de uma investigação da Polícia Civil sobre um esquema criminoso que teria movimentado pelo menos R$ 4 milhões em aproximadamente três anos. Segundo os investigadores, vítimas eram atraídas ao município por meio de falsos anúncios de veículos publicados na internet e, ao chegarem aos locais combinados, eram rendidas e obrigadas a realizar transferências bancárias.
A investigação resultou na Operação Market Fake II, deflagrada nesta quarta-feira (12) pela 23ª DP (Méier). De acordo com a Polícia Civil, o esquema teria ligação com criminosos do Terceiro Comando Puro (TCP) e movimentava recursos provenientes de roubos, extorsões e estelionatos.
Falsos anúncios levavam vítimas até Belford Roxo
O funcionamento do golpe começava na internet. Criminosos anunciavam veículos em plataformas digitais e estabeleciam contato com pessoas interessadas na compra.
Segundo a Polícia Civil, as vítimas eram então direcionadas para endereços em Belford Roxo, onde acreditavam que encontrariam o vendedor e o veículo anunciado.
Ao chegarem ao local combinado, porém, eram rendidas e mantidas sob o poder dos criminosos.
Ainda conforme os investigadores, as vítimas eram obrigadas a realizar transferências bancárias, além de terem dinheiro e outros pertences roubados.
A estratégia transformava anúncios aparentemente comuns de compra e venda em uma armadilha para levar as vítimas diretamente aos locais escolhidos pelo grupo.
Grupo também utilizava falsos aluguéis e boletos
Os investigadores identificaram que o esquema não estaria restrito à negociação de veículos.
A apuração também encontrou indícios de anúncios falsos de aluguel de imóveis e adulteração de boletos de contas de energia elétrica.
As diferentes modalidades seriam utilizadas para ampliar a obtenção de dinheiro e alimentar a estrutura financeira investigada pela polícia.
Desempregados eram recrutados para publicar anúncios
Um dos pontos que chamaram a atenção durante a investigação foi a maneira utilizada para dificultar a identificação dos responsáveis pelo esquema.
Segundo a Polícia Civil, pessoas, geralmente desempregadas, eram recrutadas e pagas para produzir e publicar os anúncios fraudulentos nas plataformas digitais.
A utilização de terceiros ajudaria a criar uma distância entre os responsáveis pelo esquema e os perfis usados diretamente para abordar as vítimas.
Agora, os investigadores trabalham para estabelecer a participação de cada pessoa identificada e descobrir quem efetivamente controlava a estrutura financeira.
R$ 4 milhões movimentados em cerca de três anos
De acordo com a investigação, o esquema teria movimentado pelo menos R$ 4 milhões ao longo de aproximadamente três anos.
Uma das principais frentes da Operação Market Fake II é justamente identificar o caminho percorrido pelo dinheiro e chegar às pessoas responsáveis por receber, movimentar e ocultar os recursos provenientes dos crimes.
A polícia também busca novos elementos que possam revelar outros integrantes e ampliar o alcance da investigação.
Operação cumpre 17 mandados
A Operação Market Fake II prevê o cumprimento de quatro mandados de prisão e 13 mandados de busca e apreensão, totalizando 17 ordens judiciais.
As diligências alcançam Belford Roxo, Araruama e São Gonçalo, no estado do Rio de Janeiro, além de Cubatão, em São Paulo.
A ação é conduzida pela 23ª DP (Méier) e conta com apoio de departamentos da Polícia Civil do Rio de Janeiro, da Polícia Civil de São Paulo e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos, individualizar as responsabilidades e rastrear os valores movimentados pelo esquema.
Polícia alerta para golpes em anúncios na internet
O caso reforça a necessidade de atenção durante negociações iniciadas em plataformas digitais.
Ofertas de veículos ou imóveis com valores muito abaixo dos praticados no mercado devem ser verificadas com cuidado. Também é importante confirmar a identidade do vendedor, a existência e documentação do bem e evitar pagamentos antecipados antes de comprovar a legitimidade da negociação.
Em situações nas quais o encontro presencial seja necessário, medidas de segurança podem reduzir os riscos, especialmente quando o vendedor é desconhecido.
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