
O presidente e pré-candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 40% das intenções de voto no primeiro turno e o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem 28%, segundo pesquisa Genial/ Quaest divulgada nesta quarta-feira (15). No segundo turno, Lula registra 45% e Flávio, 37%.
Em relação à pesquisa anterior do instituto, de junho, Lula oscilou um ponto percentual para cima e Flávio, um ponto percentual para baixo nos dois turnos. No primeiro turno, Lula foi de 39% para 40% e no segundo turno, de 44% para 45%. Já Flávio passou de 29% para 28% no primeiro turno e no segundo, de 38% para 37%.
É a primeira pesquisa divulgada pela Quaest depois da publicação de um vídeo pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) com críticas a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), expondo publicamente a briga dentro da família Bolsonaro. No vídeo, divulgado por Michelle em 24 de junho em suas redes sociais, a ex-primeira-dama disse ter sido humilhada e maltratada pelo senador, e afirmou que não estava apoiando a pré-candidatura dele.
Lula e Flávio continuam polarizando a disputa presidencial. No primeiro turno, os eleitores indecisos somam 11% e os que disseram que vão anular, votar em branco ou não vão votar são 8% – percentuais maiores do que os registrados pelos demais pré-candidatos à Presidência. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) tem 4%, seguido por Renan Santos (Missão), com 3%. O ex-governador Romeu Zema (Novo) aparece com 2%. Cabo Daciolo (Mobiliza), Augusto Cury (Avante), Joaquim Barbosa (DC) e Samara Martins (UP) têm, cada um, 1%. Os demais pré-candidatos não pontuaram. Na pesquisa anterior, de junho, o deputado Aécio Neves (PSDB-MG) constava entre os nomes testados, mas o parlamentar anunciou que não disputará a Presidência.
Dos entrevistados, 65% disseram que a escolha de voto é definitiva e 35% disseram que podem mudar.
Em um eventual segundo turno, Lula venceria Flávio por 45% a 37%. Nesse cenário, votos em branco e nulo somam 14% e indecisos são 4%.
O levantamento também foi feito depois de um outro revés enfrentado por Flávio, com a proibição de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro nos próximos três meses, até depois do primeiro turno. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu as visitas de Flávio a Bolsonaro depois que o pré-candidato leu no sábado (11), em uma transmissão pela internet, uma carta escrita por Jair Bolsonaro para reafirmar a pré-candidatura e o papel do senador como seu porta-voz. Moraes considerou que Flávio desrespeitou a proibição do ex-presidente de usar as redes sociais “diretamente ou por intermédio de terceiros”. Bolsonaro está preso e cumpre neste momento prisão domiciliar.
Crises na pré-campanha de Flávio
A pré-campanha de Flávio enfrenta sucessivas crises há dois meses, desde a divulgação do pedido de dinheiro feito pelo senador ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master. Em áudio divulgado pelo portal Intercept Brasil em maio, o presidenciável cobrou o pagamento de recursos para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em um caso ainda sob investigação da Polícia Federal.
No fim de maio, depois da divulgação do pedido de dinheiro de Flávio a Vorcaro, o presidenciável trocou o marqueteiro e a equipe de comunicação, em meio a críticas de aliados pela demora e pela falta de estratégia para responder sobre o caso. O senador foi para os Estados Unidos para tentar mudar a pauta e reuniu-se com o presidente americano Donald Trump, em encontro com a presença do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. No entanto, pouco depois da viagem, Flávio desgastou-se novamente após o anúncio de um novo tarifaço pelo presidente dos Estados Unidos.
Alvo de críticas do governo federal por atuar contra os interesses do país, Flávio viajou novamente aos Estados Unidos no início do mês e tentou argumentar ao governo Trump que a sobretaxa neste momento ajudaria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições. No ano passado, no entanto, quando Trump anunciou o primeiro tarifaço contra o Brasil, Flávio e Eduardo apoiaram a medida para tentar garantir uma anistia a Bolsonaro e condicionaram o fim da sobretaxa à anistia. Nesta quarta-feira (15), o governo americano deve anunciar se aplicará novas tarifas a produtos brasileiros.
A nova rodada da pesquisa foi feita depois de uma crise envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA), aliado histórico de Lula e agora ex-líder do governo no Senado. O senador deixou o cargo de liderança em 24 de junho, dias depois de ser incluído na lista de alvos da 9ª fase da Compliance Zero, operação que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. A Polícia Federal investiga se o senador teria recebido pagamentos e benefícios em troca de apoio por medidas no Congresso que ajudariam o Banco Master, como a chamada “Emenda Master”. Jaques Wagner nega irregularidades.
A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-07181/2026. O instituto realizou 2004 entrevistas entre os dias 10 e 13 de julho. O levantamento foi contratado pelo Banco Genial e custou R$ 433.255,00.
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