
Em meio à volatilidade do dólar, reconfiguração geopolítica global, mudanças nas cadeias de suprimentos e ciclos econômicos mais imprevisíveis, empresas do middle market são pressionadas a tomar decisões em um cenário marcado por variáveis que muitas vezes escapam ao controle. O desafio de equilibrar proteção de margens e oportunidades de crescimento tem deixado companhias para trás. De acordo com o relatório Raio-X de Médias Empresas Brasileiras, da Fundação Dom Cabral (FDC), apenas 22,1% das organizações atingiram a chamada alta taxa de crescimento entre 2022 e 2024.
“A maioria dos empresários conhece seu modelo de negócio com profundidade, porém, ainda sente falta de apoio na construção de um dashboard de risco que garanta visibilidade de ameaças e melhore a capacidade de tomada de decisão”, analisa Fábio Villa, diretor comercial do Itaú BBA, responsável por middle market, corporate banking, multinacionais e tech companies.
Na avaliação do executivo, o segmento de empresas de médio porte no país ainda é marcado por uma gestão intuitiva, com operações centralizadas pelo fundador, que acaba imerso no tático. Para ele, embora isso permita elevado grau de controle, frequentemente limita a adoção de mecanismos formais de governança, monitoramento e planejamento.
É justamente nesse ponto que informação, visão de mercado regional e global e capacidade analítica passam a desempenhar papel estratégico. “A função do banco é apresentar os fatos e possíveis implicações no negócio. Sentamos com o empresário para analisar as variáveis que ele enxerga e traduzimos os movimentos macroeconômicos em impactos concretos sobre margens, investimentos e estratégias de crescimento para ajudar na tomada de decisões”, explica Davi Caixe, diretor das mesas clientes da tesouraria do Itaú BBA.
A instituição entende que é necessário capacitar os clientes, ofertando acesso à informação de qualidade e advisory. “Criamos uma relação de confiança que sai da lógica de ser um banco apenas de soluções financeiras. Somos também provedores de conteúdo de qualidade que faz a diferença na sustentabilidade das operações”, pondera Villa.
O CÂMBIO E O MIDDLE MARKET
Entre as variáveis que mais mobilizam empresários está o comportamento da moeda americana. “Todos os negócios, independentemente do porte ou segmento, são afetados pelo câmbio em alguma medida”, afirma o diretor comercial do Itaú BBA. Ele diz que, além das exposições diretas, como acontece com os exportadores, para os quais o câmbio impacta a margem, há as influências indiretas, embutidas nos insumos e em toda a cadeia de custos, com mapeamento mais complexo. “Uma padaria tem seus gastos diretos em reais, mas o trigo é dolarizado, o petróleo impacta as questões logísticas do supply chain e por aí vai”, exemplifica.
Entretanto, apesar do cenário instável, Caixe observa que a volatilidade cambial não é novidade para o empresariado brasileiro. “O país convive historicamente com movimentos relevantes de câmbio, o que muda é somente a natureza do fato que gerou a oscilação. O executivo sabe que precisa estar preparado para lidar com a imprevisibilidade”, diz.
Para os especialistas do banco, mais importante do que acompanhar a cotação diária do dólar é compreender os fatores estruturais que sustentam as mudanças do mercado e seus potenciais efeitos sobre cada modelo de negócio. “Esse é o nosso papel e trabalhamos de forma personalizada para construir dashboards de risco adequados a cada cliente”, complementa Villa.
INSTRUMENTOS DE PROTEÇÃO
Empresas importadoras ou que tenham exposições diretas à moeda estrangeira tendem a sentir mais intensamente os efeitos das oscilações cambiais. Nesses casos, a variação do dólar pode comprometer as margens de lucro, afetar o fluxo de caixa e dificultar o planejamento financeiro. Para mitigar esses riscos, os especialistas recomendam certos instrumentos de proteção cambial como forma de hedge.
“O termo de moeda [NDF] é uma das proteções indicadas que garante previsibilidade na gestão dos fluxos de caixa. Ao travar a taxa futura, o empresário se blinda e não tem de se preocupar com a flutuação do câmbio”, explica Caixe.
Outro derivativo utilizado para gestão de dívidas em moeda estrangeira é o swap, instrumento financeiro que permite a troca de fluxos de caixa em indexadores diferentes, criando sinteticamente uma dívida em reais. Entretanto, o executivo diz que a escolha do instrumento é apenas uma etapa do processo. Mais do que oferecer a proteção, ele explica que a instituição ajuda o cliente a quantificar a exposição cambial do negócio, dimensiona riscos envolvidos e recomenda as melhores soluções individualmente.
“Conhecemos as particularidades do CPF de quem está do outro lado da mesa e atuamos com inteligência de mercado by design para transformar as complexidades em vantagem competitiva”, justifica Villa.

Além de se apoiar em dados agregados do mercado para fazer um comparativo entre a saúde financeira de uma companhia e os concorrentes pares, o Itaú BBA estimula o benchmarking para acelerar processos de crescimento e transformação.
“Promovemos conexões entre os nossos clientes de diferentes portes e setores. Muitas vezes, empresas em estágios distintos de maturidade conseguem compar tilhar aprendizados práticos que geram valor imediato para os negócios. Essa troca é muito valiosa e tem mais peso do que uma narrativa do banco”, avalia Villa.
A agenda de relacionamento ainda inclui um hub de networking e iniciativas voltadas à internacionalização. Segundo o executivo, a presença global do banco em todos os continentes permite apoiar os empreendedores na prospecção de novos mercados e na construção de conexões comerciais fora do país.
“Em um ambiente de negócios cada vez mais complexo, acesso à informação, gestão de riscos e capacidade de relacionamento se tornaram fatores tão importantes quanto o próprio acesso ao crédito”, conclui.

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