
Um importante ministro do governo boliviano descartou nesta quinta-feira qualquer possibilidade de renúncia do presidente Rodrigo Paz e disse à Reuters que os apelos para que o presidente deixe o cargo em meio aos protestos em massa são “antidemocráticos”.
Protestos contra o governo e bloqueios têm estrangulado cadeias de abastecimento e interditado ruas nas principais cidades ao longo do último mês. Na quarta-feira, Paz deu passos em direção à decretação de estado de emergência, o que poderia levar tropas às ruas para restaurar a ordem.
O ministro da Presidência da Bolívia, José Luis Lupo, afirmou em entrevista que “não respeitar as instituições democráticas — e a própria democracia — equivale a tentar um golpe”. Ele destacou que Paz venceu as eleições de 2025 com 55% dos votos e estimou o número de manifestantes ativos em cerca de 30 mil, em comparação aos 3,5 milhões de votos recebidos pelo partido governista no ano passado.
O governo centrista de Paz enfrenta protestos liderados por sindicatos e grupos leais ao ex-presidente de esquerda Evo Morales, que argumenta que a estabilidade só retornará ao país se o presidente renunciar.
O conflito começou com uma greve de trabalhadores em maio, que evoluiu para bloqueios de rodovias, cortando o acesso às cidades vizinhas de La Paz e El Alto, onde vivem cerca de 2 milhões de pessoas.
Os manifestantes querem que o novo governo conservador reverta medidas de austeridade e enfrente o aumento do custo de vida.
Lupo, cuja função envolve coordenar a relação entre o gabinete presidencial e os ministérios, afirmou que o governo prioriza o diálogo com os manifestantes, mas considerará outras opções para garantir o transporte de combustível, alimentos e medicamentos.
“O estado de emergência ou pedidos de apoio internacional são completamente legais e legítimos e serão avaliados conforme a oportunidade e a necessidade”, afirmou Lupo.
Lupo disse ainda que instituições financeiras internacionais, incluindo o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o banco de desenvolvimento CAF, demonstraram apoio e compreensão.
“Eles entendem e são sensíveis a esse tipo de situação”, afirmou Lupo. “O que preocupa é a imagem do país, o turismo e a tentativa de mostrar o país ao mundo.”
Paz assumiu o cargo em novembro, prometendo abrir a Bolívia ao investimento privado estrangeiro em projetos ligados à mineração, hidrocarbonetos, lítio e energia.
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