
O auditor independente da Marisa aprovou as contas de primeiro trimestre da varejista com ressalvas sobre a falta de provisões para uma contingência tributária milionária e destacando incertezas relevantes sobre a capacidade da empresa de se manter em operação.
Segundo o parecer emitido pela BDO, o principal ponto de divergência que motivou a ressalva envolve a controlada indireta M Serviços, antiga M Cartões, que enfrenta processos administrativos e judiciais referentes à cobrança de imposto de renda e contribuição social por suposta omissão de receitas nos anos de 2011 e 2012.
A administração da Marisa classificou o risco de perda como “possível” e, com base nisso, optou por não contabilizar o passivo, mas o contador Roberto Camargo disorda dessa avaliação e afirma, no parecer, que a a empresa já foi notificada de decisões desfavoráveis dos casos entre 2022 e 2023.
Além disso, a própria Superintendência de Relações com Empresas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) chegou a determinar, no fim de 2025, o refazimento de balanços anteriores exigindo a constituição dessa provisão, revertendo a decisão posteriormente após recurso da Marisa.
Com base no estágio processual e nas normas contábeis, os auditores concluíram que o risco não é apenas possível e que a obrigação deveria ter sido reconhecida, sendo que a ausência desse registro distorce de forma relevante os números financeiros da varejista.
Segundo a BDO, caso a provisão tivesse sido feita, o patrimônio líquido da Marisa, o saldo de investimentos e o total de seu ativo não circulante estariam superavaliados em R$ 210,7 milhões. Além disso, o prejuízo consolidado do primeiro trimestre estaria subavaliado em R$ 4,88 milhões.
O parecer da BDO também incluiu um parágrafo de ênfase que chama a atenção para a fragilidade financeira da Marisa e o seu risco de continuidade operacional, dado que o passivo circulante da empresa, ou seja, as obrigações de curto prazo, superou o ativo circulante em R$ 441,3 milhões.
A diretoria da Marisa vem implementando ações para restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro e a posição patrimonial, mas a BDO afirma que essas condições “indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional da companhia”.
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