
As visões de democratas e republicanos nos Estados Unidos sobre o Brasil foram o tema de abertura do Summit Valor Brazil-USA 2026 nesta quarta-feira (13) em Nova York.
No painel “Inside Washington: Como o Congresso Americano Molda as Relações com o Brasil”, Joe Borelli, diretor-executivo do Chartwell Strategy Group (de linha republicana) e a analista política Mary Anne Marsh, sócia principal do Dewey Square Group (de linha democrata), trocaram impressões sobre as prioridades dos políticos dos dois partidos nas relações com o Brasil.
Os dois participantes também falaram sobre o que esperar do presidente Donald Trump em relação ao país. E sobre as eleições de meio de mandato nos EUA e das eleições presidenciais no Brasil.
O painel teve a mediação da jornalista Flávia Barbosa, editora-executiva dos jornais O Globo e Extra.
Borelli e Marsh afirmaram que o fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Trump não terem falado juntos com jornalistas após o encontro que tiveram na semana passada na Casa Branca indicou que não conseguiram chegar a um entendimento em temas centrais para ambos os lados.
Borelli citou alguns pontos que têm sido tratados como cruciais pelos republicanos atualmente – e que talvez tenham influenciado nas conversas. “O caminho para a cooperação, de acordo com os republicanos, tem a ver com minerais críticos e a ameaça representada pelo crescimento da influência da China na região”, disse ele.
“Há algo que eles não conseguiram chegar a um acordo”, concordou Marsh.
Para ela, esse impasse pode abrir brecha para novas medidas de Trump em relação ao Brasil. “Não é impossível que ele [Trump] faça alguma coisa antes das eleições de outubro no Brasil. Talvez as tarifas, que ele adora. Pode acontecer ou não”, afirmou ela.
Borelli lembrou que, sob a gestão de Trump, as relações dos EUA com outros países dependem, em parte, do nível de entendimento pessoal dele com os líderes dos países.
E, assim, como Marsh, ele aposta que a afinidade político-ideológico do presidente americano com setores da direita no Brasil vai acabar fazendo com que Trump dê declarações ou adote medidas que terão como objetivo influenciar as eleições presidenciais de outubro.
“Trump tem a capacidade e pode aparecer em qualquer jornal no Brasil ou aqui”, disse o analista. “Se houver uma oportunidade de influenciar as eleições no último minuto, acho que ele vai fazer isso.”
Enquanto brasileiros elegerão o próximo presidente em outubro, os americanos vão às urnas em novembro para escolher novos integrantes do Congresso. As duas eleições tendem a pautar as relações Brasil-EUA.
No caso dos EUA, pesam no momento a disparada dos preços da gasolina, em função da guerra entre EUA e Irã. No caso da relação EUA-Brasil, a questão-chave tende a ser algum acordo sobre minerais críticos brasileiros.
Borelli considera que o Brasil tem interesse em participar de um grupo de países de fornecedores dos EUA. E acrescenta: “As empresas americanas vão investir se acreditarem que haverá uma maneira segura de desenvolverem componentes para produtos americanos para atender às necessidades industriais [dos EUA].”
Na avaliação de Marsh, muito do que tem sido a tônica dos EUA na relação com outros países, incluindo Brasil — tarifas, regras sobre comércio e outros temas — vai mudar. “Tudo isso vai mudar se os democratas ganharem a maioria do Congresso.”
📢 Belford Roxo 24h – Aqui a informação nunca para
📞 WhatsApp da Redação: (21) 97915-5787
🔗 Canal no WhatsApp: Entrar no canal
🌐 Mais notícias: belfordroxo24h.com







