
Uma ala de deputados estaduais de oposição ao recém-eleito presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas, foi contra o movimento para esvaziar a votação desta sexta-feira (17). Para obstruir o pleito que escolheu o novo comando da Casa legislativa, parlamentares de dez partidos ligados ao ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) decidiram não comparecer à sessão. A ofensiva, porém, não foi suficiente para barrar a eleição.
Ruas foi eleito por 44 dos 45 deputados presentes na votação. O único que não votou a favor do novo presidente da Alerj foi o deputado Jari Oliveira (PSB), que se absteve. O parlamentar faz parte da oposição e furou o movimento dos aliados — postura que, nos bastidores, foi elogiada pelos pares que tentaram a obstrução.
O Valor apurou que a orientação para que os parlamentares da oposição não comparecessem à eleição foi dada pelo grupo de Eduardo Paes, que, na última semana, articulou de diversas maneiras para que a votação não ocorresse. Diante das tentativas frustradas de impedir o pleito, a ordem foi que ninguém participasse dele, mesmo já sabendo que não havia deputados suficientes para impossibilitar o quórum mínimo da sessão.
Nesta semana, a coligação pró-Paes tentou, primeiro, impedir o pleito durante a reunião do colégio de líderes da Assembleia, argumentando que a votação não deveria ser feita enquanto a sucessão do Estado não fosse resolvida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) — julgamento que está paralisado por pedido de vista do ministro Flávio Dino. Depois, o PSD entrou com ação no Tribunal de Justiça do Rio pedindo o adiamento da votação, mas o pedido foi negado sob justificativa de que esse era um assunto interno do Legislativo, e o Judiciário não poderia se envolver.
Em seguida, o PDT também acionou a Justiça para que o voto na eleição fosse secreto. O pedido também foi negado pelo Tribunal de Justiça, que também afirmou que essa era uma questão interna da Alerj. Na manhã desta sexta-feira (17), os pedetistas tentaram ainda adiar a votação com uma nova ação ao órgão colegiado do TJ, mas o processo não foi apreciado em tempo hábil antes da eleição. No início da sessão, o partido disse que tentaria, então, recorrer ao Supremo.
Com o cenário em que todas as ofensivas contra o pleito não foram bem-sucedidas, uma parte dos deputados da oposição considerou que a medida mais digna seria participar da votação. Parlamentares ouvidos pela reportagem afirmaram que o melhor seria ter votado, até mesmo para que Ruas não fosse eleito por “unanimidade” dos presentes.
A possibilidade de participar chegou a ser discutida entre a oposição, mas decisão final foi que os deputados subissem à galeria do plenário. Porém, nem todos o fizeram. Por parte do PSD, por exemplo, apenas um parlamentar, Luiz Paulo, ficou na galeria da Alerj. Os demais continuaram em seus gabinetes ou não foram à Casa legislativa.
Procurado, o deputado Jari Oliveira disse, em nota, que sua participação na votação era necessária, “especialmente diante do entendimento da Justiça favorável ao voto aberto”.
“Para ele [o deputado], todo parlamentar deve ter seu voto transparente, garantindo à população o direito de conhecer o posicionamento de seus representantes. Na eleição para a presidência, Jari optou pela abstenção, considerando que se tratava de uma candidatura em chapa única que não era apoiada pelo parlamentar”, continuou o comunicado do deputado.
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