
Após apresentar um balanço fraco em 2025, a Squadra, gestora que detém 6,98% da Hapvida, encaminhou nesta quarta-feira (1) carta à operadora de planos de saúde solicitando mudanças no conselho de administração e uma nova discussão sobre o processo sucessório da liderança da companhia. A operadora informou que o atual executivo-chefe (CEO), Jorge Pinheiro, deixará o posto e será substituído por Luccas Adib, atual vice-presidente financeiro.
“Entendemos que o atual processo de sucessão – que contempla a transição do atual CEO para uma posição de liderança no conselho de administração com funções executivas – é uma decisão de extrema relevância, devendo ser reavaliada pelo conselho a ser eleito na próxima assembleia geral ordinária.”
A Squadra está indicando três nomes para o conselho: Eduardo Parente (ex-Yduqs e presidente do conselho da Equatorial), Tania Sztamfater Chocolat (membro do board da Equatorial e Totvs) e Bruno Magalhães e Silva (sócio da Squadra).
A reunião está marcada para 30 de abril. A gestora pede que seja adotado o processo de voto múltiplo.
A Squadra alega que tentou negociar com a direção, no entanto, as tentativas foram frustradas e diante das propostas apresentadas pela administração para a próxima assembleia entende ser seu dever fiduciário, como acionista relevante, haver mudanças na composição do conselho de administração e “correções de rumo na condução dos negócios da companhia”.
A gestora destaca 13 pontos considerados cruciais, onde são pontuados problemas de gestão e governança, perda de valor de mercado, resultados negativos à despeito da recuperação do setor de saúde, reapresentação de balanços, remuneração elevada a executivos, prejuízos aos minoritários, entre outros.
A carta começa relatando que desde a abertura de capital da Hapvida, em abril de 2018, a composição do conselho de administração tem sido definida essencialmente pelos acionistas controladores, que sempre ocuparam cargos-chave na administração. “Ao longo desse período, observou-se uma sequência de decisões estratégicas, operacionais, de alocação de capital e de governança equivocadas que, em nossa visão, foram determinantes para a drástica redução do valor acionário da companhia, uma das maiores destruições de valor da história do mercado de capitais brasileiro.”
Desde o IPO, há oito anos, a ação da Hapvida acumula queda de 85%, comparada a uma alta do Ibovespa de 120% no mesmo período.
Entre as reclamações, a gestora diz que as alocações de capital destinadas às fusões e aquisições diluíram de forma relevante a exposição dos acionistas à operação original. E que houve integração mal executada dos ativos do Sudeste e Sul, cujos efeitos negativos persistem desde então – e sem perspectiva de reversão.
Desde a fusão com NotreDame Intermédica, há quatro anos, que abriu o mercado paulista à Hapvida, o valor de mercado da companhia acumula queda de R$ 80 bilhões, “não tendo sido capturadas, nem de perto, as sinergias anunciadas ao mercado à época da transação”.
A Hapvida encerrou o ano com prejuízo de R$ 237,6 milhões revertendo o lucro líquido de R$ 270 milhões, em 2024. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado caiu 11%, para R$ 3,3 bilhões. A taxa de sinistralidade subiu 4,5 pontos percentuais atingindo 75,5%, em dezembro.
A operadora terminou 2025 com 140 mil usuários de planos de saúde a menos, sendo que 120 mil eram de São Paulo – praça que a Hapvida está sofrendo para ter bons resultados.
Para a Squadra, houve uma elevação significativa da alavancagem financeira e cuja análise econômica adequada deve considerar provisões regulatórias, passivos de arrendamento e capital regulatório mínimo requerido.
Os gestores lembraram ainda que a companhia fez uma recompra de ações, em novembro, quando o papel caia quase 50% diante da divulgação de resultados fracos no terceiro trimestre. “Apesar de um patamar de alavancagem que pode vir a pressionar seu custo de capital, a companhia recentemente utilizou R$ 384 milhões de seu caixa para recomprar ações de sua própria emissão”.
Outro ponto abordado foi a reapresentação das demonstrações financeiras. A companhia identificou a necessidade de retificar saldos contábeis relativos aos exercícios de 2016 a 2023. Uma das correções reapresentadas foi a regularização de saldo contábil de depósitos e bloqueios judiciais – rubrica relacionada a temática de processos judiciais cíveis, que vem impactando consideravelmente os resultados.
Na visão da Squadra, há ainda o não reconhecimento de ‘impairment’ de ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill). “Temos dificuldade em conciliar a não imparidade (ainda que parcial) de um ágio de R$ 44 bilhões originado em aquisições realizadas pela companhia.”
Há ainda queixas sobre a introdução de ‘poison pill’ no estatuto, por proposta unanimemente aprovada pelo conselho de administração, limitando a participação de minoritários a 20% do capital social – enquanto o grupo controlador detinha, à época, cerca de 37% do capital. “Tal instrumento, na prática, encastela a família controladora, sem trazer benefício algum para a companhia ou para os minoritários.” A acionista alega que a medida foi aprovada em assembleia apesar da manifestação contrária da maioria dos minoritários.
O pacote de remuneração do CEO também foi destacado. No acumulado dos exercícios de 2023 e 2024, a remuneração total foi de aproximadamente R$ 110 milhões.
A gestora diz a Hapvida possui ativos de alta qualidade e posições competitivas relevantes em diversos mercados, mas nos últimos anos, tem enfrentado desafios significativos de governança, alocação de capital e execução em detrimento da geração de valor para os acionistas e demais stakeholders.
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