
Os combates entre o Paquistão e as forças militares do Talibã no Afeganistão entraram no terceiro dia neste sábado (28), enquanto governos estrangeiros expressavam crescente preocupação e pediam negociações urgentes.
Os ataques do Paquistão ontem (27) atingiram instalações e postos militares do Talibã, alguns deles em Cabul e Kandahar, em uma das incursões paquistanesas mais profundas no país vizinho nos últimos anos, disseram autoridades.
O Paquistão disse que estava respondendo a ataques transfronteiriços, enquanto Cabul reclamou de uma violação de sua soberania, afirmando que permanece aberta ao diálogo, mas advertindo que qualquer conflito mais amplo teria sérias consequências.
Temor de guerra prolongada
Os combates aumentaram o risco de um conflito prolongado ao longo da acidentada fronteira de 2,6 mil km.
Esforços diplomáticos ganharam ritmo no fim da sexta-feira, quando o Afeganistão informou que seu ministro das Relações Exteriores, Amir Khan Muttaqi, havia conversado com o príncipe Faisal bin Farhan, da Arábia Saudita, sobre a redução das tensões e a manutenção dos canais diplomáticos abertos.
A União Europeia instou ambos os lados a reduzir a escalada e se engajar no diálogo, enquanto as Nações Unidas pediram o fim imediato das hostilidades.
A Rússia pediu o retorno às negociações, enquanto a China afirmou estar profundamente preocupada e pronta para ajudar a aliviar as tensões.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos disse que o país apoia o direito do Paquistão de se defender contra ataques do Talibã.
Um funcionário americano, sob condição de anonimato, disse que Washington não vê o Paquistão como o agressor e que Islamabad está sob pressão para resolver os problemas de segurança. Trocas de tiros continuaram ao longo da fronteira durante a noite.
Fontes de segurança paquistanesas disseram que uma operação chamada “Ghazab Lil Haq” estava em andamento e que as forças paquistanesas destruíram diversos postos e acampamentos do Talibã. A Reuters não conseguiu verificar as alegações de forma independente.
Ambos os lados relataram perdas significativas. O Paquistão disse que 12 de seus soldados e 274 membros do Talibã foram mortos, enquanto o Talibã afirmou que 13 de seus combatentes e 110 soldados paquistaneses morreram. O porta-voz adjunto do Talibã, Hamdullah Fitrat, disse que 52 civis foram mortos e 66 ficaram feridos nas províncias de Khost e Paktika. A Reuters não conseguiu verificar os números.
O ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Muhammad Asif, disse que a paciência de Islamabad se esgotou e descreveu os combates como uma “guerra aberta”.
O ministro do Interior do Talibã, Sirajuddin Haqqani, disse em discurso que o conflito seria “muito custoso” e que as forças afegãs não foram amplamente mobilizadas além daquelas já envolvidas.
Ele afirmou que o Talibã derrotou “o mundo” por meio de “unidade e solidariedade” e de “grande paciência e perseverança”, e não por poder militar superior.
As capacidades militares do Paquistão superam amplamente as do Afeganistão, com um exército permanente de centenas de milhares de soldados e uma força aérea moderna.
O Talibã não possui uma força aérea convencional e depende em grande parte de armamentos leves e forças terrestres.
No entanto, o grupo islamista está calejado pela batalha após duas décadas de insurgência contra forças lideradas pelos EUA antes de retornar ao poder em 2021.
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