
A indústria de fabricação de painéis solares da Índia caminha para sua primeira grande reestruturação por duas razões principais: políticas governamentais mais rigorosas e a alta exponencial da capacidade de produção de módulos. Esses fatores transferem a vantagem para grandes empresas verticalmente integradas que também produzem componentes a montante.
Novas empresas entraram no setor, impulsionadas pelos fortes lucros das grandes fabricantes de painéis solares — nos últimos trimestres, as margens de lucro operacional atingiram uma média de cerca de 25%, segundo um relatório divulgado em novembro pela empresa de informações de investimento Icra.
A Wood Mackenzie estima que a capacidade atual de fabricação de módulos na Índia seja superior a 160 gigawatts, ou quase o triplo da demanda doméstica anual. Isso se compara a apenas 3 GW de capacidade em 2014.
Nos últimos cinco anos, o governo tem buscado nacionalizar a cadeia de suprimentos — por meio de subsídios, tarifas e regulamentações de compras internas — devido às interrupções causadas pela pandemia de covid-19 e às tensas relações com a China.
Em um sinal de rápida expansão além da demanda, a taxa média de utilização da capacidade nas fábricas de módulos solares na Índia caiu para 38% em 2025, ante 49% em 2024, segundo a Wood Mackenzie. Analistas afirmam que fábricas eficientes normalmente operam acima de 80%.
“Qualquer pessoa que tenha dinheiro e pense em onde investir, olha para a energia solar e pensa que ela parece um ótimo negócio”, disse Yana Hryshko, chefe de pesquisa da cadeia de suprimentos de energia solar da Wood Mackenzie. “A Índia está repetindo exatamente o que aconteceu na China com excesso de capacidade.”
A pressão do excesso de capacidade deve se intensificar ainda mais após a imposição, pelos Estados Unidos, de tarifas antissubsídio preliminares de 125,87% sobre as exportações indianas de energia solar.
O mercado dos Estados Unidos representou 97% das exportações de módulos solares da Índia entre abril de 2022 e março de 2025, segundo um relatório de dezembro da corretora PL Capital.
Com a consolidação iminente, o governo indiano parece estar incentivando essa tendência. Em dezembro, o Ministério de Energia Limpa da Índia recomendou cautela aos financiadores em relação ao financiamento de projetos isolados de módulos solares, sugerindo que priorizem o financiamento de instalações integradas que também produzam componentes a montante, como as células utilizadas nos módulos.
Além disso, a Índia deve tornar obrigatório o uso de células solares fabricadas localmente para projetos apoiados pelo governo até 1º de junho, como parte de um esforço para expandir ainda mais a cadeia de suprimentos doméstica. Isso pode efetivamente desencadear a primeira onda de uma reestruturação no setor, afirmam analistas e executivos.
Isso ocorre porque a montagem de células solares em módulos é relativamente simples, mas a fabricação da própria célula é mais tecnológica e energética, exigindo, portanto, muito mais capital.
As 10 maiores empresas de energia solar em junho de 2025, como Waaree Energies, Vikram Solar e Adani Solar, representavam quase 50% da capacidade de fabricação de módulos, mas eram responsáveis por 99,2% da fabricação de células, de acordo com a consultoria de energia limpa Mercom, demonstrando como um pequeno número de empresas está monopolizando o mercado.
A capacidade de fabricação de células na Índia, sob a lista aprovada de fabricantes nacionais, deverá ultrapassar 35 GW até março, segundo a Icra, o que, de acordo com analistas, estará amplamente alinhado com a demanda de curto prazo.
Cerca de 40% da capacidade atual de fabricação de módulos na Índia é de “subescala” — abaixo de 3 GW por empresa — ou baseada em tecnologia menos eficiente, de acordo com uma apresentação de resultados no final de janeiro da Premier Energies, uma das dez maiores fabricantes de energia solar.
“Todos esses fabricantes de módulos com capacidade de 2 GW ou menos, que não conseguem competir e não possuem integração vertical suficiente, terão dificuldades para encontrar células”, disse Sudhir Reddy, diretor de estratégia da Premier Energies, em entrevista.
“Veremos alguns desses fabricantes menores de módulos desaparecerem do mercado”, afirmou, traçando paralelos com o período de 2012 a 2015 na indústria solar chinesa, quando as guerras de preços impulsionadas pelo excesso de capacidade e as atualizações tecnológicas pressionaram os fabricantes menores e forçaram a consolidação do setor.
Da capacidade atual de produção de módulos na Índia, cerca de 25 GW a 30 GW são baseados na tecnologia monoperc, que é mais antiga e menos eficiente. Esses fabricantes provavelmente serão os primeiros a enfrentar riscos críticos para seus negócios, disse Prashant Mathur, executivo-chefe (CEO) da Saatvik Green Energy.
No próximo ano, após a entrada em vigor da obrigatoriedade da produção de células no mercado interno, os fabricantes exclusivos de módulos, independentemente da eficiência tecnológica, poderão começar a fechar as portas ou a se consolidar, acrescentou.
Tanto a Wood Mackenzie quanto a Mercom preveem uma queda a longo prazo nos preços dos módulos na Índia. A Wood Mackenzie prevê que os preços dos módulos de nova tecnologia no mercado interno cairão para US$ 0,16 ou menos por watt até o quarto trimestre de 2027, ante mais de US$ 0,18 em outubro de 2025.
A atual sobrecapacidade pode desencadear pressões de preços no curto prazo, pois os players menores, especialmente aqueles que utilizam a tecnologia monoperc, tentarão se desfazer de seus estoques antes que a tecnologia se torne obsoleta, de acordo com a Mercom.
Segundo a Premier Energies, uma integração vertical ainda mais intensiva em capital está por vir: até meados de 2028, a Índia exigirá que os wafers, componentes das células solares, também sejam fabricados internamente para serem elegíveis para projetos apoiados pelo governo.
“Se considerarmos quantas empresas conseguirão se integrar verticalmente com sucesso nesse curto período, eu diria que de seis a oito players terão sucesso e representarão a maior parte do mercado”, afirmou o diretor comercial Vinay Rustagi em uma teleconferência após a divulgação dos resultados.
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