
A escalada da crise política e militar na Venezuela teve reflexos imediatos na fronteira com o Brasil. Na manhã deste sábado (3), o governo venezuelano determinou o fechamento da passagem terrestre no trecho de Pacaraima, em Roraima, poucas horas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma operação militar de grande escala que resultou na captura de Nicolás Maduro. A interrupção ocorreu exclusivamente do lado venezuelano; o acesso brasileiro permanece aberto e operando normalmente.
A medida foi confirmada por autoridades brasileiras da área de segurança e defesa. Segundo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a corporação passou a monitorar de forma contínua os acessos fronteiriços, especialmente em Pacaraima, principal ponto de ligação entre os dois países. A PF mantém adidos policiais em Caracas, que atuam na embaixada brasileira para coletar informações diárias e antecipar possíveis desdobramentos do conflito.
Apesar do fechamento imposto por Caracas, o governo brasileiro afirma que não há, até o momento, risco imediato à segurança nacional. O Exército informou que a região fronteiriça opera dentro da normalidade, com efetivo reforçado e vigilância intensificada. A presença das Forças Armadas na área já vinha sendo ampliada desde a Operação Acolhida, criada para lidar com o fluxo migratório venezuelano, e foi reforçada nas últimas semanas diante do aumento da tensão entre Washington e Caracas.
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Forças Armadas do Brasil e da Venezuela mantêm contato operacional
As Forças Armadas do Brasil e da Venezuela mantêm contato operacional na fronteira com o objetivo de evitar tumultos, congestionamentos ou incidentes envolvendo civis. Segundo o governo brasileiro, o governo venezuelano tem permitido a saída de brasileiros e de pessoas em situação emergencial, enquanto realiza bloqueios e revistas em áreas mais afastadas da linha internacional.
No território venezuelano, militares montaram um bloqueio a cerca de 20 quilômetros da fronteira, nas proximidades de Santa Elena de Uairén. Imagens divulgadas pelas autoridades de Roraima mostram cones e barreiras físicas impedindo a circulação de veículos e pedestres. Moradores da região relataram clima de apreensão e presença ostensiva de forças de segurança venezuelanas, que realizam um pente-fino na área.
O fechamento ocorreu poucas horas depois de Trump declarar que forças americanas retiraram Maduro do país por via aérea. Durante a madrugada, explosões foram registradas em Caracas, acompanhadas de interrupções no fornecimento de energia elétrica e sobrevoo de aeronaves militares em baixa altitude, segundo relatos de moradores e vídeos que circulam nas redes sociais.
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Governo venezuelano decreta estado de comoção
Após o início da ofensiva, o governo da Venezuela divulgou um comunicado oficial afirmando que o país estaria sob agressão externa e decretou estado de Comoção Exterior em todo o território nacional. A vice-presidente Delcy Rodríguez declarou não ter informações sobre o paradeiro de Maduro e cobrou do governo dos Estados Unidos uma prova de vida do líder chavista.
No fim da manhã Trump disse que Maduro e a esposa foram levados para um navio de guerra e depois deve seguir para solo americano onde será julgado. Segundo a nota oficial venezuelana, planos de mobilização foram ativados e forças políticas e sociais convocadas para reagir à ofensiva.
A crise também reacendeu preocupações antigas no Brasil, especialmente em Roraima, estado que historicamente sofre impactos diretos de instabilidades venezuelanas, como aumento do fluxo migratório e pressão sobre serviços públicos. O governador Antonio Denarium afirmou que mantém contato permanente com órgãos federais para monitorar a situação e garantir a manutenção da ordem, da segurança e dos serviços essenciais.

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Reações políticas e articulação diplomática
No campo político, o episódio gerou reações divergentes. Parlamentares da direita elogiaram a ação norte-americana, classificando-a como um enfrentamento direto a uma ditadura que, segundo eles, exporta instabilidade para a região. Já setores da esquerda criticaram duramente a ofensiva, apontando violação da soberania venezuelana e do direito internacional.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que estava de férias no Rio de Janeiro, acompanha os desdobramentos à distância, mas manteve contato com o chanceler Mauro Vieira e o ministro da Defesa, José Múcio. O Itamaraty convocou reuniões para avaliar o impacto regional da crise. Em manifestação pública, Lula afirmou que ataques a países soberanos representam uma “linha inaceitável” e alertou para os riscos de um cenário internacional regido pela força, e não pelo multilateralismo.
Autoridades brasileiras ressaltam que, apesar do ambiente de tensão, não há registros de confrontos, deslocamentos em massa ou incidentes graves na fronteira até o momento. A orientação é de vigilância permanente e coordenação entre os órgãos de segurança, enquanto o governo federal acompanha a evolução do conflito e seus possíveis efeitos sobre o território nacional. A situação permanece fluida e sujeita a rápidas mudanças, em um contexto considerado por analistas como o mais grave episódio de instabilidade na América do Sul nas últimas décadas.

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